Apple TV+ prepara ‘Safe Houses’ com Ana de Armas e Jennifer Connelly, replicando a estratégia de casting que funcionou em ‘Slow Horses’. Analisamos por que o timing e o material de Dan Fesperman fazem desta uma das apostas mais promissoras de 2026.
A Apple TV+ encontrou em ‘Slow Horses’ uma fórmula que funciona: espionagem de qualidade com elenco que mistura estrelas globais e rostos frescos, orçamento generoso sem ostentação, e roteiro que privilegia tensão sobre explosões. Agora, a plataforma prepara sua aposta seguinte no gênero — ‘Safe Houses’, uma série de 8 episódios que adapta o thriller de Dan Fesperman com Ana de Armas na frente.
Não é coincidência que o casting siga o mesmo padrão de ‘Slow Horses’: um nome grande para atrair assinantes, cercado por atores que elevam o material sem ofuscá-lo. A diferença é que desta vez, a estrela não é um veterano como Gary Oldman — é uma atriz em ascensão meteórica que provou, em 2023 e 2024, que carrega blockbusters nas costas.
Ana de Armas e a consolidação de uma estrela de ação
Quem acompanhou a carreira de Ana de Armas viu uma transição rara: de coadjuvante em ‘Blade Runner 2049’ e ‘007: Sem Tempo para Morrer’ para protagonista de ‘Bailarina: Do Universo de John Wick’. A evolução não é apenas de billing — é de habilidade física.
Em ‘007’, ela roubou cenas como Paloma em apenas alguns minutos de tela. Aquele papel foi um teste perfeito: mostrou que ela entende o tom do gênero — leve quando precisa, letal quando exigido. Em ‘Agente Oculto’, viveu uma agente da CIA com mais peso dramático. ‘Ghosted: Sem Resposta’ foi um projeto fraco, mas ela entregou o que o material permitia. E ‘Bailarina’ provou que ela carrega um filme de ação R-rated, com coreografia de luta que impressiona e presença física que poucas atrizes têm.
O ponto é: ela já pagou seus direitos de entrada no gênero. Não é um casting baseado apenas em nome — é alguém que demonstrou, repetidamente, que sabe se mover nesse universo de espionagem e violência coreografada. Para ‘Safe Houses’, isso significa que a série pode apostar em sequências de ação ambiciosas sem sacrificar credibilidade.
O que ‘Slow Horses’ ensinou sobre casting de espionagem
‘Slow Horses’ funciona por uma razão que vai além do roteiro: Gary Oldman é a âncora, mas ao redor dele há uma mistura inteligente de nomes conhecidos (Kristin Scott Thomas, Jonathan Pryce) e rostos frescos que o público descobre ao longo das temporadas. Isso cria equilíbrio — a estrela atrai, o elenco retém.
‘Safe Houses’ parece ter estudado essa lição. Ana de Armas é o nome grande — aquele que aparece nos trailers, que justifica o orçamento de marketing global. Mas a série também negocia com Jennifer Connelly para interpretar Elizabeth Winthrop, a viúva de um oficial da CIA assassinado. Connelly traz peso dramático (de ‘Requiem for a Dream’ a ‘Top Gun: Maverick’) e reconhecimento, mas não é o tipo de estrela que domina cada cena.
A premissa coloca as duas em lados opostos: Ana de Armas como Sofia Jiménez, uma agente acusada de um crime que não cometeu, tentando provar sua inocência enquanto foge. Connelly como a viúva investigando a morte do marido. É uma dinâmica clássica de thriller político — duas mulheres buscando a verdade por caminhos diferentes, destinadas a colidir.
Dan Fesperman e o thriller que cresce em silêncio
Dan Fesperman não é um nome familiar para o grande público brasileiro, mas ele tem credenciais específicas que importam: foi correspondente de guerra antes de escrever thrillers. Essa experiência aparece em seus livros — não no sensacionalismo, mas na compreensão de como conspirações realmente funcionam: burocracia, infiltração, traição silenciosa.
‘Safe Houses’ (o livro) é construído com tensão que se acumula em camadas. Não é ação constante, mas suspense que cresce até explodir. Para uma série de 8 episódios, isso é promissor — significa espaço para desenvolver personagens, construir atmosfera e evitar o maior pecado de produções de espionagem recentes: confundir ritmo acelerado com qualidade.
‘Slow Horses’ funciona porque entende que espionagem é feita de espera, burocracia e momentos súbitos de violência — não de perseguições a cada dez minutos. Se ‘Safe Houses’ seguir o mesmo princípio, o material de origem oferece a estrutura ideal.
Por que 2026 é o momento certo para apostar em espionagem feminina
O gênero vive um momento de expansão, não de saturação. ‘Slow Horses’ provou que há público para espionagem inteligente com humor ácido. ‘The Night Manager’ mostrou como fazer thriller político com classe. ‘Homeland’ deixou um legado de construção de tensão ao longo de temporadas.
Mas há uma lacuna específica: espionagem liderada por mulheres que não seja apenas ‘Bond com saia’. ‘Killing Eve’ abriu essa porta, mas a série perdeu fôlego após a segunda temporada. Produções recentes mostram que o público tem apetite — não por diversidade forçada, mas por dinâmicas narrativas que o gênero está começando a explorar.
Ter duas protagonistas femininas em lados opostos de uma conspiração não é checkbox de representatividade — é uma estrutura dramática rica. A dinâmica perseguidora/perseguida entre mulheres carrega tensões que thrillers masculinos não exploram: a capacidade de se infiltrar em espaços onde homens não passam despercebidos, a violência física que funciona de forma diferente, a desconfiança que o gênero usa como arma.
Expectativas realistas — e os riscos de comparar com ‘Slow Horses’
Eu seria desonesto se dissesse que ‘Safe Houses’ já é garantia de sucesso. Anúncios de séries com elenco estrelado aparecem o tempo todo, e nem todas entregam o que prometem. A diferença aqui é que os sinais são positivos: elenco acertado, material de origem respeitável, plataforma que demonstrou saber gerenciar produções do gênero.
O risco é a comparação precoce. Chamar de ‘sucessora de Slow Horses’ antes de um trailer é perigoso. ‘Slow Horses’ funciona por uma combinação específica: roteiro afiado, Gary Oldman no auge de sua fase ‘sem paciência para bobagens’, e aquele tom britânico que mistura cinismo e melancolia. ‘Safe Houses’ terá que encontrar sua própria identidade — provavelmente mais americana, mais direta, menos irônica.
Mas se há algo que o elenco sugere, é que a série não vai jogar seguro. Ana de Armas escolheu ‘Bailarina’ como seu projeto de ação principal — um filme R-rated, violento, que não tenta suavizar nada. Se ela está investindo em ‘Safe Houses’, provavelmente viu algo no material que justifica o compromisso.
Fica a expectativa. Se você curte espionagem com peso dramático e elenco que eleva o material, coloque ‘Safe Houses’ na lista de observação para 2026. A Apple TV+ tem uma janela de oportunidade — e parece saber disso.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Safe Houses’
Quando estreia ‘Safe Houses’ na Apple TV+?
A Apple TV+ ainda não confirmou data de estreia. A série está em produção e deve chegar em 2026. Como a plataforma costuma anunciar datas com alguns meses de antecedência, mais informações devem surgir ao longo do ano.
Onde assistir ‘Safe Houses’?
‘Safe Houses’ será exclusiva da Apple TV+. A série é uma produção original da plataforma, então não deve estar disponível em outros serviços de streaming.
‘Safe Houses’ é baseado em livro?
Sim. A série adapta o thriller ‘Safe Houses’ de Dan Fesperman, autor americano que foi correspondente de guerra antes de se dedicar à ficção. O livro foi publicado originalmente em 2018.
Precisa assistir ‘Slow Horses’ para entender ‘Safe Houses’?
Não. Apesar das comparações, são séries independentes com histórias e personagens diferentes. ‘Slow Horses’ segue espiões britânicos descartados, enquanto ‘Safe Houses’ foca em uma agente da CIA acusada de crime. A semelhança está no tom e na estratégia de elenco, não na narrativa.
Quantos episódios terá ‘Safe Houses’?
A primeira temporada terá 8 episódios. É o mesmo formato que ‘Slow Horses’ usa, permitindo desenvolvimento de personagens sem alongar a narrativa.

