‘Rogue Squadron’: roteirista revela detalhes do roteiro e futuro incerto após saída de Kathleen Kennedy

Matthew Robinson revelou que o ‘Rogue Squadron filme’ está em limbo após a saída de Kathleen Kennedy da Lucasfilm. Analisamos como a transição para Dave Filoni ameaça um projeto pessoal de Patty Jenkins — inspirado no pai piloto de caça dela — e por que Hollywood em 2026 transforma roteiros prontos em reféns de ciclos de liderança.

Quando Matthew Robinson sentou-se para conversar com o Polygon na semana passada, ele trouxe consigo uma admissão rara de vulnerabilidade criativa: o “Rogue Squadron filme” que ajudou a construir está, no momento, órfão de direção estratégica. “Não sei atualmente o que a Lucasfilm quer fazer com isso”, confessou o roteirista, colocando em palavras o limbo que parece ter engolido um dos projetos mais promissores — e pessoais — da franquia Star Wars.

A incerteza de Robinson não é apenas burocrática. Ela reflete uma transição tectônica na Lucasfilm: após 14 anos no comando, Kathleen Kennedy deixou a presidência em janeiro de 2026, entregando as rédeas criativas a Dave Filoni (agora presidente e diretor criativo) e Lywen Brennan (co-presidente). Para um projeto como ‘Rogue Squadron’, anunciado em 2020 com o pedigree de Jenkins — diretora de ‘Mulher-Maravilha’ (2017) — essa mudança não é detalhe de bastidores. É questão de sobrevivência.

O pai piloto de Patty Jenkins e a alma que faltava em Star Wars

O pai piloto de Patty Jenkins e a alma que faltava em Star Wars

O que diferencia este roteiro de outros blockbusters de Star Wars é a raiz emocional que o alimenta. Robinson revelou que, longe de ser apenas mais uma aventura espacial, o filme mergulharia profundamente na psicologia dos pilotos de caça — uma obsessão legítima de Jenkins, cuja trajetória como cineasta sempre carregou ares de velocidade e movimento (relembre as sequências de ação de ‘Mulher-Maravilha’ ou a economia visual de ‘Monster’).

“O pai dela era piloto de caça”, explicou Robinson. “Era muito pessoal para ela, e estávamos tentando contar uma história pessoal realmente grande sobre pilotos de caça e pilotos da Rogue Squadron no universo Star Wars.” Essa conexão biográfica transforma o projeto em algo mais raro do que aparenta: um blockbuster de US$ 200 milhões com alma de memoir. Não é coincidência que Jenkins, em 2024, tenha declarado à Variety que estava “de volta a trabalhar em Rogue Squadron” após o cancelamento de ‘Mulher-Maravilha 3’ — para ela, este filme parece ter se tornado um refúgio criativo após turbulências na DC.

Quem acompanha a franquia desde os games dos anos 90 (onde a Rogue Squadron nasceu como um dos spin-offs mais queridos do universo expandido) sabe que há material fértil aqui. Mas Robinson deixa claro que não se tratava de adaptar lore antigo: era sobre capturar a experiência física e emocional de pilotar um X-wing, algo que exigiria uma abordagem quase documental da fotografia e da construção de tensão — bem diferente do heroísmo descomplicado que vimos em ‘A New Hope’.

Dave Filoni versus Patty Jenkins: duas visões de Star Wars em colisão

Aqui entramos no terreno minado da política corporativa criativa. Kennedy, produtora veterana de Spielberg e força por trás do revival de ‘Star Wars’ desde 2012, operava com uma lógica de blockbuster tradicional: franquias estabelecidas, diretores de prestígio, datas de estreia fixas. Filoni, por outro lado, cresceu dentro da Lucasfilm como criador de animação (‘The Clone Wars’, ‘The Bad Batch’) e depois como showrunner de live-action (‘Ahsoka’, ‘The Mandalorian’). Ele fala fluentemente o “lore” de Star Wars, mas sua sensibilidade é serial, não necessariamente cinematográfica em escala IMAX.

Quando Jenkins mencionou em 2024 que precisava entregar um roteiro que agradasse a Kennedy, ela estava se referindo a uma gatekeeper específica com gostos conhecidos. Agora, a aprovação passa por Filoni — e ninguém sabe ao certo o que isso significa. Filoni já demonstrou preferência por narrativas que conectam pontos do universo expandido (veja como ‘Ahsoka’ funciona como sequência direta de ‘Rebels’). ‘Rogue Squadron’, focado em pilotos militares sem necessariamente amarrar nós de tramas existentes, pode não se alinhar com essa visão.

Robinson sabe disso. “Eles estão em um estado de fluxo bastante grande no momento, depois que Kathleen saiu, e quem sabe qual é o futuro deles teatralmente.” A frase é reveladora: ele não diz “quando o filme sai”, mas “se há futuro teatral” para a Lucasfilm. Isso ecoa uma realidade que os fãs preferem ignorar: desde ‘A Ascensão Skywalker’ (2019), a franquia não conseguiu lançar um filme nas telonas. ‘The Mandalorian and Grogu’ (Jon Favreau) e ‘Star Wars: Starfighter’ (Shawn Levy) estão confirmados, mas tudo mais — incluindo o filme da Nova Ordem Jedi com Daisy Ridley e o projeto Dawn of the Jedi de James Mangold — flutua no mesmo nebuloso.

Roteiro pronto, direção ausente: o limbo de Hollywood em 2026

O mais frustrante para Robinson, pelo tom de sua entrevista, é ter um material que considera sólido sem saber se verá a luz do dia. “Acho que fizemos um ótimo trabalho com isso”, disse ele, “e realmente espero que um dia possamos ver uma versão disso”. O uso de “uma versão” é particularmente intrigante — sugere que o roteiro pode ser realizado por outra mão, ou que a visão original pode ser diluída.

Isso nos leva a uma verdade incômoda sobre Hollywood atual: roteiros não morrem mais, mas também não vivem. Eles entram em suspenso animado, dependentes de ciclos de liderança que mudam a cada dois anos. Para ‘Rogue Squadron’, o timing foi cruel: o projeto foi “shelved” (engavetado) em 2023, revivido em 2024, e agora enfrenta uma mudança de guarda completa em 2026.

A pergunta que fica é se Filoni verá valor em um filme de pilotos standalone quando ele próprio tem investido tanto em conectar as séries de TV (‘Ahsoka’, ‘The Mandalorian’) em um universo coeso. A aparição do Tenente Lander (interpretado por Brendan Wayne, neto de John Wayne e ator de ‘The Mandalorian’) pilotando um X-wing em ‘Ahsoka’ mostra que a estética de combate espacial ainda interessa à Lucasfilm — mas será no formato de série, onde Filoni se sente em casa, ou no cinema, onde Jenkins pretendia brilhar?

Robinson deixou a entrevista elogiando Jenkins como “uma das minhas artistas favoritas no mundo”. Mas entre as linhas, há um aviso: no cinema de franquia, não basta ter um roteiro pessoal, uma diretora comprometida e uma conexão emocional genuína. Você precisa que a pessoa que assina os cheques ainda esteja lá quando a conta chegar. E, no momento, na Lucasfilm, ninguém sabe exatamente quem está assinando — ou em qual moeda.

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Perguntas Frequentes sobre o filme Rogue Squadron

O que Matthew Robinson revelou sobre o roteiro de Rogue Squadron?

O roteirista revelou que o filme focaria na psicologia dos pilotos de caça, inspirado no pai de Patty Jenkins que foi piloto de caça. A abordagem seria “quase documental”, capturando a experiência física de pilotar um X-wing, diferente do heroísmo tradicional de Star Wars. Robinson afirmou ter feito “um ótimo trabalho”, mas admitiu não saber se a Lucasfilm produzirá o filme.

Por que a saída de Kathleen Kennedy afeta Rogue Squadron?

Kennedy aprovava projetos com lógica de blockbuster tradicional e diretores de prestígio como Jenkins. Com Dave Filoni assumindo a direção criativa, a prioridade mudou para conexões com o universo expandido (séries como Rebels e Ahsoka). Rogue Squadron, sendo um standalone sobre pilotos militares, pode não se alinhar com essa nova visão serializada.

Rogue Squadron foi cancelado ou apenas adiado?

Oficialmente, o projeto está em “desenvolvimento ativo” mas sem data de estreia. Foi engavetado (shelved) em 2023, revivido em 2024 quando Jenkins voltou após deixar Mulher-Maravilha 3, e agora enfrenta incerteza após a mudança de liderança da Lucasfilm em janeiro de 2026. Robinson confirmou que o roteiro está pronto, mas o futuro depende da nova direção.

Qual a conexão pessoal de Patty Jenkins com Rogue Squadron?

O pai de Jenkins foi piloto de caça, tornando o projeto uma “história pessoal realmente grande” sobre pilotos, segundo Robinson. Após o cancelamento de Mulher-Maravilha 3 pela DC, Jenkins declarou que Rogue Squadron se tornou seu “refúgio criativo”, um blockbuster de US$ 200 milhões com alma de memoir pessoal.

Rogue Squadron é baseado nos games dos anos 90?

Embora compartilhe o nome com a série de games Rogue Squadron (Nintendo 64/GameCube), Robinson deixou claro que o roteiro não adapta diretamente o lore dos jogos. A inspiração vem da experiência emocional e física de pilotar caças estelares, não necessariamente dos personagens específicos dos games como Wedge Antilles.

Quando foi a última vez que Star Wars lançou um filme nos cinemas?

A última produção cinematográfica de Star Wars foi ‘A Ascensão Skywalker’ (The Rise of Skywalker) em dezembro de 2019. Desde então, a franquia se concentrou exclusivamente em séries para Disney+. Os próximos filmes confirmados são ‘The Mandalorian and Grogu’ (2026) e ‘Star Wars: Starfighter’ de Shawn Levy, mas datas podem mudar.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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