Damien Leone confirmou que o roteiro de ‘Terrifier 4’ está quase concluído, mas prefere não apressar o final da saga. Entenda por que essa decisão pode salvar a franquia e o que esperar da batalha cósmica entre Art the Clown e Sienna Shaw.
Quando um filme de terror independente feito com US$ 2 milhões arrecada US$ 90 milhões nas bilheterias, a pressão para uma sequência imediata é esmagadora. É a lógica de Hollywood: strike while the iron is hot. Damien Leone, no entanto, está fazendo exatamente o oposto. O criador de Art the Clown não está apressando Terrifier 4, e essa pode ser a melhor notícia que os fãs poderiam receber.
A franquia Terrifier nasceu nas margens do horror — curtas de baixo orçamento, efeitos práticos nojentos em vez de CGI, um palhaço assassino que fala absolutamente nada enquanto desmembra suas vítimas com um sorriso debochado. David Howard Thornton transformou Art em um ícone pop genuíno com sua performance física — o tipo de personagem que aparece em memes, fantasias de Halloween e tatuagens. Leone construiu isso do zero, sem estúdio, sem aprovação de comitê. Agora, chega ao ponto que todo criador teme: o final.
Por que Leone está certo em não apressar o roteiro de ‘Terrifier 4’
Em suas redes sociais, Leone foi direto: “O roteiro está muito próximo da conclusão, e espero começar a pré-produção nesta primavera. Este é o roteiro mais precioso que já escrevi por muitas razões, mas também é o mais desafiador. Há muito material para abordar e muito em jogo, não apenas criativamente, mas emocionalmente.”
Traduzindo do corporês criativo: ele sabe que não pode errar. Terrifier 3 expandiu o universo de formas que ninguém esperava — a batalha entre Art e Sienna Shaw, interpretada por Lauren LaVera, ganhou contornos explicitamente sobrenaturais, com o final apontando para um confronto que pode acontecer literalmente no inferno. Não é mais apenas um slasher. É uma guerra cósmica entre bem e mal, com um palhaço demoníaco em um lado e uma sobrevivente marcada pelo destino no outro.
Leone também prometeu revelar a origem de Art — algo que funcionou brilhantemente como mistério até agora, mas que precisa de uma explicação à altura. Explorar o backstory de um ícone de terror é terreno perigoso. Michael Myers perdeu mistério quando Halloween: A Noite do Terror 6 tentou explicar seu mal através de cultos druidas e runas celtas. Jason Voorhees virou piada quando a mitologia de Sexta-Feira 13 acumulou mortes, ressurreições e viagens espaciais. Leone conhece esses casos. Por isso está demorando.
A evolução de ‘Terrifier’: de grindhouse a “event movie”
Há algo fascinante na trajetória dessa franquia. O primeiro Terrifier era um exercício de estilo grindhouse — 84 minutos de carnificina quase sem enredo, um filme feito para ser descoberto em festivais de horror e redes de VOD obscuros. O segundo expandiu a mitologia, introduziu Sienna como protagonista real com um arco emocional genuíno, e se tornou um fenômeno de boca a boca após relatos de desmaios nas salas de cinema. O terceiro transformou Art the Clown em concorrente de altura com os grandes nomes do terror mainstream.
Se as tendências se mantiverem, Terrifier 4 deve ultrapassar US$ 100 milhões nas bilheterias. Isso colocaria o filme no mesmo território de franquias como Pânico, Premonição e Invocação do Mal — nomes que definiram gerações de fãs de horror. A diferença crucial: Leone não tem o suporte de um estúdio maj. Ele ainda é um cineasta independente com orçamento modesto e controle criativo total, supervisionando pessoalmente cada efeito prático que faz o público tapar os olhos.
A espera entre Terrifier 3 e o final da saga serve a outro propósito: permite que mais pessoas descubram a franquia. Cada filme ampliou a base de fãs. Art the Clown já é presença garantida em redes sociais, convenções de horror e lojas de fantasias o ano todo. Quando o quarto filme chegar, será um evento — não apenas mais uma sequência.
O risco de finalizar uma saga de terror
Finais são difíceis em qualquer gênero, mas no terror carregam um peso específico. O público investe anos em personagens, mitologia e medo. Quando o fechamento decepciona, a frustração é proporcional. Pense na reação dividida ao final de A Bruxa — que funcionou para alguns e alienou outros — ou nas críticas ao último ato de filmes que prometem mais do que entregam.
Leone tem a oportunidade de fazer algo raro: encerrar sua história nos próprios termos, no momento certo, com a escala que ele decidiu. A batalha cósmica entre Art e Sienna pede um espetáculo, mas também pede resolução emocional. Sienna não é apenas uma final girl — ela é uma heroína trágica cuja família foi destruída, cujo irmão foi corrompido, cuja vida foi consumida por esse demônio risonho. Lauren LaVera construiu essa personagem com uma intensidade que raramente vemos em franquias de slasher.
O diretor entende isso. “Há muito material para abordar”, ele escreveu. E de fato há: a origem de Art, o destino de Sienna, a natureza do inferno que parece ser o palco do confronto final, as consequências de tudo que foi construído em três filmes. É muito para um roteiro acertar. É compreensível que Leone esteja demorando.
O que esperar do encerramento da saga de Art the Clown
Os fãs mais impacientes podem respirar fundo: a pré-produção deve começar na primavera boreal de 2026. Isso coloca Terrifier 4 em caminho para lançamento provável em 2027 — um intervalo de três anos desde o terceiro filme, similar ao gap entre os dois primeiros. Não é uma espera absurda, especialmente considerando que Leone escreve, dirige e supervisiona os efeitos práticos que são marca registrada da franquia.
O que sabemos até aqui: será o final da saga, a batalha será de escala cósmica, o backstory de Art será revelado, e Leone está tratando o roteiro como a realização mais importante de sua carreira. Para uma franquia que sempre superou expectativas — inclusive a de seu próprio criador — esse cuidado extra é promissor.
No fim, a decisão de Leone reflete algo que o horror de qualidade sempre soube: medo não é apenas sobre sustos. É sobre consequências. É sobre personagens que importam. É sobre um arco que se fecha de forma satisfatória. Art the Clown merece um final à altura do caos que ele causou. Sienna Shaw merece um encerramento digno para sua jornada de sobrevivência. E os fãs merecem um filme que não foi apressado para aproveitar um momento de sucesso.
Se Leone entregar o que promete, Terrifier 4 pode ser o final raro que eleva tudo que veio antes. Se falhar, será mais uma lição sobre os perigos de expandir demais uma boa ideia. Eu, que acompanho essa franquia desde os curtas de 2016, estou otimista. Leone já provou que conhece seu personagem melhor que qualquer executivo de estúdio conheceria. Agora ele tem a chance de provar que também sabe quando e como se despedir dele.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Terrifier 4’
Quando sai ‘Terrifier 4’?
A pré-produção deve começar na primavera de 2026 (hemisfério norte), o que aponta para um lançamento provável em 2027. Damien Leone confirmou que o roteiro está quase concluído.
‘Terrifier 4’ é o último filme da franquia?
Sim. Damien Leone confirmou que o quarto filme será o final da saga de Art the Clown, encerrando o arco narrativo iniciado nos curtas e desenvolvido na trilogia.
Quem interpreta Art the Clown?
Art the Clown é interpretado por David Howard Thornton desde o primeiro longa da franquia. Sua performance física — sem uma única linha de diálogo — transformou o personagem em ícone do horror moderno.
Preciso ver os filmes anteriores antes de ‘Terrifier 4’?
Sim, fortemente recomendado. A franquia construiu uma mitologia contínua centrada em Sienna Shaw (Lauren LaVera) e seu confronto sobrenatural com Art. ‘Terrifier 4’ promete resolver tramas plantadas desde o segundo filme.
Onde assistir os filmes ‘Terrifier’?
Os três filmes estão disponíveis em streaming, com variação por região. No Brasil, a franquia pode ser encontrada em plataformas como Amazon Prime Video e Apple TV. Verifique disponibilidade na sua localização.

