Analisamos o colapso do roadmap de 2023 da Lucasfilm e por que o ambicioso plano para o futuro de Star Wars no cinema falhou. Entenda como a paralisia criativa de Kathleen Kennedy e a sucessão de roteiros descartados transformaram a saga em um cemitério de promessas não cumpridas.
Existe uma cena que se repete na cronologia recente da Lucasfilm: um palco iluminado, uma executiva sorridente, uma plateia de fãs em transe e um punhado de promessas que parecem destinadas a morrer no development hell. Em abril de 2023, no ExCeL Centre de Londres, Kathleen Kennedy subiu ao palco da Star Wars Celebration para anunciar o que seria a ‘retomada’ da franquia. Três filmes, três diretores e três eras distintas. O futuro de Star Wars no cinema parecia, finalmente, ter um norte. Mas, olhando pelo retrovisor em 2026, percebemos que aquele mapa era, na verdade, uma miragem corporativa.
O trauma de ‘A Ascensão Skywalker’ e a paralisia criativa
Para entender por que o plano de 2023 ruiu, precisamos diagnosticar a cicatriz deixada por ‘A Ascensão Skywalker’ (2019). Embora tenha cruzado a marca do bilhão, o filme foi um desastre de relações públicas e coesão narrativa. Ele não encerrou apenas a saga Skywalker; ele instaurou um estado de paranoia criativa na Lucasfilm. O medo de uma nova rejeição transformou o estúdio em um cemitério de projetos de alto perfil.
Entre 2019 e o fatídico anúncio de 2023, vimos a trilogia de Rian Johnson entrar em hiato eterno, os criadores de ‘Game of Thrones’ abandonarem o barco e até Kevin Feige ter seu projeto silenciosamente engavetado. A estratégia de Kennedy tornou-se reativa: anunciar nomes de peso para acalmar investidores, para depois descartá-los diante da menor divergência criativa.
A arquitetura da ilusão: o que foi prometido em Londres
O roadmap de 2023 foi cirúrgico em sua proposta de agradar a todos os nichos do fandom: James Mangold traria o épico bíblico sobre a ‘Aurora dos Jedi’; Dave Filoni unificaria o ‘Mando-verse’ em um evento cinematográfico; e Sharmeen Obaid-Chinoy traria Daisy Ridley de volta como Rey para fundar uma Nova Ordem Jedi. Era o equilíbrio perfeito entre nostalgia e expansão.
A recepção foi elétrica. Como Tom Bacon, do ComicBook.com, observou na época: “Havia uma alegria genuína naquela sala, uma sensação de que a deriva tinha acabado”. O problema é que a Lucasfilm confundiu empolgação de evento com viabilidade de produção. Três anos depois, a realidade é amarga: nenhum desses filmes chegou perto de rodar uma única cena.
O efeito dominó: por que nada saiu do papel?
O projeto da Nova Ordem Jedi (o filme da Rey) tornou-se o exemplo máximo dessa disfunção. O roteiro passou pelas mãos de Damon Lindelof e Justin Britt-Gibson antes de cair no colo de Steven Knight, apenas para estagnar em revisões infinitas. A falta de uma visão clara sobre o que a Ordem Jedi deveria ser em 2026 travou o desenvolvimento. No cinema, momentum é tudo; quando você o perde, o projeto apodrece.
Já o filme de Dave Filoni sofreu uma mutação pragmática. Com a pressão da Disney por lucros imediatos e a saturação do streaming, o que seria um ‘crossover épico’ foi reduzido e remodelado para se tornar ‘The Mandalorian and Grogu’. Em vez de expandir a galáxia, a Lucasfilm optou por reciclar o que já funciona no Disney+, transformando o cinema em um puxadinho da TV.
E James Mangold? O diretor, conhecido por sua eficiência em ‘Logan’, rapidamente percebeu o terreno instável. Enquanto Kennedy descrevia o projeto como “vivo” em entrevistas à Deadline, Mangold já assinava com outros estúdios. Na Hollywood de hoje, um diretor desse calibre não espera três anos por uma luz verde que nunca vem.
O futuro real: menos risco, mais reciclagem
O que restou do futuro de Star Wars no cinema é uma estratégia de sobrevivência, não de inovação. O foco agora é ‘The Mandalorian and Grogu’ (2026) e o projeto de Shawn Levy para 2027. A trilogia recém-anunciada de Simon Kinberg já nasce sob a sombra do ceticismo: será que ele terá o mesmo destino de Benioff e Weiss?
A lição de 2023 é clara: a Lucasfilm tem um problema de compromisso. O estúdio se apaixonou pelo anúncio, mas teme a execução. Como Matt Belloni, do Puck, sintetizou: “Star Wars está em um ciclo perpétuo de recomeços”. Para o fã, o conselho é um só: não se emocione com logotipos em telões. Em uma galáxia governada pelo medo do fracasso, a única certeza é que o trailer é sempre melhor que o plano de negócio.
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Perguntas Frequentes sobre o Futuro de Star Wars
Qual é o próximo filme de Star Wars a ser lançado nos cinemas?
O próximo lançamento confirmado é ‘The Mandalorian and Grogu’, dirigido por Jon Favreau, com previsão de estreia para maio de 2026. Este filme marca o retorno da franquia às telonas após um hiato de sete anos.
O filme da Rey (Daisy Ridley) foi cancelado?
Oficialmente, o projeto ‘New Jedi Order’ não foi cancelado, mas enfrenta sérios problemas de produção e trocas sucessivas de roteiristas. Atualmente, ele não possui uma data de estreia definida e é considerado em ‘estado de pausa’ pela indústria.
Por que tantos diretores abandonam os filmes de Star Wars?
A maioria dos desligamentos é citada como ‘diferenças criativas’. Especialistas apontam que o controle rígido da Lucasfilm e o medo de reações negativas dos fãs dificultam a liberdade autoral de diretores como James Mangold e Rian Johnson.
Haverá uma nova trilogia de Star Wars?
Sim, a Disney anunciou recentemente uma nova trilogia escrita e produzida por Simon Kinberg. No entanto, ainda não há detalhes se será uma continuação da Saga Skywalker (Episódios X, XI e XII) ou uma história totalmente nova.

