Analisamos por que ‘Skyscraper Live’ na Netflix foi um triunfo de Alex Honnold, mas um fracasso de produção. Entenda como o excesso de narração e erros de direção quase sufocaram a tensão de um dos feitos mais perigosos da história do streaming.
Vou ser direto: ‘Skyscraper Live’ Netflix deveria ter sido o evento de streaming mais tenso da década. Um homem escalando um dos prédios mais icônicos do mundo sem cordas, ao vivo, para milhões de pessoas. A receita para o sucesso estava pronta. E, mesmo assim, a Netflix conseguiu a proeza de transformar um feito histórico em uma experiência profundamente frustrante de assistir.
No último sábado, Alex Honnold — o escalador que parou o mundo em ‘Free Solo’ — subiu os 508 metros do Taipei 101 usando apenas as mãos e um saco de magnésio. O problema? A produção da Netflix parecia mais interessada em si mesma, em gráficos coloridos e em preencher o silêncio do que no homem arriscando a vida a centenas de metros de altura.
O ruído da Netflix: por que três narradores mataram o silêncio necessário
A maioria dos jogos da NFL sobrevive com dois narradores. ‘Skyscraper Live’ tinha três. E todos pareciam competir por cada segundo de áudio disponível. Existe uma tensão natural, quase primitiva, em assistir alguém em perigo real. Seu corpo reage: as mãos suam, a respiração trava. Mas isso só funciona quando você está imerso no momento — quando ouve o vento cortante de Taipei, o atrito do magnésio no vidro ou a respiração pesada de Honnold.
A Netflix substituiu essa imersão por comentários incessantes que mais pareciam preenchimento de espaço do que análise técnica. O resultado foi a quebra constante do fluxo narrativo. Honnold estava em um momento crítico de transição entre os painéis? Os narradores estavam ocupados demais explicando que ‘é muito alto lá em cima’. Sim, nós sabemos. Estamos vendo.
O erro de direção: quando o marketing ocupou o lugar do risco real
Houve um momento que resume perfeitamente a desconexão da produção. Em um dos trechos mais técnicos da escalada, a tela foi dominada por um vídeo pré-gravado de Elle Duncan, da ESPN, tentando escalar uma réplica do Taipei 101 — com equipamento de segurança completo e instrutores. Enquanto isso, Honnold, o cara que estava de fato desafiando a gravidade naquele exato momento, foi reduzido a uma janelinha de picture-in-picture no canto da tela.
Essa decisão editorial revela uma falta de confiança no próprio evento. O nome do programa é ‘Skyscraper Live’. A palavra ‘Live’ (ao vivo) é a proposta de valor. Priorizar um segmento gravado de entretenimento genérico sobre a transmissão em tempo real de um feito que poderia terminar em tragédia é, no mínimo, um amadorismo de direção que não condiz com o orçamento da plataforma.
A lição que ‘Free Solo’ já tinha ensinado (e a Netflix ignorou)
O documentário ‘Free Solo’, vencedor do Oscar, entendeu algo fundamental: o silêncio é a trilha sonora do medo. Quando Honnold escalou o El Capitan, a câmera estava lá, perto, capturando micro-expressões e a precisão milimétrica dos dedos. Em ‘Skyscraper Live’, a Netflix abusou de planos abertos onde Honnold era apenas um ponto imperceptível na fachada do prédio, intercalando com entrevistas irrelevantes com espectadores no chão.
O mais irônico? Honnold estava ouvindo música nos fones durante a subida. Imagina se, em vez de três narradores, a transmissão tivesse nos dado o áudio ambiente de Taipei ou a própria playlist que o escalador escolheu para encarar a morte. Teria sido épico. Em vez disso, tivemos uma estrutura de reality show aplicada a um evento que exigia respeito e sobriedade.
A questão financeira: o valor ‘vergonhoso’ do risco
Além dos erros técnicos, há o fator humano nos bastidores. Segundo relatos do próprio Honnold após o evento, o valor que ele recebeu da Netflix foi descrito por ele como ‘embaraçoso’. Embora Honnold seja conhecido por seu estilo de vida minimalista e por doar grande parte de seus ganhos para sua fundação de energia solar, a revelação deixa um gosto amargo.
A Netflix é uma gigante que monetiza o engajamento extremo. ‘Skyscraper Live’ dominou as conversas nas redes sociais. Pagar uma quantia que o próprio protagonista considera vergonhosa por um ato onde o erro significa a morte levanta questões éticas sobre como o entretenimento moderno valoriza o risco real.
Veredito: o feito de Honnold sobrevive à produção
Apesar de todos os tropeços, ‘Skyscraper Live’ ainda é um documento visual impressionante. O feito de Honnold é tão grandioso que nem mesmo a direção confusa da Netflix conseguiu apagar o impacto de vê-lo atingir o topo do Taipei 101. No entanto, fica a lição: quando você tem algo genuinamente extraordinário acontecendo, sua função como plataforma é capturar a realidade, não tentar competir com ela. A Netflix tratou um evento histórico como se fosse um episódio de ‘Brincando com Fogo’, e Alex Honnold merecia mais do que isso.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Skyscraper Live’
Alex Honnold usou cordas em ‘Skyscraper Live’?
Não. Honnold realizou a escalada no estilo ‘free solo’, o que significa que ele não utilizou cordas, arneses ou qualquer equipamento de segurança. Apenas suas mãos e pó de magnésio.
Qual é a altura do prédio que ele escalou?
Honnold escalou o Taipei 101, em Taiwan, que tem 508 metros de altura. Foi um dos prédios mais altos do mundo a ser escalado sem equipamentos.
O evento ‘Skyscraper Live’ foi realmente ao vivo?
Sim, a transmissão foi ao vivo na Netflix em 24 de janeiro de 2026. No entanto, a produção incluiu diversos segmentos pré-gravados durante a subida, o que gerou críticas do público.
Onde posso assistir ‘Skyscraper Live’ agora?
O evento completo está disponível no catálogo da Netflix. Você pode assistir tanto à transmissão original quanto aos destaques da escalada.
Honnold se machucou durante a escalada?
Não, Alex Honnold completou a subida com sucesso e sem ferimentos, atingindo o topo do Taipei 101 dentro do tempo previsto pela produção.

