‘Super Mario Galaxy: O Filme’ divide crítica mais que o original no Rotten Tomatoes

‘Super Mario Galaxy: O Filme’ caiu de 59% para 44% no Rotten Tomatoes. Analisamos por que o visual deslumbrante não salva um roteiro que repete os erros de 2023, e o que isso revela sobre o modelo de negócio da Illumination — que prefere escala a evolução.

Quando ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ estreou nos cinemas nesta semana, trazia consigo uma promessa ambiciosa: expandir o universo construído em 2023 para escalas cósmicas. Mas se há algo que os 44% de aprovação no Rotten Tomatoes deixam claro é que “maior” nem sempre significa “melhor” — e a queda de 15 pontos percentuais em relação ao predecessor expõe um problema que a Illumination parece relutante em resolver.

Os números contam uma história que o marketing preferiria esconder. Com 66 avaliações contabilizadas até o momento, a sequência conseguiu algo curioso: ser pior recebida pela crítica especializada do que o filme de 2023, mas ainda assim superar o desastre de 1993, aquele com Bob Hoskins e John Leguizamo que marcou 27% e se tornou sinônimo de adaptação desastrosa de games. O problema é que, enquanto ‘Super Mario Bros. O Filme’ foi um caso isolado de má execução, ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ revela um padrão preocupante na abordagem da Illumination às propriedades da Nintendo.

O visual que impressiona e o roteiro que esvazia

A crítica Jordan Williams, do ScreenRant, aponta o dilema central desta sequência: a animação continua sendo “visualmente impressionante”, um ponto onde praticamente todos os revisores convergem. E não é difícil entender por que — assistir a Mario, Luigi e Peach navegando por galáxias em cenários que parecem extraídos diretamente do jogo de 2007 é, de fato, um espetáculo técnico. A Illumination refinou sua linguagem visual, e as sequências espaciais têm uma fluidez que o filme de 2023 apenas ensaiava.

Mas aqui reside o problema estrutural que derruba a obra: o mesmo roteirista Matthew Fogel, que já entregava uma narrativa funcional mas esquecível em 2023, repete os erros do passado agora em escala ampliada. A história está “sobrecarregada mas rasa em desenvolvimento” — a película tenta encaixar personagens, subtramas e referências sem dar a nenhum deles espaço para respirar. É o equivalente cinematográfico de um jogador tentando coletar todas as estrelas em uma única fase: ambicioso, mas caótico.

A trilha sonora também ilustra essa desconexão. Enquanto os arranjos orquestrais de Koji Kondo reaparecem em momentos-chave, a música funciona mais como nostalgia do que como elemento narrativo. No jogo original de 2007, cada galáxia tinha um tema que contava sua própria história — aqui, a partitura acompanha o visual sem nunca assumir protagonismo emocional.

Personagens que chegam com fanfarra e saem sem deixar marca

O caso de Rosalina é o mais sintomático do desequilíbrio entre ambição e execução. Interpretada por Brie Larson, a personagem que no jogo carrega todo o peso emocional da narrativa — sua história de origem, revelada através do livro de contos no jogo, é uma das mais tocantes já escritas pela Nintendo — aparece aqui como uma figura subutilizada apesar de ser “a força motriz do filme”. Quem jogou ‘Super Mario Galaxy’ sabe que Rosalina perdeu sua família e encontrou propósito cuidando dos Lumas; o filme menciona isso de passagem, sem nunca deixar que o público sinta a perda.

A rivalidade unilateral entre Toad e Yoshi ilustra outro sintoma do mesmo mal. Williams nota que essa dinâmica é “largamente abandonada conforme a ação avança”, o que levanta uma questão fundamental: por que introduzir conflitos que não serão desenvolvidos? A resposta provavelmente reside na tentativa de agradar aos fãs do jogo com referências e callbacks, mas isso vem ao custo de uma narrativa coesa. Yoshi, que poderia trazer uma nova dimensão de gameplay visual ao filme, acaba reduzido a um elemento decorativo.

Curiosamente, quem emerge como o núcleo emocional mais consistente é Peach. Sua “jornada de autoconhecimento” oferece algo que o resto do filme luta para entregar: um arco de personagem que parece genuíno e não apenas funcional para mover o enredo. É uma evolução interessante em relação a 2023, onde a princesa já tinha ganhado mais agência do que nos jogos clássicos, e sugere que os roteiristas encontraram nela uma âncora narrativa que Mario — paradoxalmente, o protagonista nominal — não consegue ser.

A divisão entre crítica e público que a Illumination transformou em modelo de negócio

A divisão entre crítica e público que a Illumination transformou em modelo de negócio

Há um dado revelador na história da franquia. ‘Super Mario Bros. O Filme’ (2023) terminou com 59% dos críticos aprovando, mas impressionantes 95% de aprovação do público. A sequência provavelmente seguirá o mesmo caminho: projeções de bilheteria apontam para US$ 180 milhões ou mais nos primeiros cinco dias, uma leve queda em relação aos US$ 204 milhões do filme anterior, mas ainda assim o melhor resultado do ano até agora.

Essa discrepância entre crítica e audiência não é acidental — é um modelo de negócio calculado. A Illumination entendeu algo que estúdios “prestige” frequentemente ignoram: para o público geral, especialmente famílias e fãs de videogame, a experiência cinematográfica não precisa ser narrativamente sofisticada. Basta ser visualmente competente, nostálgica o suficiente para acionar memórias afetivas, e suficientemente curta para não cansar. A crítica, treinada para avaliar estrutura, desenvolvimento de personagens e coesão temática, enxerga os furos. O público, buscando entretenimento puro, muitas vezes nem percebe.

O que muda entre 2023 e 2026 é que a queda de 59% para 44% sugere um desgaste. A fórmula “visual deslumbrante + roteiro funcional + nostalgia abundante” ainda funciona comercialmente, mas os críticos estão menos dispostos a dar passes para problemas que já apontaram no primeiro filme. Peter Debruge, da Variety, resumiu: “A Illumination teve três anos para aprender com as críticas, e decidiu que não precisava mudar nada.”

Um vilão que não convence e um herói que desaparece

Bowser Jr., introduzido como antagonista tentando libertar seu pai da prisão, ilustra outro problema narrativo: a sequência depende do conhecimento prévio do público sobre a mitologia da série, mas não constrói seus vilões com autonomia suficiente para funcionarem por conta própria. Jack Black retornou para dar voz a Bowser, mas o personagem passa boa parte do tempo fora da tela, deixando seu filho carregar um peso que o roteiro nunca lhe dá estrutura para suportar.

Enquanto isso, Mario parece ter se tornado coadjuvante em seu próprio filme. A observação de que ele é “menos um herói de destaque” não é necessariamente um defeito — filmes de elenco podem funcionar magnificamente — mas exige que outros personagens preencham o vácuo deixado. O problema é que Peach é a única que consegue fazer isso de forma satisfatória, enquanto Luigi, Yoshi e os novos personagens orbitam ao redor da trama sem nunca ocupar o centro.

Uma sequência que escolheu escala em vez de evolução

Comparar ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ com seu predecessor de 2023 revela uma tendência preocupante. O primeiro filme era uma promessa — falha em vários aspectos, mas cheia de potencial não realizado. A sequência tinha a oportunidade de corrigir rumo, de demonstrar que a Illumination ouviu as críticas e decidiu evoluir. Em vez disso, escolheu duplicar a aposta no que já funcionava comercialmente: mais espetáculo, mais personagens, mais referências.

Para quem busca uma experiência visual deslumbrante e nostalgia pura, o filme entrega exatamente o que promete. As crianças vão amar, os fãs mais casuais vão se divertir, e a bilhoteca vai confirmar que a fórmula comercial da Illumination permanece imbatível. Mas para quem esperava que a franquia evoluísse de “divertida mas esquecível” para “genuinamente boa”, a queda de 59% para 44% no Rotten Tomatoes é um aviso: três anos não foram suficientes para aprender que mais não é sinônimo de melhor.

Em 2023, escrevi que ‘Super Mario Bros. O Filme’ era um “filme de game competente que nunca arrisca ser memorável”. ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ prova que a Illumination leu essa crítica e decidiu ignorá-la completamente. O resultado é bonito de se olhar, mas vazio de se sentir. E para uma franquia que carrega no nome um dos personagens mais queridos da história dos games, isso é uma pena maior do que qualquer derrota que Bowser já tenha sofrido.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Super Mario Galaxy: O Filme’

Qual a aprovação de ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ no Rotten Tomatoes?

A sequência tem 44% de aprovação no Rotten Tomatoes com 66 avaliações contabilizadas até o momento. É uma queda de 15 pontos percentuais em relação aos 59% do filme de 2023.

Precisa ter visto o filme de 2023 para entender ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

Sim, a sequência assume conhecimento prévio de personagens e situações estabelecidas no primeiro filme. Bowser está preso, Mario e Peach já têm relacionamento estabelecido, e referências ao filme anterior aparecem ao longo da trama.

Quem são os novos personagens em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

Os principais novos personagens são Rosalina (dublada por Brie Larson), os Lumas — as estrelas viventes que a acompanham — e Bowser Jr., filho de Bowser que serve como antagonista principal da sequência.

‘Super Mario Galaxy: O Filme’ é melhor que o primeiro?

Em termos de aprovação crítica, não — caiu de 59% para 44%. Visualmente, a sequência é mais ambiciosa e refinada. Narrativamente, repete os problemas do primeiro filme: roteiro sobrecarregado, personagens subutilizados e falta de desenvolvimento emocional consistente.

Onde assistir ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

O filme estreou nos cinemas em março de 2026. Como produção da Illumination em parceria com a Nintendo, deve chegar à plataforma de streaming (provavelmente Netflix ou Peacock) alguns meses após o lançamento theatrical.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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