Em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’, vilões de Super Mario Bros. 2 (1988) como Wart, Mouser e Clawgrip retornam após décadas de limbo canônico. Analisamos o que essa aposta ousada significa para o futuro da franquia nas telas.
Tem uma cena nos trailers de Super Mario Galaxy: O Filme que me fez pausar o vídeo e assistir três vezes seguidas. Princess Peach segura sua sombrinha enquanto uma criatura com óculos escuros se inclina na direção dela — e ao fundo, um caranguejo gigante está virado de costas no chão. Quem cresceu com o NES reconhece imediatamente. Mouser. Clawgrip. Dois chefões que desapareceram do radar em 1988 e que a Nintendo parecia ter arquivado para sempre.
A Illumination não está apenas fazendo uma sequência do filme mais rentável de 2023. Está fazendo algo que nenhuma adaptação da franquia tentou antes: reabilitar os vilões que o próprio Nintendo esqueceu.
Por que ressuscitar personagens de ‘Super Mario Bros. 2’ é uma decisão corajosa
‘Super Mario Bros. 2’ ocupa um lugar estranho no cânone da franquia. Lançado em 1988, o jogo foi tecnicamente um título japonês diferente — Doki Doki Panic — com os personagens do Mario inseridos. Isso criou uma brecha canônica que a Nintendo resolveu da forma mais elegante possível: o jogo todo era um sonho do Mario. Consequentemente, cada personagem exclusivo daquele título — Wart, Mouser, Clawgrip, Birdo em sua forma original — existe numa espécie de limbo narrativo. Eles podem ou não ser reais dentro do universo do Mario.
Essa ambiguidade é exatamente o que torna a aposta de Super Mario Galaxy: O Filme tão interessante. Ao trazer esses personagens para a tela grande como vilões concretos, com motivações e sequências de ação próprias, o filme está essencialmente canonizando-os. Pela primeira vez em quase quatro décadas, Wart volta a existir de verdade.
Bowser Jr. e o Pincel Mágico: quando o filho supera o pai em carisma
Antes de chegar aos vilões mais obscuros, vale entender a estrutura central do conflito. Bowser Jr. é o antagonista principal desta sequência — e a escolha faz todo sentido narrativo. No primeiro filme, Bowser era a ameaça monolítica. Aqui, com o pai derrotado e capturado, é o filho quem toma as rédeas para resgatá-lo. A motivação é simples e funciona.
O que me chamou atenção foi o detalhe do Pincel Mágico, a mesma arma que Bowser Jr. usou para cobrir Delfino Square de gosma em ‘Super Mario Sunshine’. Nos trailers, ele usa o pincel para criar construtos de goo — uma Piranha Plant feita de substância viscosa — e parece ter pelo menos duas transformações confirmadas: ‘Wonder Bowser Jr.’ e algo que se parece com ‘Fury Bowser Jr.’ A Illumination aprendeu com o primeiro filme que o vilão precisa de escalonamento de poder. Bowser Jr. não é apenas o filho mimado do chefão; ele vem armado.
O casino de ‘Super Mario Bros. 2’: três chefões, uma homenagem cirúrgica
A sequência do casino é onde o filme mostra suas cartas mais interessantes. Birdo lutando com Princess Peach, Mouser nas redondezas com sua fixação por bombas, Clawgrip virado ao fundo — tudo isso não é coincidência nem fan service aleatório. É uma recriação temática do mundo de Subcon, o reino de sonho que Wart havia conquistado no jogo de 1988.
Birdo é o caso mais fascinante do trio. Hoje ela aparece como personagem amigável em Mario Tennis e Mario Party, mas sua origem é a de uma chefe recorrente, com variantes vermelha e cinza. O filme parece querer recuperar essa versão mais ameaçadora — Peach vai ter que se virar de verdade nessa briga. Clawgrip, por sua vez, mal foi visto fora daquele NES; sua presença aqui é quase arqueológica. E Mouser, com os óculos escuros que se tornaram sua marca registrada, não aparecia num contexto de confronto desde Reagan ainda era presidente dos Estados Unidos.
Wart: o retorno que ninguém esperava e todos precisavam
E então chegamos a Wart. O trailer final confirmou o que as teorias já apontavam: a criatura parecida com um sapo usando coroa sentada numa cadeira é o grande vilão do arco do casino. Wart foi o chefão final de ‘Super Mario Bros. 2’ — não um sub-chefe, não um obstáculo intermediário, mas o antagonista principal de um jogo de Mario que vendeu milhões de cópias.
E depois de 1988, simplesmente desapareceu.
Birdo sobreviveu através de aparições posteriores. Wart não teve essa sorte. A justificativa canônica do ‘era tudo um sonho’ o tornou descartável aos olhos da Nintendo — por que desenvolver um personagem que tecnicamente não existe? Mas o público que cresceu jogando ‘Super Mario Bros. 2’ lembra dele. Ele ficou guardado nessa memória afetiva específica de quem tem mais de 35 anos e se lembra de arremessar vegetais na boca aberta de um sapo gigante.
Trazê-lo para o cinema em 2026 é a Nintendo dizendo, implicitamente, que talvez aquele limbo canônico tenha durado tempo demais. E dependendo de como o público reagir a Wart no filme, não seria surpresa ver a Nintendo reconsiderar o personagem nos jogos. Adaptações cinematográficas têm esse poder: ‘Spider-Man: Into the Spider-Verse’ transformou Miles Morales de coadjuvante em protagonista central nos quadrinhos. Por que Wart não poderia voltar aos videogames pela porta dos fundos da bilheteria?
O que a presença desses vilões diz sobre a direção da franquia
Existe uma diferença fundamental entre o primeiro filme e esta sequência no que diz respeito à abordagem ao material original. ‘Super Mario Bros. O Filme’ era uma apresentação — precisava introduzir um universo para um público que incluía pessoas que nunca tinham tocado num controle. Era necessariamente mais superficial na mitologia.
Super Mario Galaxy: O Filme está apostando num público que já está dentro. Trazer Megaleg (o robô de três pernas de ‘Super Mario Galaxy’), o Pincel Mágico de ‘Sunshine’ e três chefões de um jogo de NES de 38 anos atrás são sinais claros de que o filme foi feito para quem conhece a franquia em profundidade — mas com cuidado suficiente de apresentar cada personagem de forma que novatos também consigam acompanhar.
Essa é a aposta mais difícil de acertar no cinema de franquia: satisfazer os fãs históricos sem alienar os novos. Pelo que os trailers mostram, a sequência do casino pode ser o lugar onde esse equilíbrio ou se sustenta ou desmorona.
Fico curioso para saber se Wart vai ter falas, se vão desenvolver sua conexão com o mundo dos sonhos ou se ele vai ser tratado como chefe de fase com personalidade mínima. A segunda opção seria um desperdício. Um vilão que ficou décadas no limbo merece melhor do que aparecer apenas para ser derrotado.
Mas o simples fato de ele estar lá já é, por si só, algo que não esperava ver acontecer. E isso, no final das contas, é o tipo de surpresa que faz um filme valer a visita ao cinema.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Super Mario Galaxy: O Filme’
Quando estreia ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?
O filme estreia em 2026. A data específica ainda não foi confirmada pela Illumination ou Nintendo, mas deve chegar aos cinemas no primeiro semestre.
Quais vilões confirmados aparecem no filme?
Bowser Jr. é o antagonista principal, usando o Pincel Mágico de ‘Super Mario Sunshine’. Vilões de ‘Super Mario Bros. 2’ (1988) também aparecem: Wart, Mouser, Clawgrip e Birdo. Megaleg, de ‘Super Mario Galaxy’, também foi confirmado nos trailers.
Wart é vilão de qual jogo do Mario?
Wart é o chefão final de ‘Super Mario Bros. 2’ (1988), lançado para NES. Ele é um sapo gigante que arremessa bolhas de sabão e precisa ser derrotado com vegetais. Não aparecia em nenhum jogo canônico desde então.
Precisa assistir o primeiro filme para entender a sequência?
Sim, é recomendado. A trama parte diretamente do final do filme de 2023, com Bowser derrotado e capturado. Bowser Jr. surge para resgatar o pai, e referências aos eventos anteriores são frequentes.
‘Super Mario Galaxy: O Filme’ adapta o jogo de mesmo nome?
Parcialmente. O filme incorpora elementos de ‘Super Mario Galaxy’ (2007), como Megaleg e cenários espaciais, mas mistura referências de múltiplos jogos, incluindo ‘Super Mario Sunshine’ e ‘Super Mario Bros. 2’. Não é uma adaptação direta de um único título.

