A bilheteria de ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ chegou a US$ 372,5 milhões em 5 dias, ignorando críticas negativas. Analisamos o abismo entre os 41% dos críticos e os 89% do público, e por que a franquia só cresce globalmente.
Há algo fascinante em ver críticos e público habitarem universos paralelos. Enquanto os primeiros choram sobre ‘mais do mesmo’, os segundos votam com a carteira. A bilheteria de ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ já responde com US$ 372,5 milhões em apenas cinco dias. O recado está dado: o público não liga para o Rotten Tomatoes.
Os números contam uma história que as resenhas negativas tentam obscurecer. Com 41% de aprovação no Rotten Tomatoes — pior que os já modestos 59% do primeiro filme — a sequência da Illumination foi massacrada antes mesmo de estrear. Mas o público respondeu com um estrondoso 89% de aprovação. Esse abismo de 48 pontos percentuais entre o que críticos acham e o que o público efetivamente consome não é anomalia. É sintoma de algo que a crítica especializada insiste em ignorar: as pessoas vão ao cinema para se divertir, não para serem validadas por uma elite cultural.
O que os números realmente revelam
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Vamos aos fatos concretos, segundo dados do Box Office Mojo. A sequência arrecadou US$ 190 milhões no mercado doméstico norte-americano e mais US$ 182,5 milhões internacionalmente, totalizando US$ 372,5 milhões globalmente em seu fim de semana de estreia estendido. Isso coloca o filme instantaneamente no Top 3 de maiores bilheterias de 2026, atrás apenas de ‘Devoradores de Estrelas’ (US$ 400 milhões) e o blockbuster chinês ‘Pegasus 3’ (US$ 609,1 milhões).
O mais revelador é a comparação direta com o predecessor. ‘Super Mario Bros. O Filme’ abriu com US$ 375 milhões globais em 2023 — praticamente idêntico ao que a sequência acabou de conquistar. Porém, há uma diferença crucial: enquanto o primeiro filme dependeu mais do mercado doméstico (US$ 204,6 milhões em 5 dias), ‘Galaxy’ viu sua força vir do internacional. Os US$ 182,5 milhões de fora dos EUA superam os US$ 171 milhões do original. Isso sugere algo que deveria preocupar concorrentes: a franquia está crescendo globalmente, não encolhendo.
Por que o público ignora os críticos — e com razão
A pergunta que deveria estar em toda análise séria não é ‘por que o público ignora críticas?’, mas sim ‘por que críticos insistem em julgar filmes de videogame pelos mesmos critérios que usam para Tarkovsky?’. Não estou dizendo que adaptações de games merecem um passe livre. Digo que julgar ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ pela mesma régua que se mede um drama existencialista é como avaliar uma pizzaria pela qualidade do sushi.
O filme custou US$ 110 milhões. Considerando que estúdios geralmente precisam de 2,5 vezes o orçamento para atingir o ponto de equilíbrio (marketing incluso), ‘Galaxy’ precisaria de aproximadamente US$ 275 milhões para começar a lucrar. Cruzou essa linha em cinco dias. Sobram US$ 97,5 milhões de pura margem de lucro — e isso antes de considerar que o filme tem praticamente quatro finais de semana sem competição significativa até ‘Michael, Anjo e Sedutor’ chegar em 24 de abril.
A matemática é brutal para quem apostou contra: se a projeção parasse hoje, o filme já teria dado lucro. Mas não vai parar. E aqui está onde a crítica perde completamente o fio da meada.
O contexto que a crítica se recusa a enxergar
Desde 2023, quando ‘Super Mario Bros. O Filme’ se tornou o sexto maior filme de animação da história com US$ 1,36 bilhão, o cenário mudou drasticamente. ‘Ne Zha 2’, ‘Zootopia 2’, ‘Divertida Mente 2’ e ‘Moana 2’ todos ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão. O público infanto-juvenil e os gamers adultos provaram repetidamente que estão dispostos a comprar ingressos para animações de qualidade — independente do que críticos pensem.
Há algo mais em jogo aqui. A Illumination entende seu público de uma forma que a crítica compreende intelectualmente mas não consegue aceitar emocionalmente. A empresa sabe que famílias querem entretenimento acessível, referências que funcionam em múltiplos níveis (para crianças e adultos), e a promessa de um bom tempo no cinema. Não querem ser desafiados. Querem ser entretidos. E ‘Galaxy’ entrega exatamente isso com a adição de personagens queridos como Rosalina (Brie Larson), Yoshi (Donald Glover) e até Fox McCloud de Star Fox (Glen Powell).
O elenco de vozes expandido também sinaliza ambição: Jack Black retorna como Bowser, agora acompanhado de Bowser Jr. (Benny Safdie), enquanto Anya Taylor-Joy, Chris Pratt e Charlie Day mantêm a química que funcionou no primeiro filme. A crítica pode chamar de ‘mais do mesmo’. O público chama de ‘exatamente o que eu queria’.
Como a franquia pode ultrapassar US$ 1 bilhão novamente
A pergunta real agora não é se ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ vai lucrar — isso já é certeza absoluta. A questão é se conseguirá superar o total de US$ 1,36 bilhão do original. E aqui os sinais são ambivalentes. O mercado doméstico está levemente atrás do primeiro filme (US$ 190 milhões vs US$ 204,6 milhões no mesmo período), mas o internacional está mais forte.
Se a retenção de público se mantiver nos mercados internacionais — especialmente na América Latina e Ásia, onde a marca Mario tem penetração quase religiosa — a sequência tem caminho aberto para se tornar o segundo filme da franquia a cruzar US$ 1 bilhão. A Illumination deve estar calculando não apenas um terceiro filme, mas um universo cinematográfico Mario expandido. E por que não? O público claramente quer.
O calendário ajuda. Até 22 de maio, quando ‘The Mandalorian and Grogu’ chegar para competir pelo público familiar, ‘Galaxy’ terá seis finais de semana praticamente livres. Isso é tempo suficiente para acumular multiplicadores significativos sobre sua abertura.
O veredito que importa
Posso discordar da crítica sem ser anti-intelectual. Há espaço para análises rigorosas de cinema de animação — ‘Divertida Mente 2’ provou isso ao conquistar 90%+ tanto de críticos quanto de público. Mas quando o abismo entre as duas métricas atinge quase 50 pontos percentuais, algo está quebrado no modelo de crítica atual. Não é o público que está errado por gostar do que vê. São os críticos que insistem em avaliar filmes por critérios que o público nunca prometeu se importar.
‘Super Mario Galaxy: O Filme’ é um sucesso comercial inegável que já pagou seu investimento e deve gerar centenas de milhões em lucro. Para a Illumination e Universal, isso é vitória suficiente. Para o público que lotou os cinemas neste fim de semana de Páscoa, a vitória é ter mais uma experiência divertida com personagens que amam. Os 41% no Rotten Tomatoes? São apenas ruído branco no caminho para o banco.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Super Mario Galaxy: O Filme’
Quanto arrecadou ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ na estreia?
O filme arrecadou US$ 372,5 milhões globalmente em seus primeiros cinco dias — US$ 190 milhões no mercado doméstico e US$ 182,5 milhões internacionalmente.
Onde assistir ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?
O filme está em exibição nos cinemas desde 3 de abril de 2026. A Universal ainda não anunciou data para streaming, mas filmes da Illumination geralmente chegam ao Peacock após a janela theatrical.
Qual a classificação indicativa do filme?
Nos EUA, o filme tem classificação PG (orientação parental sugerida). No Brasil, deve manter a mesma classificação do primeiro filme: livre, com orientação para menores de 10 anos.
‘Super Mario Galaxy: O Filme’ é melhor que o primeiro?
Depende de quem você pergunta. Críticos deram 41% de aprovação (pior que os 59% do primeiro), mas o público deu 89% — maior que os 84% do original. O filme expande o universo com Rosalina, Yoshi e referências a Star Fox.
O filme já deu lucro?
Sim. Com orçamento de US$ 110 milhões e ponto de equilíbrio estimado em US$ 275 milhões (incluindo marketing), o filme cruzou a linha de lucro em apenas cinco dias de exibição.

