O episódio de Colman Domingo em SNL marca o ponto mais baixo de uma temporada 50 consistente. Analisamos por que o material falhou um host talentoso e quais sketches — incluindo a imitação de Melania por Chloe Fineman — salvaram a noite.
Existem temporadas de ‘Saturday Night Live’ que parecem montanha-russa — altos extremos seguidos de baixos abissais. A temporada 50 não é uma delas. Durante meses, o show entregou consistência rara, episódio após episódio funcionando como relógio suíço. Até chegar Colman Domingo.
O ator, excelente em ‘Rustin’ e presença magnética em praticamente qualquer coisa que faz, parecia o host perfeito: carisma para sobrar, timing cômico provado, aquela energia de ‘estou me divertindo’ que costuma contagiar o estúdio 8H. Só que algo deu errado. Não catastrófico, não constrangedor — pior que isso: esquecível.
Quando a temporada brilha e o episódio apaga
Para entender a decepção, precisa contextualizar. Estamos falando de uma temporada que começou com tudo. Episódios fortes consecutivos, sketches que viralizaram, um elenco que finalmente encontrou seu ritmo depois dos ajustes pós-pandemia. O padrão de qualidade estava alto — talvez alto demais para um show que, por definição, vive de inconsistência.
O problema de um episódio fraco em uma temporada forte não é o episódio em si. É o contraste. Se isto tivesse ocorrido em 2021, quando o show tentava descobrir como funcionar com elenco reduzido e piadas sobre lockdown, passaria batido. Em 2026, depois de meses de acertos, o baque é real.
Domingo não é um host ruim. O cara tem presença, sabe vender uma piada, não parece perdido nos cenários mal-iluminados do Estúdio 8H. Mas o material falhou ele. E em SNL, material fraco é sentença de morte — não importa quem esteja no palco.
Os raros acertos: Melania e um professor de moda
Não foi tudo ruim. O Cold Open provou que, quando a política americana oferece material, o show ainda sabe capitalizar. James Austin Johnson como Trump tentando escrever um post sobre Irã nas redes sociais é o tipo de piada que funciona porque a realidade já é absurda suficiente — só precisa ser espelhada.
A sacada do sketch veio com a entrada de Chloe Fineman como Melania Trump. A imitação pega não pelo exagero, mas pelo detalhe específico: o olhar vago, as pausas mal calculadas, a sensação de que ela está presente no corpo mas ausente em todo o resto. Quando o sketch desvia para Jeffrey Epstein, o desconfortável se torna cômico — o tipo de humor que SNL fazia melhor nos anos 90 e raramente acerta hoje.
O outro destaque da noite veio de um lugar inesperado: um sketch sobre testemunhas de crime. A premissa — um professor de moda (Domingo) e seus alunos sendo entrevistados sobre um assalto a banco nas proximidades — deveria funcionar como filler de cinco minutos. Funcionou como o melhor momento do episódio.
O segredo foi o compromisso com o absurdo. Os alunos respondendo perguntas sobre o suspeito com superficialidade ofensante, o professor tentando manter a dignidade enquanto claramente não se importa, a repórter (Ashley Padilla) perdendo a paciência em tempo real. É comédia de personagem clássica, do tipo que não precisa de punchline óbvia porque a situação já é a piada. Domingo se destaca aqui, finalmente encontrado um personagem que merece seu talento.
Weekend Update e a maldição da repetição
Se existe um termômetro da saúde do SNL, é o Weekend Update. Quando funciona, o resto do episódio perdoa. Quando falha, a mediocridade se espalha.
Colin Jost e Michael Che estão na mesa há tanto tempo que desenvolveram um problema curioso: piadas sobre as mesmas pessoas, com as mesmas estruturas, há anos. Trump, políticos obscuros, celebridades em queda — o rolê é conhecido. Não que não haja risadas, há. Mas são risadas de reconhecimento, não de surpresa.
O momento mais interessante da noite veio de um tiro curioso: Jost inventou um post falso de Trump, leu para a plateia, e depois revelou que era mentira — rindo do fato de que todos acreditaram. É meta-humor, quebra de quarta parede, o tipo de coisa que deveria cansar mas funcionou porque expôs algo verdadeiro sobre como consumimos informação em 2026. Um lampejo de genialidade em meio à fórmula.
O sketch que não deveria ter saído do papel
Todo episódio de SNL tem aquele sketch que faz você se perguntar: ‘Alguém riu disso na leitura de mesa?’. O episódio de Domingo teve o seu: uma paródia de ‘Animorphs: A Invasão’.
A premissa inicial até funciona — crianças se transformando em animais para lutar contra alienígenas, com uma personagem (Sarah Sherman) ficando presa no meio da transformação, metade humana, metade sapo. O problema é o que acontece depois: o sketch decide que humor de peido e arroto é suficiente para sustentar quatro minutos.
Não é questão de ser ‘grosseiro demais’. SNL sempre fez humor escatológico. A questão é que aqui, o nojento substitui a piada em vez de complementá-la. Sherman é comediante talentosa, capaz de humor desconfortável que funciona (suas aparições no Update são prova disso). Mas dar a ela um personagem cuja função é soltar flatulências enquanto está presa em forma de anfíbio é desperdício de elenco — e de tempo do espectador.
Veredito: um tropeço em ano de acertos
Classificar este episódio como ‘ruim’ seria injusto. ‘Abaixo da média’ é mais preciso. Em outra temporada, passaria como mais uma noite irregular de um show que vive de irregularidades. Em 2026, após meses de qualidade consistente, a queda é perceptível.
Para Domingo, fica a sensação de oportunidade perdida. O ator tem tudo para ser um host memorável — a presença, a versatilidade, a vontade clara de se jogar na comédia. Mas o material não serviu. E em SNL, um host é tão bom quanto o que os roteiristas colocam em suas mãos.
Se você pulou este episódio, não perdeu nada essencial. Se assistiu e sentiu que algo faltou, não estava sozinho. A boa notícia? A temporada segue forte, e um episódio fraco não apaga meses de acertos. A má? Serve de lembrete: mesmo em ano de altos voos, o SNL ainda pode tropeçar.
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Perguntas Frequentes sobre o episódio de Colman Domingo em SNL
Qual episódio da temporada 50 de SNL é o mais fraco até agora?
O episódio apresentado por Colman Domingo é considerado o mais fraco da temporada 50 até o momento. A crítica aponta material abaixo da média como principal motivo, apesar do talento do host.
Quais os melhores momentos do episódio SNL Colman Domingo?
Os destaques são o Cold Open com James Austin Johnson como Trump e Chloe Fineman como Melania, e o sketch do professor de moda com Domingo e Ashley Padilla como testemunhas de crime.
Quem é Colman Domingo?
Colman Domingo é ator indicado ao Oscar por ‘Rustin’ (2023). Conhecido por papéis em ‘Euphoria’, ‘Fear the Walking Dead’ e filmes como ‘The Color Purple’, tem presença magnética e timing cômico provado em trabalhos anteriores.
Vale a pena assistir ao episódio de Colman Domingo em SNL?
Se você é fã de Domingo ou quer ver a imitação de Melania por Chloe Fineman, vale pelo Cold Open e pelo sketch do professor de moda. Caso contrário, não é um episódio essencial da temporada.

