Rankeamos os 12 filmes de ‘Sexta-Feira 13’ do mais assustador ao mais bizarro — porque qualidade cinematográfica nunca foi o ponto desta franquia. Descubra onde Jason ainda dá sustos genuínos e onde vira comédia espacial.
Existe um fenômeno curioso em franquias de terror de longa data: o vilão que começa como pesadelo puro acaba virando protagonista simpático. Jason Voorhees é o caso mais extremo disso. Em 12 filmes ao longo de quatro décadas, o assassino de Crystal Lake passou de presença aterrorizante a Sexta-Feira 13 filmes que funcionam quase como comédia não-intencional. A pergunta que ninguém faz é: em que momento exatamente isso aconteceu?
Assisti a todos os filmes da franquia pela primeira vez num festival de terror em 2014, maratona que terminou às 6h da manhã comigo questionando minhas escolhas de vida. Revi vários desde então, e posso garantir: a distância entre o puro horror do original e o absurdo espacial de ‘Jason X’ não é gradual — é um abismo que a franquia atravessa em saltos irracionais.
Por que ‘assustador vs. bizarro’ é o único jeito honesto de avaliar esta franquia
A maioria dos rankings de ‘Sexta-Feira 13’ ordena por “qualidade cinematográfica” — critério quase irrelevante para uma franquia que nunca se preocupou com isso. O que importa é: qual filme cumpre a promessa de te deixar desconfortável? Qual te faz rir de algo que não deveria ser engraçado? E qual falha nos dois?
Este ranking não é sobre “melhor” ou “pior”. É sobre o espectro entre terror genuíno e curiosidade bizarra — e como a franquia perdeu a noção de onde começa um e termina o outro.
1. ‘Sexta-Feira 13: The Final Chapter’ (1984) — O pico do horror
O título mente: não era para ser o capítulo final, mas é onde a franquia alcançou seu momento de puro terror. Jason desperta no hospital e segue para uma casa isolada onde adolescentes estão se divertindo. Sim, é a premissa de TODOS os filmes da série. A diferença está na execução.
O valor de produção subiu aqui. Os kills são mais elaborados, a tensão mais bem construída. Mas o que eleva ‘The Final Chapter’ é o clímax com Tommy Jarvis — criança que raspa a cabeça para se parecer com Jason e depois hackeia o corpo do vilão com uma frieza que nenhum adulto na franquia demonstrou. Ver uma criança cometendo assassinato frio enquanto a trilha sonora enche de dissonâncias é desconfortável do jeito que terror deveria ser.
É o momento em que ‘Sexta-Feira 13’ quase transcendeu o slasher genérico para se tornar algo mais perturbador. Quase.
2. ‘Sexta-Feira 13’ (1980) — O original que joga sujo
Assistir o primeiro filme hoje requer ajuste de expectativa. O Jason mascarado não existe aqui — ele aparece apenas num flashforward final. O assassino é Pamela Voorhees, mãe buscando vingança pelo filho que morreu afogado por negligência de monitores.
O twist funciona porque o filme nunca te dá pistas óbvias. Você vê mortes acontecendo de ponto de vista subjetivo, sempre se perguntando “quem é esse assassino?”. A revelação de que é uma mulher de meia-idade, aparentemente gentil, que se alterna entre personalidade doce e psicótica — é um choque genuíno.
E o final. Alice, sobrevivente, flutuando num caque no lago, acreditando que acabou. O corpo decomposto de Jason emerge e a arrasta para baixo. Não existe contexto lógico — Jason deveria estar morto há anos. É puro pesadelo, a encarnação de um trauma que se recusa a morrer. Os filmes posteriores tentaram explicar Jason, racionalizar sua imortalidade. O original sabia que inexplicável é mais assustador.
3. ‘Sexta-Feira 13 – Parte 2’ (1981) — Jason nasce como pesadelo
Este é o filme que estabelece tudo que associamos à franquia. Pamela Voorhees morreu no final do original, mas Jason não — ele cresceu na floresta, observando, esperando. Quando um novo grupo de monitores chega para reabrir o acampamento, ele finalmente emerge como a encarnação física do trauma que a mãe carregava.
O que torna ‘Parte 2’ eficaz é que Jason ainda não é sobrenatural. Ele é um homem grande, forte, brutal — mas humano. Quando ele persegue a sobrevivente final através da floresta, há uma urgência física que os filmes posteriores perderam. Ele pode ser ferido. Ele pode gritar de dor. O saco na cabeça, substituto provisório da máscara que só viria no filme seguinte, é mais perturbador que o ícone de hóquei — esconde o rosto mas deixa a humanidade deformada visível.
A cabana final, onde a protagonista descobre o santuário de Pamela com a cabeça da mãe preservada, é horror genuíno. É o momento em que a franquia estabeleceu seu mito completo: uma família destruída pela negligência, transformada em máquina de vingança eterna.
4. ‘Sexta-Feira 13’ (2009) — O remake que surpreende
Remakes de terror costumam ser exercícios de cinismo hollywoodiano. O de 2009, dirigido por Marcus Nispel, foi massacrado pela crítica. Mas se você separar preconceito contra remakes do que está na tela, há algo interessante aqui.
Este Jason é diferente. Ele corre. Não é a máquina lenta e inevitável dos filmes clássicos — é um predador ágil que caça suas vítimas. Isso muda completamente a dinâmica de tensão. Você não tem tempo de preparar seu destino quando ele aparece.
A cena do saco de dormir é brutal de forma que poucos filmes mainstream ousam. Jason arrasta uma vítima dentro do saco, pendura numa árvore, e a usa como saco de pancadas contra a árvore. Há uma armadilha de ursos envolvida. É violência coreográfada com criatividade doentia — exatamente o que fãs de slasher querem.
Não é terror psicológico. É terror visceral, eficiente, e honesto sobre o que é.
5. ‘Sexta-Feira 13 VI: Jason Lives’ (1986) — O divisor de águas
Algo mudou aqui. Jason morreu no filme anterior, e ‘Jason Lives’ traz ele de volta via ressurreição sobrenatural — raio atinge seu corpo enquanto Tommy Jarvis tenta cremá-lo. É o momento em que a franquia decide: Jason não é mais um assassino humano, é uma força da natureza sobrenatural.
Isto tem consequências. Quando o vilão pode ser eletrocutado, baleado, e afogado sem morrer, a tensão muda. Não é mais “será que ele vai morrer?” — é “como os personagens vão escapar?”. Tommy Jarvis como protagonista recorrente dá ânima ao que era franquia de vítimas descartáveis. Você torce por alguém.
A abertura, com Jason emergindo de seu túmulo num cemitério chuvoso, é visualmente poderosa. Mas há um humor crepuscular começando a surgir — algo que nos próximos filmes tomaria conta completamente.
6. ‘Sexta-Feira 13 – Parte 3’ (1982) — A máscara que mudou tudo
Se ‘Parte 2’ estabeleceu Jason como vilão, ‘Parte 3’ estabeleceu sua imagem definitiva. Aqui ele troca o saco de cabeça por uma máscara de hóquei encontrada por acaso — e o ícone pop nasce. O filme também foi lançado em 3D, o que explica algumas cenas estranhas onde objetos são arremessados diretamente na câmera.
O problema do 3D é que ele força o filme a priorizar efeitos sobre tensão. Quando um personagem joga um taco de baseball diretamente para a tela, você é lembrado de que está assistindo um produto, não um pesadelo. A magia se quebra.
Ainda assim, há momentos eficazes. A perseguição no celeiro, com Jason subindo as escadas com seu machado enquanto a vítima tenta desesperadamente encontrar saída, é clássico do gênero. E o final com a sobrevivente flutuando no lago, alucinando Jason emergindo da água, ecoa o original de forma competente. É o último filme antes de a franquia começar a se levar menos a sério.
7. ‘Sexta-Feira 13 – Parte 5: Um Novo Começo’ (1985) — O experimento falho
A franquia tentou algo radical aqui: Jason não é o assassino. É um paramédico chamado Roy Burns, enlouquecido pela morte do filho, usando a máscara como disfarce.
A ideia é interessante. Um copycat killer sugere que o mito de Jason transcende o homem — que qualquer um pode se tornar ele. É terror sobre contágio de violência, não sobre um monstro específico. O problema: Roy não tem a presença física de Jason. Quando a máscara cai e revelamos o assassino, a reação é “quem é esse cara?” não “meu Deus”.
Funciona parcialmente como curiosidade histórica — é o filme que quase matou a franquia, forçando o retorno de Jason no próximo. Mas como experiência de terror, é um ensaio bem-intencionado que nunca convence.
8. ‘Sexta-Feira 13 VII: The New Blood’ (1988) — Carrie vs Jason
A premissa lê bem no papel: jovem com poderes telecinéticos acidentalmente ressuscita Jason e precisa enfrentá-lo. É ‘Carrie: A Estranha’ encontra slasher. A execução é… outra coisa.
O filme sofre do problema que afetou a franquia nessa era: orçamento cortado, roteiro reescrito, cenas de morte aparadas para evitar classificação proibitiva. O resultado é um produto que não funciona como terror (falta impacto visual) nem como espetáculo (a batalha telecinética é anticlimática).
Existe um momento que salva algo aqui: a máscara de Jason é removida, revelando um rosto decomposto além de qualquer reconhecimento humano. Já vimos o rosto dele antes, mas esta versão é particularmente perturbadora — como se o tempo subaquático tivesse consumido qualquer humanidade restante. É um frame de horror genuíno num filme que não sabe o que quer ser.
9. ‘Freddy vs. Jason’ (2003) — O evento que não é terror
Depois de dominar os anos 80, ambas as franquias estavam moribundas. A solução: juntar Freddy Krueger e Jason Voorhees num filme que responde a pergunta que fãs faziam há duas décadas.
O problema de fazer um filme sobre “quem venceria?” é que o espetáculo substitui o horror. Você não está tenso — está torcendo. É luta de monstros, não pesadelo. Os cineastas abraçaram o lado campy de ambas as franquias, criando algo mais próximo de comédia de terror com sangue.
É divertido? Sim. A cena da festa no milharal, com Jason surgindo entre as chamas enquanto ‘Freddie’s theme’ toca, é visual icônico. Mas você não sente medo. Sente a alegria de ver dois mitos do terror finalmente interagindo. É Wrestlemania com machados.
10. ‘Sexta-Feira 13 – Parte 8: Jason Ataca Nova York’ (1989) — A promessa não cumprida
O título promete Jason em Manhattan. O filme entrega… 20 minutos finais em Manhattan. O resto é num barco. A produção não tinha orçamento para filmar em Nova York, então passou a maior parte do tempo num navio.
A ideia de Jason em espaço público é fascinante. Ele funciona melhor em isolamento — acampamento, floresta, casas remotas. Coloque ele numa metrópole lotada, e a dinâmica muda completamente. Como você se sente perseguido quando há mil pessoas ao seu redor?
O filme nunca explora isso. Jason chega em Manhattan, anda por Times Square, e… as pessoas praticamente ignoram ele. A premissa colapsa sob seu próprio peso. Existe uma cena aqui — Jason lutando boxe no telhado de um prédio — que resume o problema: a franquia tinha virado paródia de si mesma sem perceber.
11. ‘Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira’ (1993) — O bizarro metafísico
Se existe um filme que marca o momento em que a franquia perdeu completamente a noção de si mesmo, é este. Jason é explodido no início. Seu coração continua batendo. Um legista come o coração e é possuído por Jason. Agora Jason mata através de corpos de outras pessoas.
Isto não é mais slasher. É horror sobrenatural com regras que o filme inventa e quebra conforme conveniência. Você raramente vê Jason de máscara — apenas corpos possuídos que eventualmente revelam o “verdadeiro” Jason dentro deles. É uma escolha que subverte expectativas, mas também elimina o que funcionava: a presença física do vilão.
O único elemento redentor: o final teoriza um crossover com ‘A Hora do Pesadelo’, com Freddy Krueger roubando a máscara de Jason. Foi promessa que demorou 10 anos para cumprir.
12. ‘Jason X’ (2001) — O fundo do poço (no espaço)
Não há como defender ‘Jason X’ como filme de terror. É comédia de ciência ficção com um cara de máscara de hóquei. A premissa: governo não consegue matar Jason, então congela ele. Mil anos depois, ele desperta numa nave espacial.
O filme sabe que é ridículo. Abraçou completamente. Existe uma cena onde Jason congela o rosto de uma vítima com nitrogênio líquido e depois a quebra contra uma mesa. É tão absurdo que funciona como cartoon ultraviolento. Há até um momento onde ele é “upgradeado” para “Uber-Jason” com armadura metálica.
Fãs o amam por ser honesto sobre sua insanidade. Mas se você busca terror genuíno, está no filme errado. ‘Jason X’ é o momento em que a franquia admitiu: não somos mais assustadores, somos entretenimento bizarro. E isso, estranhamente, tem seu valor.
O veredito final sobre a franquia
A evolução de Jason Voorhees de pesadelo primal a caricatura pop não é queda de qualidade — é transformação de natureza. Os primeiros filmes funcionam como terror porque Jason é incognoscível: uma força sem explicação, sem motivação além da violência. Quando a franquia começou a explicar, racionalizar, e expandir o mito, ele se tornou personagem, não fenômeno.
Se você busca sustos genuínos, pare em ‘The Final Chapter’, o original de 1980, ou ‘Parte 2’. Se quer ver o que acontece quando uma franquia perde a vergonha, ‘Jason X’ é experiência única. O meio termo? É onde a maioria dos filmes reside — nem assustadores o suficiente para perturbar, nem bizarros o suficiente para fascinar.
Jason permanece icônico não pelos filmes individuais, mas pelo que representa: a ideia de que alguns medos são tão simples que funcionam. Um homem com máscara no escuro. Uma cabana isolada. O momento em que você percebe que não está sozinho. Os filmes variam em qualidade, mas essa premissa básica — a vulnerabilidade humana diante de violência sem razão — permanece eficaz.
Algumas vezes essa premissa é executada com competência. Outras, é enterrada sob roteiros absurdos e orçamentos cortados. Mas Jason, em qualquer versão, carrega algo que continua funcionando: a encarnação de um medo que não precisa de explicação para ser real.
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Perguntas Frequentes sobre os filmes de Sexta-Feira 13
Quantos filmes tem a franquia Sexta-Feira 13?
A franquia tem 12 filmes lançados entre 1980 e 2009, incluindo o remake. São nove filmes da série original (1980-1993), ‘Jason X’ (2001), ‘Freddy vs. Jason’ (2003) e o reboot de 2009.
Em qual filme Jason aparece pela primeira vez como assassino?
Jason Voorhees aparece como assassino adulto em ‘Sexta-Feira 13 – Parte 2’ (1981). No filme original de 1980, a assassina é Pamela Voorhees, sua mãe. Jason só aparece brevemente no final como um cadáver emergindo do lago.
Em qual filme Jason ganha a máscara de hóquei?
A máscara de hóquei icônica aparece pela primeira vez em ‘Sexta-Feira 13 – Parte 3’ (1982). Antes disso, em ‘Parte 2’, Jason usava um saco de pano na cabeça. A máscara é encontrada por acaso por uma vítima antes de Jason a tomar.
Qual a ordem cronológica dos filmes de Sexta-Feira 13?
A ordem de lançamento é: ‘Sexta-Feira 13’ (1980), ‘Parte 2’ (1981), ‘Parte 3’ (1982), ‘The Final Chapter’ (1984), ‘Um Novo Começo’ (1985), ‘Jason Lives’ (1986), ‘The New Blood’ (1988), ‘Jason Ataca Nova York’ (1989), ‘Jason Vai para o Inferno’ (1993), ‘Jason X’ (2001), ‘Freddy vs. Jason’ (2003), e o remake (2009). A cronologia interna da história segue a mesma ordem, exceto ‘Freddy vs. Jason’ que se passa após ‘Jason Vai para o Inferno’.
Onde assistir os filmes de Sexta-Feira 13?
A disponibilidade varia por região e plataforma. No Brasil, os filmes costumam aparecer em serviços como Amazon Prime Video, Max, e locação digital. O remake de 2009 está frequentemente disponível na Netflix. A série ‘Sexta-Feira 13: A Série’ (não relacionada aos filmes) está no Amazon Prime.

