‘Starfleet Academy’ conecta SAM ao legado de Sisko em DS9

Analisamos como o episódio 5 de ‘Starfleet Academy’ resgata o legado de Benjamin Sisko através de Jake e uma revelação surpreendente sobre a linhagem Dax. Entenda como o uso da voz real de Avery Brooks e referências a ‘Far Beyond the Stars’ elevam SAM ao status de nova Emissária.

Existem momentos em que uma franquia deixa de apenas citar o passado para tentar ganhar o fã pela nostalgia barata e passa a realmente honrá-lo com substância. O Star Trek: Starfleet Academy episódio 5, intitulado ‘Series Acclimation Mil’, é exatamente esse ponto de virada. Não é apenas uma hora de televisão nostálgica; é um diálogo geracional profundo que utiliza o peso de ‘Star Trek: Deep Space Nine’ para fundamentar a identidade de sua protagonista mais complexa até agora: SAM (Kerrice Brooks).

Como alguém que acompanhou a jornada de Benjamin Sisko desde a estreia de ‘Deep Space Nine’ em 1993, ver o retorno de Cirroc Lofton como Jake Sisko após quase três décadas não parece um artifício gratuito. É uma necessidade narrativa. O episódio, escrito por Kirsten Beyer e Tawny Newsome, entende que o conceito de ‘Emissário’ sempre foi um fardo de livre-arbítrio disfarçado de destino. Ao colocar SAM, uma cadete fotônica Kasquiana, para investigar o desaparecimento de Sisko, a série traça um paralelo brilhante entre a programação de uma IA e as profecias dos Profetas de Bajor. Ambos são trilhos que parecem tirar a escolha do indivíduo, até que se aprende a caminhar por eles com voz própria.

Como o episódio 5 resgata Benjamin Sisko sem precisar de CGI

Como o episódio 5 resgata Benjamin Sisko sem precisar de CGI

O grande trunfo deste quinto episódio é como ele lida com a ausência física de Avery Brooks. Em vez de uma recriação digital sem alma ou um substituto, o diretor Larry Teng utiliza a voz do ator de uma forma quase espiritual. A narração final não vem de um arquivo de áudio da série original, mas sim de ‘Here’, um álbum de jazz do próprio Avery Brooks. É uma escolha de uma sensibilidade artística rara no streaming atual. Ouvir Sisko falar sobre como ‘apenas o amor pode interpretar as leis divinas’ enquanto SAM encontra sua própria voz diante de seus Criadores traz um peso emocional que valida todo o arco da personagem.

A presença de Jake Sisko através da projeção de seu romance inédito, ‘Anslem’, serve como a ponte necessária. Jake foi a âncora de humanidade de Benjamin em DS9, e aqui ele desempenha o mesmo papel para SAM. A revelação de que o cenário ‘perde-perde’ pode se tornar um ‘ganha-ganha’ quando se exerce a vontade própria é o que permite que SAM confronte seu Criador (interpretado com uma frieza elegante por Chiwetel Ejiofor). Ela não é mais apenas um experimento Kasquiano; ela é uma Emissária que lidera com empatia, uma lição que Jake aprendeu observando o pai equilibrar o comando de uma estação espacial com a criação de um filho.

Illa Dax: O que a revelação do 32º hospedeiro significa para o cânone

Se o retorno dos Sisko mexe com o coração, a revelação sobre a Professora Illa (Tawny Newsome) mexe com a estrutura da franquia. Ao revelar suas manchas Trill escondidas e o sobrenome Dax, a série nos apresenta ao 32º hospedeiro do simbionte. O fato de Illa ser uma híbrida de Cardassiano e Trill é um detalhe técnico que diz muito sobre o estado da galáxia 800 anos após os eventos de ‘Deep Space Nine’. É a prova viva de que a paz pela qual Sisko lutou gerou frutos de integração biológica e cultural reais.

A escrita de Newsome deixou pistas ao longo de toda a temporada: Illa é a única que possui o manuscrito original de Jake, conhece detalhes íntimos como o uso de tomates no gumbo de Benjamin e, crucialmente, refere-se ao Capitão apenas como ‘Benjamin’. Para quem conhece a dinâmica entre Sisko e as versões Curzon, Jadzia e Ezri do simbionte, esse tratamento de primeiro nome é um sinal de intimidade que apenas um Dax poderia ter. Embora a cronologia de vida de um simbionte possa gerar debates técnicos entre os fãs, a narrativa justifica essa longevidade com a própria natureza do ‘inexplicável’ que Illa ensina na Academia.

Do beisebol à máquina de escrever: O simbolismo no Museu Sisko

Visualmente, o episódio é um deleite de design de produção. A visita virtual de SAM ao Museu Benjamin Sisko é um mergulho na iconografia da era de ouro da franquia. Ver a luva de beisebol, o card de Willie Mays, o Orbe dos Profetas e, especialmente, a máquina de escrever de Benny Russell (do clássico episódio ‘Far Beyond the Stars’) não é apenas decoração. Esses objetos representam a luta de Sisko para manter sua identidade negra e humana enquanto era elevado ao status de divindade por um povo alienígena.

Ao conectar SAM a esses artefatos, ‘Star Trek: Starfleet Academy’ valida a jornada da cadete. Ela, assim como Sisko, está sendo moldada por forças maiores, mas encontra no bar ‘The Academy’ (o antigo ‘The Launching Pad’) o espaço para ser apenas uma jovem em busca de conexão. A mistura de drama existencial com a leveza das subtramas — como o Doutor de Robert Picardo tentando ensinar etiqueta social para chanceleres — mantém o equilíbrio tonal que sempre foi a marca registrada de ‘Star Trek’.

No fim das contas, este quinto episódio prova que a série não está apenas à sombra do passado, mas construindo sobre ele. SAM aceitou ser uma Emissária, mas do seu jeito. Benjamin Sisko ficaria orgulhoso. E nós, que esperamos décadas por esse reconhecimento do legado de DS9 em live-action, finalmente recebemos o tributo que a obra de 1993 merecia.

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Perguntas Frequentes sobre Starfleet Academy Episódio 5

Avery Brooks aparece como Benjamin Sisko no episódio 5?

Não fisicamente. O ator Avery Brooks contribuiu com sua voz para uma narração poética no final do episódio, utilizando trechos de seu álbum de jazz ‘Here’ para dar voz aos pensamentos de Sisko.

Quem é Illa Dax em Starfleet Academy?

Illa (Tawny Newsome) é revelada como a 32ª hospedeira do simbionte Dax. Ela é uma híbrida de Trill e Cardassiano, simbolizando a união das raças séculos após a Guerra do Domínio.

Onde assistir Star Trek: Starfleet Academy?

A série é uma produção original do Paramount+ e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming.

Preciso ter assistido Deep Space Nine para entender o episódio?

Embora a trama principal de SAM seja compreensível, a carga emocional e as revelações sobre Jake Sisko e o simbionte Dax são muito mais impactantes para quem conhece a história de DS9.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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