Taboo série é o projeto mais sombrio e pessoal de Tom Hardy: um thriller histórico que transforma atmosfera (luz, lama e silêncio) em narrativa. Explicamos por que ela virou cult, o que travou a temporada 2 e por que 2026 pode ser a hora do retorno.
Existe um tipo de ator que domina as bilheterias e, ao mesmo tempo, guarda suas performances mais hipnóticas em projetos que passam “por baixo do radar”. Tom Hardy é esse caso: todo mundo reconhece o rosto de ‘Venom’, mas pouca gente viu o que ele faz em ‘Taboo’. E é aí que mora a injustiça — porque esta é, talvez, a criação mais pessoal e mais estranha (no melhor sentido) da carreira dele.
Lançada em 2017 pela FX (no Reino Unido, pela BBC One), Taboo série é um thriller histórico em oito episódios co-criado por Hardy e seu pai, Edward “Chips” Hardy, e escrito por Steven Knight (o mesmo de ‘Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas’). A série mistura intriga política, drama psicológico e violência sem verniz num Londres de 1814 filmado como se a fuligem estivesse colada na lente: a sensação é de um mundo úmido, doente, em permanente apodrecimento moral.
James Delaney é um anti-herói feito de silêncio, não de frases de efeito
O centro gravitacional de ‘Taboo’ é James Keziah Delaney, um aventureiro que volta a Londres após anos na África com cicatrizes que a série nunca transforma em “explicação” confortável. Ele herda um pequeno pedaço de terra em Nootka Sound — e essa herança, que parece irrelevante no mapa, é o estopim para uma guerra privada contra a Coroa e a Companhia das Índias Orientais.
Hardy constrói Delaney por subtração. A série confia menos em diálogos expositivos e mais em comportamento: a pausa longa demais antes de responder, a forma de ocupar um cômodo, o olhar que não pede permissão. Um bom exemplo é como as cenas de negociação (com oficiais, banqueiros ou “aliados” de ocasião) viram jogos de domínio físico: Delaney frequentemente fala baixo, quase engolindo palavras, e obriga o outro lado a se inclinar para o perigo — como se cada conversa fosse uma emboscada.
Há ecos do Hardy de ‘Bronson’ na brutalidade latente, mas aqui o corpo é ferramenta política: ele não quer só intimidar, quer desorganizar a sala. E quando o roteiro abre pequenas rachaduras — um gesto de afeto que dura meio segundo, uma explosão fora de hora, um impulso autodestrutivo — a série ganha densidade psicológica sem “psicologizar” demais.
Por que ‘Taboo’ ficou como cult: ela exige tolerância ao desconforto
Parte do status subestimado vem da estrutura slow-burn, mas não é só “ritmo lento”: é uma série que recusa catarse fácil. Em ‘Taboo’, informação é poder — e o roteiro trata informação como moeda cara, distribuída com crueldade. A sensação de estar sempre um passo atrás é deliberada, porque combina com a paranoia política do período e com a opacidade do protagonista.
A outra parte é o tom implacável. ‘Taboo’ é suja, cínica e frequentemente perturbadora, mas não como pose “edgy”. A violência, quando explode, costuma ser rápida e feia; e o sexo, quando aparece, raramente vem como alívio — é mais um campo de disputa. Isso afasta quem busca um drama histórico “de conforto”.
Visualmente, a série tem uma assinatura clara: paleta lamacenta, interiores à meia-luz, fumaça e velas como se a cidade estivesse sempre sem oxigênio. O mais interessante é como a escuridão não serve apenas para “ficar bonito”: ela cria informação incompleta dentro do quadro, reforçando a ideia de que ninguém enxerga o todo — nem o espectador. Some a isso um design de som que privilegia rangidos, respirações e o ruído industrial ao fundo, e o resultado é um mundo sensorialmente opressivo.
O elenco de apoio impede que a série vire um “one-man show”
Hardy domina o centro, mas ‘Taboo’ funciona porque o entorno é afiado. Oona Chaplin, Jonathan Pryce e Jason Watkins dão corpo a uma Londres onde cada relação é transação — e isso impede que Delaney vire apenas “o cara durão em missão de vingança”. Os coadjuvantes trazem camadas de classe, ambição e desespero institucional: a Companhia das Índias Orientais não aparece como vilão abstrato, e sim como máquina com rostos, vaidades e métodos.
Também é uma série que entende o prazer do confronto verbal: muitas das melhores cenas são mesas, contratos, ameaças educadas e humilhações silenciosas. A ação existe, mas a tensão real nasce do atrito entre instituições (Estado, empresa, finança) e um protagonista que decide não obedecer às regras delas.
Temporada 2 de ‘Taboo’: não é boato eterno, mas ainda depende de agenda
O futuro de ‘Taboo’ nunca foi oficialmente enterrado — e isso é importante diferenciar de “vai voltar com certeza”. A série foi renovada pouco depois da estreia, passou anos em desenvolvimento e ficou travada principalmente por logística: agenda de Tom Hardy, escala de produção e o timing certo para voltar a um projeto que exige preparação pesada.
O dado mais concreto é que, em janeiro de 2026, Steven Knight voltou a falar publicamente sobre conversas contínuas com Hardy para reviver a série e indicou que já existe um caminho criativo definido — além de mencionar que parte relevante do material (seis de oito episódios planejados, segundo ele) já foi escrita em ciclos anteriores. Em outras palavras: não parece faltar “história”; falta janela real para filmar.
O que uma continuação pode ganhar (e o que não deveria perder)
O final da primeira temporada coloca Delaney fora de Londres, abrindo espaço para duas expansões naturais: geopolítica (Nootka Sound como ponto de fricção imperial) e escala (menos claustrofobia urbana, mais sobrevivência e conflito colonial). Isso pode ser ótimo, desde que a série não sacrifique seu motor: a sensação de que Delaney é, ao mesmo tempo, arma e ferida aberta.
Há também a chance de aprofundar um tema que a primeira temporada apenas arranha: como o capitalismo “moderno” nasce junto da violência de Estado e da exploração corporativa. A Companhia das Índias Orientais, em ‘Taboo’, não é só pano de fundo histórico — é um espelho bem direto de como poder econômico captura política. Se a segunda temporada mantiver esse foco, ela tem tudo para soar ainda mais atual sem precisar “atualizar” o texto.
Veredito: por que assistir (ou reassistir) agora
‘Taboo’ não é para maratonar como conforto: é para entrar num clima e aceitar o atrito. Mas, se você gosta de drama histórico que não romantiza o passado, de anti-heróis moralmente indecifráveis e de narrativas onde atmosfera é parte do enredo, esta é uma das melhores vitrines do Tom Hardy.
Quem busca ritmo acelerado e resoluções claras provavelmente vai se irritar. Para quem aguenta a fricção — e quer ver uma série que trata poder como doença contagiosa — ‘Taboo’ recompensa com cenas que ficam na memória e um mundo que parece ter textura. E, com a conversa sobre continuação voltando ao noticiário em 2026, é um ótimo momento para redescobrir por que tanta gente ainda insiste: ela merecia não só mais audiência, mas mais capítulos.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Taboo’
Quantos episódios tem ‘Taboo’?
A 1ª temporada de ‘Taboo’ tem 8 episódios.
‘Taboo’ tem 2ª temporada?
A série foi renovada para a 2ª temporada, mas ela ainda não foi lançada. Em janeiro de 2026, Steven Knight voltou a dizer que segue em conversas com Tom Hardy e que já existe material escrito, porém a produção depende de agenda e janela de filmagem.
Onde assistir ‘Taboo’ no Brasil?
A disponibilidade de ‘Taboo’ muda por licenciamento. O caminho mais seguro é conferir no buscador do JustWatch ou diretamente nas plataformas (catálogo de streaming e/ou aluguel digital) na sua região no dia da busca.
‘Taboo’ é baseada em fatos reais?
Não. ‘Taboo’ é uma história original criada por Tom Hardy, Chips Hardy e Steven Knight, mas usa contexto histórico real (Londres de 1814, disputa imperial e a Companhia das Índias Orientais) como base para a trama.
Precisa assistir ‘Peaky Blinders’ para entender ‘Taboo’?
Não. As séries não têm ligação direta de história ou personagens. O que elas compartilham é o criador/roteirista Steven Knight e um gosto parecido por crime, política e atmosfera pesada.

