Nia DaCosta explica por que Aaron Taylor-Johnson não retorna em ‘The Bone Temple’, a aguardada sequência de ‘Extermínio: A Evolução’. Analisamos como a ausência de Jamie é uma ferramenta narrativa para forçar o amadurecimento de Spike e o que isso significa para o futuro da trilogia com Cillian Murphy.
Quando ‘Extermínio: A Evolução’ (28 Years Later) encerrou seu primeiro capítulo, a performance de Aaron Taylor-Johnson como Jamie deixou uma marca profunda: um herói falho, cujas escolhas morais cinzentas eram o motor do drama. Por isso, o anúncio de que ele não retornaria para a sequência, ‘The Bone Temple’, gerou um misto de frustração e teorias de bastidores. No entanto, a ausência não é fruto de conflitos contratuais, mas de uma escolha narrativa radical de Nia DaCosta.
A ‘traição’ de Nia DaCosta: Por que Jamie nunca esteve nos planos
A diretora Nia DaCosta, que assume o comando desta sequência, foi brutalmente honesta em declarações recentes. Para ela, Jamie não é apenas um personagem ausente; ele é um elemento que precisava ser removido para que a história de Spike (Alfie Williams) pudesse respirar. DaCosta chegou a rotular o personagem de Taylor-Johnson como um “filho da mãe” — uma referência direta à traição de Jamie contra Isla (Jodie Comer) no primeiro filme.
Essa postura reflete uma mudança de tom na direção. Enquanto Danny Boyle focou na sobrevivência frenética e no colapso familiar sob pressão, DaCosta parece interessada nas cicatrizes emocionais que essa sobrevivência deixa. Ao remover Jamie, ela remove a “rede de segurança” de Spike. Não há mais um pai para protegê-lo ou para servir de bússola, mesmo que fosse uma bússola quebrada.
O amadurecimento através do abandono
Em termos de estrutura cinematográfica, ‘The Bone Temple’ utiliza o tropo do ‘Coming of Age’ (amadurecimento) dentro do horror pós-apocalíptico de forma severa. A diretora explicou que a essência deste capítulo é a solidão: “Essa fase é sobre não estar em casa e não ter a segurança do pai para te salvar”.
Tecnicamente, isso se traduz em uma cinematografia que deve isolar Spike no quadro, contrastando com as composições mais densas e familiares do filme anterior. Se em ‘Extermínio: A Evolução’ a câmera de Anthony Dod Mantle era caótica e próxima, a visão de DaCosta para ‘The Bone Temple’ sugere uma exploração mais atmosférica e desoladora do continente, onde o perigo não vem apenas dos infectados, mas do vazio deixado pelas figuras de autoridade.
Conexão narrativa: O que aconteceu nos 28 dias?
Para os fãs que buscam lógica interna, a ausência de Jamie é justificada pelo final devastador do primeiro longa. Após a morte de Isla e a partida de Spike rumo ao continente para encontrar o Dr. Ian Kelson (Ralph Fiennes), criou-se um hiato geográfico intransponível. Jamie ficou isolado na ilha pela maré, enquanto Spike mergulhou no horror humano representado por Jimmy (Jack O’Connell).
O roteiro de Alex Garland para a trilogia parece tratar cada filme como um estágio diferente do luto e da reconstrução social. ‘The Bone Temple’ foca no teste da bússola moral de um jovem que viu o pai falhar miseravelmente. A ausência de Taylor-Johnson permite que o público sinta o mesmo desamparo que Spike sente ao confrontar os rituais de adoração satânica que permeiam a nova trama.
O fator Jim: Cillian Murphy e o terceiro ato
A grande cartada da produção é o retorno de Cillian Murphy como Jim. Ao manter Jamie fora deste segundo filme, Garland e DaCosta preparam o terreno para um contraste fascinante no capítulo final. Spike está prestes a encontrar o sobrevivente original do surto de 2002.
Essa dinâmica cria uma oportunidade rara: Spike poderá comparar a paternidade tóxica e superprotetora de Jamie com a orientação pragmática e endurecida de Jim. É um jogo de espelhos narrativo que justifica a espera pelo retorno de Taylor-Johnson no encerramento da trilogia. Jamie precisa de tempo para “perder o controle” — como o próprio ator sugeriu em entrevistas — para que seu eventual reencontro com um Spike já amadurecido tenha o peso de um clímax trágico.
Veredito: Uma aposta arriscada, mas necessária
Substituir o carisma de Aaron Taylor-Johnson pelo isolamento de Alfie Williams é uma manobra audaciosa. No entanto, para que a franquia ‘Extermínio’ (28 Days Later) evolua de um simples filme de zumbis para uma saga geracional, o sacrifício de Jamie em ‘The Bone Temple’ é vital. O horror real não está nos dentes dos infectados, mas na percepção de que, no fim do mundo, estamos irremediavelmente sozinhos.
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Perguntas Frequentes sobre ‘The Bone Temple’
Aaron Taylor-Johnson está fora de ‘The Bone Temple’?
Sim, o ator não retorna para a sequência direta de ‘Extermínio: A Evolução’. A diretora Nia DaCosta confirmou que o personagem Jamie nunca esteve no roteiro deste segundo capítulo para focar no desenvolvimento individual de Spike.
Qual é a data de lançamento de ‘The Bone Temple’?
’28 Years Later: Part II – The Bone Temple’ tem previsão de estreia para 2026, seguindo o cronograma de produção da trilogia escrita por Alex Garland.
Preciso assistir ao primeiro ‘Extermínio’ de 2002 para entender a sequência?
Embora ‘Extermínio: A Evolução’ e ‘The Bone Temple’ funcionem como uma nova história, o retorno de Cillian Murphy como Jim conecta os novos filmes diretamente ao original de 2002. Assistir ao clássico de Danny Boyle enriquecerá muito a experiência.
Jamie pode voltar no terceiro filme da trilogia?
Há fortes indícios de que Aaron Taylor-Johnson retornará para o capítulo final. A ausência em ‘The Bone Temple’ serve para criar um arco de distanciamento e amadurecimento entre pai e filho antes do confronto final.

