A contratação de Shawn Levy para ‘Star Wars’ acende um alerta: a obsessão da Disney pela ‘intimidade emocional’ está encolhendo a escala épica da saga. Analisamos por que o estilo de ‘Stranger Things’ pode ser o erro fatal para o misticismo da franquia.
Existe um problema silencioso consumindo ‘Star Wars’ há quase uma década, e a chegada de Shawn Levy pode ser o momento em que ele se torna irreversível. Não é falta de orçamento ou fadiga de franquia. É algo mais fundamental: a galáxia está encolhendo, sufocada por uma obsessão com o ‘relatável’ em detrimento do mitológico.
Quando a Lucasfilm confirmou que o diretor de ‘Stranger Things’ e ‘Deadpool & Wolverine’ assumiria um longa da saga, a reação foi o habitual entusiasmo corporativo: um hitmaker comprovado trazendo ‘intimidade emocional’. Na prática, é o ápice de uma tendência que transforma uma mitologia moderna em mais uma série de drama de prestígio com figurinos caros.
O problema não é o talento de Levy, mas sua assinatura
Vamos ser justos: Levy é um artesão competente da nostalgia. ‘Stranger Things’ funciona porque ele entende a gramática de Spielberg e Amblin — histórias de amadurecimento onde o fantástico é um pano de fundo para traumas juvenis. Mas o erro da Disney é assumir que essa fórmula é universal.
‘Star Wars’ não nasceu para ser uma história de amadurecimento convencional. É space opera pura, baseada no monomito de Joseph Campbell. Jedi não são apenas ‘pessoas com problemas’; são arquétipos. Quando Levy fala em aplicar as lições de Hawkins a uma galáxia muito, muito distante, ele ignora que ‘Stranger Things’ prospera no confinamento de uma cidade pequena, enquanto ‘Star Wars’ morre sem a sensação de infinitude.
A ‘Marvelização’ do íntimo contra a escala épica
Repare na estética dos últimos anos, impulsionada pelo uso excessivo do The Volume (StageCraft). A escala desapareceu. O que antes eram horizontes infinitos em locações na Tunísia ou Noruega, tornaram-se planos fechados em cenários digitais claustrofóbicos. A narrativa seguiu o mesmo caminho: estamos obcecados com backstories de personagens secundários e conflitos de escala reduzida.
A trilogia original não funcionou porque era ‘íntima’ no sentido moderno. Funcionou porque era enorme e sincera. A intimidade de Luke Skywalker emergia da sua pequenez diante de um Império titânico. O contexto épico amplificava o drama pessoal. O ‘Star Wars’ de Shawn Levy corre o risco de inverter essa lógica: o drama pessoal tenta, sem sucesso, fabricar um épico que não tem espaço para respirar.
Por que a nostalgia de Levy é um modelo perigoso
‘Stranger Things’ é um loop de referências que se retroalimenta. ‘Star Wars’ já está preso nesse ciclo. Outro criador que se apoia em callbacks emocionais e ecos de personagens do passado pode ser o prego final no caixão da inovação. Em ‘Deadpool & Wolverine’, Levy provou que sabe manejar o fanservice com maestria, mas ‘Star Wars’ não precisa de uma piscadela para o público a cada dez minutos; precisa de estranheza.
A Força não deveria ser uma metáfora terapêutica para resolver conflitos de pai e filho — embora isso faça parte. Ela deveria ser mística, perigosa e incognoscível. Ao trazer o estilo ‘pé no chão’ de Levy, corre-se o risco de transformar o sagrado em algo mundano.
O que a Lucasfilm ainda não entendeu
O maior erro não é contratar Shawn Levy, mas a busca incessante por ‘segurança criativa’. Fãs não querem histórias menores ou mais ‘humanas’ no sentido restrito. Querem histórias que os façam sentir insignificantes diante da vastidão do universo. Precisamos de diretores que olhem para o vazio do espaço e vejam deuses e monstros, não apenas adolescentes em busca de identidade.
Se ‘Starfighter’ (ou qualquer que seja o título do projeto de Levy) priorizar a ‘jornada emocional’ sobre a construção de um mito que nos ultrapassa, ‘Star Wars’ deixará de ser o evento cultural que definiu gerações para se tornar apenas mais um conteúdo de streaming que esquecemos assim que os créditos sobem.
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Perguntas Frequentes sobre Shawn Levy em Star Wars
Qual será o filme de Star Wars dirigido por Shawn Levy?
O projeto ainda não tem título oficial definitivo, mas é frequentemente referido nos bastidores como um filme focado em novos personagens, separado da Saga Skywalker. Shawn Levy confirmou que o desenvolvimento está ativo após concluir ‘Deadpool & Wolverine’.
Quando estreia o filme de Star Wars de Shawn Levy?
Ainda não há uma data de estreia oficial. Com o calendário da Disney prevendo filmes de Star Wars para 2026 e 2027, o longa de Levy deve chegar aos cinemas apenas após o filme de Rey (Daisy Ridley) e ‘The Mandalorian & Grogu’.
Shawn Levy vai deixar Stranger Things por Star Wars?
Não. Levy já concluiu sua participação na direção de episódios da temporada final de ‘Stranger Things’. Ele se dedicará integralmente ao universo Star Wars após o encerramento da série da Netflix.
O filme de Shawn Levy será para o Disney+ ou cinema?
O projeto foi anunciado como um lançamento cinematográfico de grande orçamento, reforçando a estratégia da Lucasfilm de levar ‘Star Wars’ de volta às telonas com diretores de renome comercial.

