Analisamos por que ‘Sem Remorso’, o thriller militar com Michael B. Jordan, tornou-se um sucesso inesperado em 2026. Entenda como o ‘efeito Taylor Sheridan’ e a direção técnica de Stefano Sollima resgataram o filme do esquecimento para o topo do streaming.
Existe um fenômeno no streaming que desafia a lógica do cinema tradicional: filmes que passam despercebidos no lançamento ressurgem anos depois, encontrando um público que a estreia original nunca alcançou. ‘Sem Remorso’ filme é o caso mais emblemático dessa dinâmica em 2026. Lançado em 2021 diretamente no Prime Video, o thriller protagonizado por Michael B. Jordan acumulou uma recepção morna na época (apenas 45% de aprovação crítica). Agora, o longa domina o Top 10 do MGM+, superando blockbusters muito mais recentes.
O que explica esse fôlego tardio? Não é apenas o algoritmo. A resposta reside na convergência entre a consolidação de Taylor Sheridan como o roteirista mais influente da TV americana, a evolução da persona cinematográfica de Jordan e uma mudança na percepção do público sobre o que constitui um thriller militar de qualidade.
O ‘Efeito Yellowstone’: Como a marca Sheridan resgatou John Kelly
Em 2021, Taylor Sheridan era um nome respeitado por ‘Sicario’ e ‘Terra Selvagem’, mas ainda não era a potência industrial que é hoje. Com a explosão do universo ‘Yellowstone’ e suas prequels entre 2022 e 2025, o nome de Sheridan tornou-se uma grife de audiência. O espectador médio aprendeu a buscar sua assinatura: diálogos secos, homens movidos por códigos de honra rígidos e uma violência que, embora estilizada, carrega peso emocional.
Ao revisitar ‘Sem Remorso’, o público de 2026 identifica esses traços. Embora seja uma adaptação de Tom Clancy — território onde Sheridan costuma ser mais contido em sua melancolia habitual —, a estrutura do roteiro é puramente sua. Há uma sequência no segundo ato, onde John Kelly (Jordan) confronta um suspeito dentro de um apartamento em chamas, que exemplifica isso: a tensão não vem do fogo, mas do pragmatismo brutal do protagonista. É o ‘Sheridan-ismo’ em sua forma mais acessível.
Michael B. Jordan e a anatomia de um herói de ação pragmático
Assistir a ‘Sem Remorso’ hoje é testemunhar a fundação do que Michael B. Jordan se tornaria na ação contemporânea. Na época do lançamento, ele ainda era visto sob a sombra de Killmonger ou Creed. Hoje, com sua filmografia mais robusta, percebemos que John Kelly foi o laboratório para sua presença física mais imponente.
Diferente de heróis de ação que tentam ser engraçados ou excessivamente vulneráveis, o Kelly de Jordan é uma máquina de eficiência. O público atual, possivelmente saturado por heróis de CGI e piadas fora de hora, parece ter desenvolvido uma nostalgia pelo herói estoico dos anos 90, e ‘Sem Remorso’ entrega exatamente essa estética. É um filme que não pede desculpas por ser um ‘veículo de astro’.
A estética de Stefano Sollima: Onde o filme acerta tecnicamente
Muitas críticas de 2021 ignoraram o trabalho de direção de Stefano Sollima. O diretor italiano, vindo de obras viscerais como ‘Gomorra’ e ‘Suburra’, traz para o filme uma textura de ‘sujeira’ que falta em muitos originais de streaming. A fotografia de Philippe Rousselot foge do visual lavado comum em produções para TV, optando por sombras densas e uma paleta fria que reforça a solidão do protagonista.
A sequência da queda do avião no oceano continua sendo um ponto alto técnico. O design de som, que alterna entre o caos ensurdecedor e o silêncio abafado sob a água, cria uma sensação de claustrofobia que justifica o investimento em um bom sistema de home theater. É nesse rigor técnico que o filme se diferencia de thrillers genéricos que povoam os catálogos.
Vale a pena assistir em 2026?
Se você busca a profundidade existencial de ‘Sicario’, ‘Sem Remorso’ pode decepcionar. A trama de conspiração política envolvendo agentes russos e traições no alto escalão de Washington é previsível e segue tropos já exauridos pelo gênero. No entanto, como peça de entretenimento muscular, o filme envelheceu surpreendentemente bem.
Com a sequência ‘Rainbow Six’ finalmente saindo do papel sob o comando de Chad Stahelski (diretor de ‘John Wick’), o interesse pelo ‘Sem Remorso’ original tornou-se utilitário. Ele deixou de ser um filme isolado para se tornar o prólogo necessário de uma franquia que promete elevar o nível da ação tática no cinema. O sucesso tardio prova que, no streaming, o tempo é o melhor curador.
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Perguntas Frequentes sobre o filme ‘Sem Remorso’
Onde posso assistir ao filme ‘Sem Remorso’?
Atualmente, ‘Sem Remorso’ está disponível no catálogo do Prime Video e também no MGM+. O filme é um conteúdo original da Amazon Studios.
‘Sem Remorso’ terá uma continuação?
Sim. A sequência, intitulada ‘Rainbow Six’, já foi confirmada. Michael B. Jordan retornará como John Kelly e a direção ficará a cargo de Chad Stahelski (da franquia John Wick).
O filme é baseado em qual livro de Tom Clancy?
O filme é uma adaptação livre do livro homônimo publicado por Tom Clancy em 1993. Embora mude o contexto temporal (da Guerra do Vietnã para os dias atuais), mantém a essência da origem do personagem John Kelly.
Quem escreveu o roteiro de ‘Sem Remorso’?
O roteiro foi escrito por Taylor Sheridan (criador de Yellowstone) em parceria com Will Staples. A assinatura de Sheridan é um dos motivos do ressurgimento do filme entre os fãs de thrillers táticos.

