Analisamos a mudança drástica de postura de Chris Pine sobre ‘Star Trek 4’ e o que o novo projeto da Paramount significa para o futuro da franquia. Entenda por que o ator sinalizou o fim de sua jornada como Capitão Kirk e os bastidores do limbo criativo que paralisou a Kelvin Timeline.
No cinema, o silêncio e a evasiva costumam ser mais barulhentos do que qualquer anúncio oficial. Quando Chris Pine foi questionado no Festival de Sundance sobre o status de ‘Star Trek 4’ e respondeu com um seco “você provavelmente sabe mais do que eu”, a mensagem para os fãs da Kelvin Timeline foi cristalina: o Capitão Kirk cansou de esperar pelo chamado da Frota Estelar.
O contraste é gritante quando olhamos para as declarações do ator em 2024. Naquele momento, Pine demonstrava um entusiasmo quase juvenil, teorizando sobre como seria interessante interpretar um Kirk mais velho, mais cínico e marcado pelas cicatrizes do comando. Agora, o tom mudou para uma resignação polida. O “boa sorte” que ele desejou à franquia soa menos como um incentivo e mais como um adeus definitivo de quem já desocupou o armário no set.
O Triângulo das Bermudas da Paramount: Por que o filme nunca decola?
Para entender o pessimismo de Pine, precisamos olhar para o rastro de destruição deixado pela pré-produção de ‘Star Trek 4’ nos últimos nove anos. Desde o lançamento de ‘Star Trek: Sem Fronteiras’ (2016), o projeto tornou-se um estudo de caso sobre development hell em Hollywood. O filme já esteve nas mãos de S.J. Clarkson (que seria a primeira mulher a dirigir um longa da franquia), passou por Noah Hawley e chegou a ter Matt Shakman confirmado — até que ele abandonou a ponte de comando para dirigir ‘Quarteto Fantástico’ na Marvel.
Além da dança das cadeiras na direção, houve o fatídico impasse salarial de 2018, quando Pine e Chris Hemsworth (que retornaria como o pai de Kirk em uma trama de viagem no tempo) abandonaram as negociações devido a cortes no orçamento. Embora tenham retornado à mesa anos depois, o momentum se perdeu. A morte trágica de Anton Yelchin, o Chekov, também deixou um buraco emocional e narrativo que a produção nunca pareceu saber como preencher com elegância.
A ironia de Dungeons & Dragons e o novo rumo da franquia
Há uma ironia amarga no anúncio mais recente da Paramount. O estúdio confirmou um novo filme de ‘Star Trek’ escrito por Jonathan Goldstein e John Francis Daley. A dupla é a mesma que dirigiu Pine no excelente ‘Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes’, provando que possuem a química perfeita com o ator para aventuras de grupo que equilibram humor e coração.
No entanto, este novo projeto é descrito como uma história de origem, um reboot do reboot que deve se passar décadas antes do filme de 2009 de J.J. Abrams. Ao optar por retroceder no tempo com novos rostos, a Paramount sinaliza que a tripulação de Pine, Zachary Quinto e Zoe Saldaña tornou-se “cara demais e velha demais” para os planos de longo prazo do estúdio. O foco agora é expandir o universo de forma mais barata e controlada, sem os contratos estelares de um elenco que hoje domina grandes franquias.
O legado da Kelvin Timeline: Uma jornada incompleta
A Kelvin Timeline cumpriu um papel vital: provou que ‘Star Trek’ poderia ser um blockbuster de verão moderno sem perder a essência humanista de Gene Roddenberry. Pine entregou um Kirk que não era uma imitação de William Shatner, mas uma evolução — um líder que aprendia a importância do sacrifício e da diplomacia através da impulsividade.
Como Zachary Quinto (Spock) mencionou recentemente, o elenco original da série clássica continuou fazendo filmes até os 60 anos. O potencial para histórias de uma tripulação madura na Enterprise era imenso. Mas, no atual cenário de Hollywood, onde o lucro imediato dita o ritmo, a paciência da Paramount acabou antes da criatividade dos atores. Pine parece ter aceito que sua versão de James T. Kirk ficará eternizada como uma trilogia sólida, mas com um capítulo final que só existirá na imaginação dos fãs. Vida longa e próspera, Capitão — o cinema sentirá falta desse comando.
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Perguntas Frequentes sobre Star Trek 4 e Chris Pine
Chris Pine confirmou que saiu de Star Trek 4?
Não houve um anúncio oficial de saída, mas em entrevistas recentes (Sundance 2025), o ator demonstrou total desconhecimento sobre o projeto e um tom pessimista, sugerindo que não espera mais retornar ao papel de Capitão Kirk.
Por que Star Trek 4 está demorando tanto?
O filme sofreu com sucessivas trocas de diretores (S.J. Clarkson, Noah Hawley, Matt Shakman) e impasses salariais com o elenco principal em 2018. Atualmente, a Paramount priorizou outros projetos da franquia.
Haverá um novo filme de Star Trek sem o elenco original?
Sim. A Paramount confirmou um novo filme de origem escrito por Jonathan Goldstein e John Francis Daley, que deve se passar anos antes dos eventos do filme de 2009, provavelmente com um novo elenco.
Onde assistir aos filmes da trilogia Kelvin de Star Trek?
Atualmente, ‘Star Trek’ (2009), ‘Além da Escuridão: Star Trek’ (2013) e ‘Star Trek: Sem Fronteiras’ (2016) estão disponíveis no catálogo do Paramount+ e para aluguel em plataformas digitais.

