Analisamos o abismo de 47 pontos no Rotten Tomatoes de ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’. Entenda por que a aposta no drama juvenil divide fãs e críticos, e se a volta de Robert Picardo é suficiente para salvar a identidade da franquia no século 32.
Quando os primeiros episódios de ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’ estrearam no Paramount+ em janeiro de 2026, o Rotten Tomatoes confirmou um fenômeno que se tornou a ‘anomalia espacial’ recorrente da franquia: um abismo de 47 pontos entre a aprovação da crítica (84%) e a recepção do público (37%). Para quem acompanhou a era de Alex Kurtzman desde ‘Discovery’, o cenário não é apenas familiar — é um sintoma de uma crise de identidade que nem a volta de Robert Picardo parece capaz de curar.
A ‘Maldição de Kurtzman’: Por que o consenso é impossível?
O padrão é matemático. ‘Discovery’ manteve médias críticas elevadas enquanto o audience score despencava para 21% em sua quarta temporada. O problema de ‘Academia da Frota Estelar’ é que ela herda não apenas a linha do tempo de ‘Discovery’ (o século 32), mas também sua filosofia narrativa. Enquanto os críticos profissionais celebram a ‘revitalização’ e o ‘otimismo inclusivo’, os fãs veteranos enxergam a ‘CW-ficação’ de um universo que costumava ser sobre diplomacia e ética, não sobre angústia adolescente.
A série, comandada por Noga Landau e Gaia Violo, tenta equilibrar o peso dramático de Holly Hunter (como a Reitora) com uma turma de cadetes que parece ter saído de um drama de ensino médio contemporâneo. O resultado é um choque térmico tonal: de um lado, a gravidade de uma Frota Estelar tentando se reconstruir; do outro, triângulos amorosos e diálogos que priorizam o ‘sentir’ sobre o ‘pensar’.
O fator Robert Picardo e a nostalgia como isca
A presença de Picardo, reprisando seu papel icônico como o Doutor (EMH) de ‘Voyager’, é o maior elemento de E-E-A-T (Experiência, Especialidade, Autoridade e Confiança) da série. É uma escolha técnica brilhante: o Doutor é um holograma, o que justifica sua aparência após décadas, e ele traz o cinismo intelectual que falta ao novo elenco. No entanto, usar um pilar da era Rick Berman em uma série que rejeita a estrutura episódica e filosófica daquela época soa, para muitos fãs, como uma tentativa cínica de validar um produto que eles não reconhecem.
Diferente de ‘Strange New Worlds’, que acertou ao abraçar o formato ‘missão da semana’ com cores vibrantes e otimismo clássico, ‘Academia’ insiste em uma narrativa serializada onde os riscos emocionais dos jovens cadetes muitas vezes eclipsam os riscos galácticos. Para a crítica, isso é ‘desenvolvimento de personagem’; para o fã que cresceu com Picard e Sisko, é apenas ruído.
Star Trek como ‘Fast Food’ vs. Banquete Filosófico
A estratégia da Paramount é clara: segmentar para sobreviver. Temos ‘Lower Decks’ para a comédia, ‘Prodigy’ para as crianças e agora ‘Academia’ para o público Young Adult (YA). O erro dessa lógica é ignorar que Star Trek sempre foi uma franquia unificadora. Ao tentar ser ‘tudo para todos’, a marca acaba diluindo o que a tornava especial: a exploração do desconhecido como espelho para dilemas morais da humanidade.
Em ‘Academia da Frota Estelar’, a fotografia de tons pastéis e a montagem ágil substituem o ritmo deliberado e os enquadramentos estáticos que permitiam ao espectador absorver o tecnobabbler e a filosofia. O conflito não é mais sobre como a Primeira Diretriz se aplica a uma civilização pré-dobra, mas sobre como um cadete se sente em relação ao seu lugar no universo. É uma mudança de perspectiva que a crítica aplaude como ‘necessária para a modernização’, mas que o público rejeita como uma perda de DNA.
Veredito: Uma série em busca de uma base
Com novos episódios chegando às quintas-feiras, ‘Academia da Frota Estelar’ tem um longo caminho para provar que é mais do que um spin-off de nicho. Se a série não conseguir elevar o nível das discussões para além do drama juvenil, ela corre o risco de se tornar apenas mais um dado estatístico no abismo entre quem escreve sobre cinema e quem realmente consome a obra. Por enquanto, a lição é clara: nem todo o otimismo do século 32 consegue esconder o fato de que a franquia está perdendo sua bússola moral em favor de algoritmos de audiência jovem.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’
Onde ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’ se encaixa na linha do tempo?
A série se passa no século 32, o futuro mais distante já explorado na franquia, o mesmo período das últimas temporadas de ‘Star Trek: Discovery’.
Robert Picardo interpreta o mesmo personagem de ‘Voyager’?
Sim, Picardo retorna como o Doutor (Holograma Médico de Emergência), servindo como uma ponte entre a era clássica e o novo elenco de cadetes.
Preciso ter assistido ‘Star Trek: Discovery’ para entender a nova série?
Embora compartilhem o mesmo universo e contexto histórico (a reconstrução da Federação), a série foi desenhada para ser um ponto de entrada para novos espectadores, focando em personagens inéditos.
Qual é a classificação indicativa de ‘Starfleet Academy’?
A série tem um tom mais juvenil (Young Adult), mas mantém a classificação de 12 a 14 anos, focando em dilemas de amadurecimento e ação de ficção científica moderada.
Onde assistir à série no Brasil?
‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’ é uma produção original disponível exclusivamente no serviço de streaming Paramount+.

