Timothy Olyphant deixa de ser recorrente e vira regular na 2ª temporada de ‘Stick’. Analisamos o que muda na série da Apple TV+ e os riscos narrativos de expandir um personagem que funcionava como antagonista.
Timothy Olyphant tem um tipo específico de magnetismo na tela. Não é o carisma convencional do herói clássico — é algo mais instável, uma mistura de ameaça latente e simpatia desarmante que fez dele um dos atores mais interessantes da TV americana contemporânea. Quando a notícia de sua promoção a regular na 2ª temporada de ‘Stick’ chegou, meu interesse foi imediato: Timothy Olyphant deixando de ser recorrente para virar regular não é apenas uma questão de contrato — é uma aposta da produção no que ele pode adicionar à dinâmica da série.
A notícia, confirmada pelo Deadline, é simples: Olyphant e Judy Greer (que interpretou a ex-esposa de Pryce Cahill) agora são regulares. Mas o que isso significa para uma série que, na primeira temporada, funcionou como uma comédia esportiva relativamente leve com Owen Wilson no comando?
Por que a promoção de Timothy Olyphant muda o jogo de ‘Stick’
Para entender o peso dessa decisão, vale olhar o que Olyphant entregou como Clark Ross na primeira temporada. Clark é o antigo rival e parceiro de golfe de Pryce Cahill — um personagem que, nas mãos erradas, seria apenas um obstáculo narrativo genérico. Olyphant, no entanto, trouxe algo mais: uma complexidade que fez com que cada cena dele pedisse mais tempo de tela.
O crítico que assistiu a série com atenção vai notar: há um momento no final da primeira temporada, uma cena entre Clark, Pryce e Santi, onde algo muda. Não é uma redenção completa — longe disso — mas é um lampejo de que Clark pode ser mais do que um antagonista unidimensional. A promoção a regular sugere que os roteiristas perceberam esse potencial e decidiram explorá-lo.
Olyphant tem um histórico de fazer exatamente isso. Em ‘Justified’, ele transformou Raylan Givens de um arquétipo de xerife em um dos personagens mais complexos da TV moderna. Em ‘Deadwood’, Seth Bullock era um homem de lei cuja violência era tão perturbadora quanto a dos criminosos que ele perseguia. Até em ‘Santa Clarita Diet’, um show de zumbis que poderia ser descartável, ele encontrou camadas emocionais genuínas. A pergunta não é se Olyphant consegue elevar o material — é se ‘Stick’ vai lhe dar material suficiente para elevar.
O desafio de expandir um personagem que funciona como obstáculo
Aqui está o risco narrativo que a série assume: Clark Ross foi construído como um antagonista. Ele tem momentos profundamente desagradáveis, como o próprio material de referência admite. Expandir sua presença significa uma de duas coisas: ou a série o redime (o que pode parecer forçado se não for construído com cuidado), ou mantém sua antagonia enquanto o torna mais presente (o que pode desequilibrar o tom de comédia esportiva que a série estabeleceu).
A primeira temporada de ‘Stick’ acertou em ser uma “assistência quase sem esforço”, como descreveu a crítica da ScreenRant. É o tipo de série que você assiste depois de um dia longo, sem precisar de um fluxograma para acompanhar a trama. Mas adicionar um regular que opera em frequência antagonista pode tensionar essa leveza — para melhor ou para pior.
Judy Greer sendo promovida junto com Olyphant é um dado importante. Amber-Linn, a ex-esposa de Pryce, era uma presença que adicionava contexto emocional sem dominar a narrativa. Expandir ambos sugere que a segunda temporada quer aprofundar as relações pessoais em torno de Pryce, não apenas focar na trajetória esportiva de Santi. Isso pode ser uma evolução natural — ou pode ser a série perdendo o que a tornou distintiva.
O momento de Olyphant em 2026: entre ‘Lucky’, Tarantino e ‘Mandalorian’
O ator está em um momento particularmente prolífico. Além de ‘Stick’, ele estrela ‘Lucky’, drama criminal da Apple TV com Anya Taylor-Joy e Annette Bening, que estreia em 15 de julho. Também aparece em ‘The Adventures of Cliff Booth’, a sequência de ‘Era Uma Vez em… Hollywood’ dirigida por David Fincher com Brad Pitt, que lançou trailer durante o Super Bowl LX. E há possibilidade de retorno como Cobb Vanth no filme ‘The Mandalorian and Grogu’, marcado para maio.
Isso significa que Olyphant não precisa de ‘Stick’ — ele está escolhendo fazer parte dele. Para um ator com essa agenda, aceitar um contrato de regular indica que viu algo no material que vale seu tempo. E Olyphant tem histórico de escolhas inteligentes: ele não é o tipo que aceita qualquer projeto para manter relevância.
A pergunta que fica é se ‘Stick’ vai honrar essa escolha. A primeira temporada teve 82% de aprovação no Rotten Tomatoes — um número respeitável para uma comédia esportiva, mas não exatamente um sinal de que a série está pronta para expansões narrativas ambiciosas. Comédias esportivas tendem a funcionar melhor quando mantêm o foco estreito: o underdog, o torneio, a redenção. Adicionar camadas de complexidade relacional pode enriquecer — ou pode diluir o que funcionava.
O que espero da segunda temporada — e o que temo
Vou ser direto: a melhor versão de ‘Stick’ temporada 2 é aquela que usa a promoção de Olyphant para adicionar tensão genuína sem perder a acessibilidade que fez a primeira temporada funcionar. A pior versão é aquela que tenta forçar uma redenção de Clark Ross sem ganhá-la, ou que expande o elenco tão agressivamente que perde o que tornou a série agradável em primeiro lugar.
Olyphant tem a habilidade de fazer funcionar material que seria esquecível em outras mãos. Mas mesmo atores excepcionais precisam de roteiros que lhes deem algo para trabalhar. A primeira temporada sugeriu, naquele momento final com Clark, que há espaço para complexidade. Cabe à segunda temporada confirmar que isso não foi um acidente — foi uma promessa.
Para fãs de Olyphant que ainda não viram ‘Stick’, a notícia da promoção é um incentivo para dar uma chance à primeira temporada. Não é ‘Justified’ — nem tenta ser — mas oferece algo que a TV americana faz cada vez menos: entretenimento competente que não insulta a inteligência do espectador. E com Olyphant agora em papel expandido, pode se tornar algo mais ambicioso.
A segunda temporada de ‘Stick’ ainda não tem data de estreia. Mas a decisão de promover Olyphant e Greer já diz algo: a série quer crescer. Resta ver se esse crescimento é em direção ao que a torna melhor — ou apenas em direção ao que a torna maior.
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Perguntas Frequentes sobre Timothy Olyphant em ‘Stick’
Onde assistir ‘Stick’ com Owen Wilson?
‘Stick’ está disponível exclusivamente na Apple TV+. A primeira temporada foi lançada em 2025 e a segunda temporada ainda não tem data de estreia definida.
Quem Timothy Olyphant interpreta em ‘Stick’?
Timothy Olyphant interpreta Clark Ross, o antigo rival e parceiro de golfe de Pryce Cahill (Owen Wilson). Na primeira temporada era personagem recorrente; na segunda, passa a regular.
Quantos episódios tem a 1ª temporada de ‘Stick’?
A primeira temporada de ‘Stick’ tem 10 episódios, cada um com aproximadamente 30 minutos de duração.
‘Stick’ tem segunda temporada confirmada?
Sim. A Apple TV+ confirmou a renovação para segunda temporada. Timothy Olyphant e Judy Greer foram promovidos a regulares no elenco.
Vale a pena assistir ‘Stick’ para fãs de Timothy Olyphant?
Sim, especialmente após a promoção de Olyphant a regular. A série é uma comédia esportiva leve e competente — não tem a complexidade de ‘Justified’, mas oferece entretenimento de qualidade com bom elenco.

