Analisamos a reprise do episódio de Miles Teller no SNL: do brilho técnico de Bowen Yang como George Santos ao polêmico humor de choque do sketch Nashville Predators. Descubra por que este episódio funciona melhor como cápsula do tempo do que como entretenimento ao vivo.
Existe uma categoria específica de episódios do ‘Saturday Night Live’ que envelhece melhor na reprise do que na exibição ao vivo. O especial de Halloween de 2025, apresentado por Miles Teller, é o exemplo perfeito dessa dinâmica. Quando o programa foi reexibido agora, no início de 2026, ficou claro que o que parecia ‘caótico’ na época era, na verdade, um retrato preciso de um programa tentando equilibrar o viral instantâneo com a sátira de formato.
Bowen Yang como George Santos: a anatomia da mentira
Se este episódio for lembrado por algo daqui a cinco anos, será pela performance de Bowen Yang no Weekend Update. O que Yang entrega não é uma imitação caricata de George Santos; é um estudo sobre a psicologia da audácia. Ele captura o ex-congressista não pelo sotaque, mas pela tranquilidade absoluta ao proferir absurdos — como a afirmação de que ele ‘venceu a World Series sozinho’ ou que ‘estava apresentando o SNL naquele exato momento’.
A genialidade técnica aqui reside no contraste. Enquanto Colin Jost e Michael Che mantêm uma postura de incredulidade contida, Yang expande o personagem através de micro-expressões de autoconfiança inabalável. É o humor do desconforto elevado ao estado de arte, onde o riso vem da percepção de que a realidade política muitas vezes já ultrapassou a paródia.
O limite do choque: o polêmico sketch do Nashville Predators
O momento mais divisivo da noite foi, sem dúvida, o PSA (Anúncio de Serviço Público) dos jogadores de hockey. A premissa utiliza o nome do time Nashville Predators para criar um duplo sentido agressivo sobre ‘predadores na comunidade’. Miles Teller interpreta o jogador que, com uma seriedade imperturbável, lê frases sobre ‘fazer as crianças se sentirem tocadas’ em visitas a hospitais.
Funciona? Como exercício de shock humor, sim. Mas como peça de comédia estruturada, o sketch sofre da falta de ‘escada’. A piada é a mesma do primeiro ao quarto minuto. O que salva o segmento de ser um desastre total é a reação meta-narrativa de Ashley Padilla e Andrew Dismukes como os diretores do comercial, que parecem simbolizar a própria hesitação da audiência em rir de um tema tão espinhoso.
‘Gone Without A Trace’: a perfeição estética da paródia Netflix
Onde o episódio realmente brilha é na sátira de formato. ‘Gone Without A Trace’ é uma paródia cirúrgica dos documentários de true crime da Netflix. O SNL demonstra domínio total da linguagem visual do streaming: os closes dramáticos em 4K, a trilha sonora de sintetizadores tensos e o ritmo de edição que sugere um crime onde só existe negligência doméstica.
Ver Kenan Thompson e Miles Teller interpretando maridos que acreditam que suas esposas foram sequestradas — quando elas apenas foram ao supermercado ou estão em outra sala — funciona porque a sátira não é sobre os homens, mas sobre como o consumo desenfreado de true crime distorce nossa percepção da realidade. É o sketch mais inteligente e bem produzido do bloco.
Miles Teller: o ‘Straight Man’ necessário
Sobre a performance de Miles Teller como host, é preciso notar sua precisão técnica. Teller não tenta roubar a cena ou criar personagens excêntricos; ele atua como o ‘âncora’ (o straight man) que permite ao elenco fixo brilhar. Sua experiência em dramas como ‘Whiplash’ e grandes produções como ‘Top Gun: Maverick’ transparece em seu timing impecável e na facilidade com que ele navega pelo caos físico do estúdio.
No sketch do estúdio de notícias reformado — uma peça de comédia física coreografada onde tudo dá errado ao fundo — Teller é essencial. Sua capacidade de manter a seriedade enquanto o cenário literalmente desmorona atrás dele é o que torna a bagunça engraçada. Ele pode não ser o host mais carismático da história, mas é um dos mais confiáveis.
Veredito: o SNL na era do consumo fragmentado
Revisitando este episódio em 2026, a conclusão é que o SNL de meados desta década desistiu de ser um programa coeso para se tornar uma fábrica de clipes. Há momentos de brilho absoluto (Yang), experimentos arriscados (Predators) e competência técnica (True Crime). Para quem assiste à reprise, o conselho é claro: pule os intervalos e as transições musicais. O ouro está nos detalhes da paródia e na coragem de ser estranho.
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Perguntas Frequentes sobre SNL e Miles Teller
Onde posso assistir ao episódio do SNL com Miles Teller?
No Brasil, os episódios do Saturday Night Live estão disponíveis no catálogo do Globoplay. Clipes específicos dos sketches, como o de George Santos, podem ser encontrados no canal oficial do SNL no YouTube.
Quem foi a atração musical deste episódio?
O episódio de Halloween de 2025 contou com Kendrick Lamar como convidado musical, apresentando faixas de seu álbum mais recente em performances visualmente minimalistas.
O sketch do ‘Nashville Predators’ foi censurado?
Não houve censura oficial, mas o sketch gerou debate intenso nas redes sociais devido ao tema sensível. Na reprise de 2026, o segmento permanece intacto, servindo como exemplo do humor de risco do programa.
Miles Teller já apresentou o SNL outras vezes?
Sim, Miles Teller fez sua estreia como host na abertura da 48ª temporada em 2022. O episódio de 2025 marca seu retorno ao palco do Studio 8H.

