‘Steal’: Como a nova série de Sophie Turner subverte o gênero de assalto

Em ‘Steal’, Sophie Turner lidera um thriller que subverte as regras do gênero de assalto ao focar inteiramente nas consequências psicológicas e sociais do crime. Analisamos por que a decisão de encerrar o roubo logo no primeiro episódio torna a série do Prime Video um drama de personagem imperdível.

Séries de assalto costumam seguir uma cartilha tão rígida que o espectador quase consegue prever o timing de cada reviravolta: a montagem frenética da equipe, o plano infalível e a execução milimétrica. ‘Steal’, a nova aposta do Prime Video estrelada por Sophie Turner, demonstra conhecer essas regras apenas para ter o prazer de estilhaçá-las logo na primeira hora.

O que a minissérie de seis episódios propõe é uma subversão estrutural: e se o clímax de qualquer outra produção do gênero fosse, aqui, apenas o ponto de partida? Ao encerrar seu primeiro episódio com o roubo bilionário da Lochmill Capital já consumado, ‘Steal’ desloca o foco da adrenalina da execução para a anatomia do colapso moral que vem a seguir.

O fim do assalto é apenas o prólogo

Diferente de ‘La Casa de Papel’, onde a tensão reside no ‘como’, ‘Steal’ se debruça obsessivamente sobre o ‘e agora?’. Sophie Turner interpreta Zara, uma funcionária que transita entre a vulnerabilidade de uma vítima e a ambiguidade de quem sabe demais. A escolha narrativa de S.A. Nikias é corajosa: ao remover o mistério do assalto em si, a série nos obriga a olhar para as fissuras psicológicas dos sobreviventes.

A direção de Sam Miller (‘I May Destroy You’) traz uma sobriedade visual que foge do brilho glamourizado do crime. A câmera é persistente, focando em microexpressões e no desconforto do silêncio, o que eleva ‘Steal’ de um thriller de ação para um estudo de personagem denso e, por vezes, claustrofóbico.

O ‘Efeito Borboleta’ e o peso das consequências

Sophie Turner descreveu a série como uma exploração do ‘efeito borboleta’, e essa tese é visível na forma como o roteiro expande as consequências do roubo. Não estamos falando apenas de dinheiro perdido, mas de fundos de pensão evaporando e o impacto sistêmico que isso gera em famílias comuns. É um toque de realismo social raramente visto em produções de grande orçamento.

Zara não é uma heroína de ação; ela é o centro de um furacão ético. Turner entrega aqui uma atuação contida, muito distante da altivez de Sansa Stark ou da intensidade de Jean Grey. É uma performance construída nos detalhes — um tremor nas mãos, um olhar desviado — que ancora a série quando a trama ameaça se tornar cerebral demais.

Sophie Turner e a construção de um novo arquétipo

É fascinante observar a trajetória de Turner pós-Westeros. Enquanto se prepara para assumir o manto de Lara Croft em ‘Tomb Raider’, ela usa ‘Steal’ para provar que domina o drama de prestígio. Ao lado de Archie Madekwe e Jacob Fortune-Lloyd, o elenco cria uma dinâmica de desconfiança mútua onde ninguém é inteiramente inocente.

Fortune-Lloyd, como o DCI Rhys, evita o clichê do detetive brilhante. Ele é metódico e burocrático, tratando o crime como um quebra-cabeça cujas peças não encaixam porque os envolvidos estão constantemente mudando de forma. Essa caça de gato e rato, focada em interrogatórios e deduções psicológicas, remete ao ritmo cadenciado de clássicos do gênero noir.

Veredito: Vale a pena assistir ‘Steal’?

‘Steal’ chega com todos os seis episódios disponíveis, uma escolha acertada para uma narrativa que se beneficia da imersão contínua. É uma série recomendada para quem busca profundidade narrativa e não se importa com um ritmo mais deliberado e contemplativo.

Se você espera tiroteios e perseguições a cada esquina, talvez se frustre. Mas, se o que você procura é um thriller que respeita a inteligência do espectador e explora as cinzas deixadas por um grande crime, ‘Steal’ é, sem dúvida, uma das estreias mais provocativas de 2026.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre a série ‘Steal’

Onde assistir à série ‘Steal’ com Sophie Turner?

‘Steal’ é uma produção original disponível exclusivamente no Prime Video, com lançamento mundial em 21 de janeiro de 2026.

Quantos episódios tem a série ‘Steal’?

A minissérie é composta por 6 episódios, todos lançados simultaneamente na plataforma de streaming.

‘Steal’ é baseada em uma história real?

Não, a série é uma obra de ficção criada por S.A. Nikias, embora utilize elementos de realismo financeiro e social para fundamentar sua trama de assalto.

Qual é o papel de Sophie Turner em ‘Steal’?

Sophie Turner interpreta Zara, uma funcionária da Lochmill Capital que se vê no centro de uma investigação após um roubo bilionário na empresa onde trabalha.

‘Steal’ terá uma segunda temporada?

Até o momento, ‘Steal’ foi concebida como uma minissérie com história fechada, focando especificamente nas consequências imediatas do assalto apresentado.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também