‘Sweetpea’: thriller de humor ácido com Ella Purnell é a maratona ideal

A Sweetpea série chega ao Prime Video com Ella Purnell como uma serial killer improvável em um thriller de humor ácido. Seis episódios enxutos, 88% de aprovação e uma protagonista que subverte o gênero de revenge fantasy fazem desta a maratona ideal para o fim de semana.

Há algo profundamente satisfatório em assistir uma personagem que foi pisoteada a vida inteira descobrir que tem um talento oculto — matar pessoas. Não é sadismo barato nem apologia à violência. É catarse narrativa, algo que ‘Sweetpea’ entende com precisão cirúrgica. A Sweetpea série que acabou de chegar ao Prime Video não é apenas mais um thriller sobre serial killers; é uma história sobre o momento em que a vítima para de pedir desculpas por existir.

Ella Purnell, que você provavelmente conhece como Lucy MacLean de ‘Fallout’, retorna ao catálogo da Amazon com um papel que poderia ser oposto ao da série de games — mas não é. Lucy e Rhiannon Lewis compartilham algo essencial: são mulheres que o mundo subestima até descobrir, tarde demais, que isso foi um erro colossal. A diferença está no método de retalição.

Por que Rhiannon Lewis é a anti-heroína que você não sabia que precisava

Por que Rhiannon Lewis é a anti-heroína que você não sabia que precisava

Rhiannon trabalha no Carnsham Gazette, um jornal local decadente onde é tratada como tapete por um chefe que a ignora e colegas que a ridicularizam. Na escola, foi vítima de bullying. Em casa, perdeu o pai — a única pessoa que genuinamente a via. Até aqui, parece o setup de um drama deprimente sobre uma mulher que descobre sua força interior através de terapia e autoconhecimento. ‘Sweetpea’ tem outros planos.

O que torna a série viciante não é a violência em si — é o humor ácido que acompanha cada decisão catastrófica de Rhiannon. Quando ela mata pela primeira vez, há um momento de choque genuíno seguido por algo perturbador: alívio. Não o alívio de escapar do perigo, mas o de finalmente fazer algo que ninguém esperava que ela fosse capaz. A série não julga essa sensação; ela a examina como quem dissecaria um espécime curioso.

Purnell entrega uma atuação que oscila entre o patético e o ameaçador sem nunca perder a humanidade. Repare nos micros momentos: o jeito como Rhiannon sorri quando ninguém está olhando, a forma como sua postura muda sutilmente após o primeiro assassinato. Não é uma transformação dramática estilo Jekyll e Hyde — é uma mulher descobrindo que pode ocupar espaço no mundo, mesmo que seja através do medo que impõe nos outros.

O que funciona — e o que pode afastar alguns espectadores

Com 88% de aprovação no Rotten Tomatoes e episódios consistentemente avaliados entre 7.3 e 7.8 no IMDB, ‘Sweetpea’ claramente acerta mais do que erra. O consenso crítico fala de uma ‘revenge fantasy que esconde muita escuridão sob seu exterior lúdico’ — e essa é talvez a descrição mais precisa possível. A série tem coragem de ser leve em momentos que outras produções tratariam com solenidade pesada.

A estrutura de seis episódios é brilhante em sua economia. Não há gordura narrativa, nenhum episódio de preenchimento. Cada capítulo adiciona uma camada à psique de Rhiannon enquanto mantém o ritmo acelerado que faz você clicar em ‘próximo episódio’ automaticamente. Em uma era de séries que se estendem além do necessário, ‘Sweetpea’ respeita seu tempo — e seu limite de atenção.

Mas preciso ser honesto sobre o que pode não funcionar para todo mundo: o sangue é real, a violência não é estilizada ao ponto de se tornar abstrata. Se você tem baixa tolerância para cenas gráficas, vai passar alguns momentos de olhos fechados. O humor ácido também não é para todos os paladares — há piadas que funcionam porque são desconfortáveis, não apesar disso.

A conexão com ‘Fallout’ e o momento de Ella Purnell

A conexão com 'Fallout' e o momento de Ella Purnell

É impossível ignorar que ‘Sweetpea’ chega no rastro de ‘Fallout’, onde Purnell provou que consegue carregar uma produção de alto orçamento com carisma e presença cênica. Mas comparar as duas performances revelisa algo interessante sobre a versatilidade da atriz. Lucy MacLean é otimista em um mundo que não merece seu otimismo; Rhiannon Lewis é derrotada em um mundo que merece sua fúria.

Ambas as personagens compartilham um arco de empoderamento, mas os caminhos são radicalmente diferentes. Lucy descobre força através da inocência mantida; Rhiannon através da inocência perdida. Ver Purnell navegar esses extremos opostos em um intervalo de tempo tão curto sugere que estamos testemunhando o surgimento de uma intérprete que não quer ser rotulada como ‘a garota de’ qualquer coisa.

O fato de ‘Sweetpea’ já estar em 8º lugar entre as séries mais assistidas do Prime Video globalmente — à frente de produções como ‘O Roubo’ com Sophie Turner — indica que o público está respondendo. Não é apenas curiosidade sobre a estrela de ‘Fallout’; é reconhecimento de que há uma performance de alto calibre aqui.

Por que é a maratona ideal para este fim de semana

Seis episódios. Uma temporada completa. Temporada 2 já confirmada. Essa é a equação perfeita para quem quer maratonar algo sem o compromisso de uma série de oito temporadas, mas com qualidade suficiente para justificar o tempo investido. ‘Sweetpea’ foi originalmente lançada em outubro de 2024 no Sky Atlantic britânico, adaptada do romance homônimo de CJ Skuse — o que significa que já existe uma base de fãs estabelecida e críticas consolidadas. Você não está apostando em algo experimental.

A série também funciona como contraponto interessante aos thrillers masculinos que dominam o catálogo do Prime Video. ‘Reacher’, ‘Detetive Alex Cross’, ‘Jack Ryan’ — todos seguem a lógica do herói competente que resolve problemas através de força física ou intelectual. Rhiannon resolve problemas através de algo que ninguém ao seu redor antecipa, incluindo o próprio público no início. Há uma subversão de gênero aqui que adiciona uma camada de comentário social sem nunca se tornar didática.

Para o público brasileiro, a chegada de ‘Sweetpea’ ao Prime Video representa uma oportunidade de descobrir algo que já provou seu valor internacionalmente. A série está trending em 16 países, incluindo o Brasil. A experiência universal de ser subestimado, de ter raiva reprimida, de fantasiar sobre dar o troco naqueles que nos maltrataram — isso tudo é universal, e ‘Sweetpea’ traduz em linguagem de thriller psicológico com humor negro.

Veredito: vale a sua próxima maratona?

Se você curte thrillers que não se levam a sério demais mas ainda entregam tensão genuína, ‘Sweetpea’ é obrigatória. A série não é perfeita — alguns plot points são previsíveis, e a violência ocasionalmente se torna gratuita demais para quem prefere sugestão a exposição explícita. Mas os acertos superam amplamente os tropeços.

Ella Purnell confirma que é uma das intérpretes mais interessantes da sua geração, e Rhiannon Lewis é o tipo de personagem que você não esquece — não pelo que ela faz, mas pelo que ela representa sobre as partes mais sombrias de todos nós. Aquele lugar onde a fantasia de vingança que nunca admitimos ter encontra expressão narrativa.

Para quem gosta de ‘Dexter’, ‘Killing Eve’, ou qualquer série que explore a moralidade cinzenta de assassinos simpáticos, esta é sua próxima obsessão. Para quem prefere heróis incontestavelmente bons e finais moralmente limpos, talvez seja melhor pular. ‘Sweetpea’ não tem interesse em ser edificante — e isso é exatamente o que a torna memorável.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre ‘Sweetpea’

Onde assistir ‘Sweetpea’?

‘Sweetpea’ está disponível exclusivamente no Prime Video. A série chegou ao catálogo brasileiro em março de 2026 após sua exibição original no Sky Atlantic britânico.

Quantos episódios tem ‘Sweetpea’?

A primeira temporada tem seis episódios, cada um com cerca de 45 minutos. É uma temporada completa e fechada, ideal para maratonar em um único fim de semana.

‘Sweetpea’ tem segunda temporada?

Sim. A segunda temporada de ‘Sweetpea’ já foi confirmada pelo Sky Atlantic. Não há data de estreia anunciada ainda, mas a renovação aconteceu antes mesmo da chegada ao Prime Video internacional.

‘Sweetpea’ é baseada em livro?

Sim. A série é adaptação do romance ‘Sweetpea’ de CJ Skuse, publicado em 2017. A autora também escreveu uma sequência, ‘Sweetpea: The Killer Next Door’, que pode servir de base para a segunda temporada.

Qual a classificação indicativa de ‘Sweetpea’?

A série é indicada para maiores de 16 anos. Contém violência gráfica, linguagem forte e temas sombrios. Não recomendada para quem tem sensibilidade a cenas de sangue explícito.

Mais lidas

Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

Veja também