‘Star Trek: Enterprise’: por que o ‘fracasso’ da franquia merece sua atenção hoje

Analisamos por que ‘Star Trek: Enterprise’ deixou de ser o fracasso da franquia para se tornar essencial em 2026. Entenda como as temporadas finais e a validação das séries modernas provam que a saga do Capitão Archer vale a pena ser revisitada no streaming.

‘Star Trek: Enterprise’ vale a pena ser revisitada hoje por um motivo simples: o tempo é o melhor editor de cinema e TV. Cancelada em 2005 sob o peso de uma audiência exausta, a série que narra os primeiros passos da humanidade no espaço profundo deixou de ser o ‘patinho feio’ da franquia para se tornar uma peça fundamental de world-building que o streaming finalmente permitiu apreciar sem as pressões da época.

O contexto que condenou a NX-01 antes do lançamento

O contexto que condenou a NX-01 antes do lançamento

Para entender por que a recepção foi tão fria em 2001, precisamos falar sobre fadiga de franquia. A Paramount produzia Star Trek ininterruptamente há 14 anos. Rick Berman e Brannon Braga, os produtores executivos, estavam visivelmente esgotados, e o público também. Somado a isso, a escolha ousada (e polarizadora) de uma música tema com vocais, ‘Faith of the Heart’, sinalizou para os fãs mais puristas que aquela não era a ‘Jornada’ que eles conheciam.

O resultado foi um julgamento precipitado. As duas primeiras temporadas, embora sofressem com roteiros que reciclavam tropos de ‘Voyager’, trouxeram uma estética ‘NASA-punk’ fascinante. A Enterprise NX-01 parecia um submarino apertado, funcional e perigoso — um contraste necessário com o luxo quase hoteleiro da Enterprise-D de Picard.

Manny Coto e a era de ouro que poucos viram

Se você desistiu de ‘Enterprise’ no início, perdeu uma das melhores sequências de episódios de toda a história de Star Trek. Na terceira temporada, a série abandonou o formato episódico pelo arco serializado dos Xindi, uma resposta direta ao clima pós-11 de setembro, injetando uma urgência e escuridão inéditas na tripulação de Jonathan Archer (Scott Bakula).

Mas foi na quarta temporada, sob o comando do falecido Manny Coto, que a série atingiu seu ápice. Coto, um fã fervoroso da Série Clássica, transformou o show em uma prequela de luxo. Arcos como o da Terra Paralela (Mirror Universe), a origem dos Klingons com testas lisas e a fundação da Federação mostraram que ‘Enterprise’ tinha finalmente encontrado seu propósito. Infelizmente, o machado do cancelamento caiu justamente quando a nave tinha alcançado velocidade de dobra máxima.

Por que o ‘Nu Trek’ validou o legado de Archer

Por que o 'Nu Trek' validou o legado de Archer

A ironia final é que as séries modernas, como ‘Discovery’ e ‘Strange New Worlds’, tratam Archer como uma figura quase mítica. A tecnologia rudimentar que os críticos odiavam em 2001 — como o transportador que todos tinham medo de usar ou os ‘grapplers’ magnéticos em vez de raios tratores — hoje é vista como um charme retrô-futurista essencial.

Assistir a ‘Enterprise’ hoje, livre das guerras de audiência da extinta rede UPN, revela um capitão Archer muito mais humano e falível. Bakula interpreta um homem que não tem um manual de regras (a Primeira Diretriz nem existia ainda), forçado a tomar decisões morais impossíveis no escuro. É uma vulnerabilidade que personagens como o Capitão Pike de Anson Mount herdaram com sucesso.

Veredito: Vale a pena o ‘play’ em 2026?

Sim, mas com uma ressalva: ignore o último episódio. ‘These Are the Voyages…’, o finale da quarta temporada, é amplamente odiado por transformar a despedida de Archer em um holoprograma de ‘A Nova Geração’. Se você parar no penúltimo episódio, ‘Terra Prime’, terá uma conclusão digna e emocionante.

Para quem busca entender a cronologia da Federação ou simplesmente quer um sci-fi que equilibra exploração clássica com arcos militares intensos, ‘Star Trek: Enterprise’ não é mais um erro de percurso — é o alicerce que sustenta a expansão atual da franquia.

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Perguntas Frequentes sobre Star Trek: Enterprise

Star Trek: Enterprise vale a pena em 2025/2026?

Sim. Especialmente a partir da 3ª temporada, a série entrega alguns dos melhores arcos narrativos da franquia, explorando a fundação da Federação com um tom mais realista e técnico.

Onde assistir Star Trek: Enterprise?

Atualmente, todas as quatro temporadas estão disponíveis no catálogo da Paramount+ no Brasil, além de estarem presentes em canais dedicados de serviços como Pluto TV.

Por que a série foi cancelada?

O cancelamento em 2005 deveu-se a uma combinação de queda constante na audiência, fadiga do público com a franquia (que estava no ar há 18 anos seguidos) e mudanças na gestão da rede UPN.

Preciso assistir as outras séries antes de Enterprise?

Não necessariamente, já que é uma prequela. No entanto, o conhecimento da Série Clássica e de ‘A Nova Geração’ enriquece muito a experiência da 4ª temporada, que é repleta de referências e explicações de lore.

Quantas temporadas tem Star Trek: Enterprise?

A série possui 4 temporadas, totalizando 98 episódios produzidos entre 2001 e 2005.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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