Analisamos como ‘Riqueza Tóxica’ serviu de ensaio fundamental para Pedro Pascal antes de ‘The Last of Us’. Descubra por que este sci-fi independente é essencial para entender a construção do arquétipo de protetor relutante que definiu a carreira do ator.
Existe um tipo de filme que funciona como um ensaio geral silencioso. O ator ainda não sabe, o público ainda não percebe, mas ali está a semente de um arquétipo que dominará a cultura pop anos depois. ‘Riqueza Tóxica’ (Prospect), o sci-fi independente de 2018, é exatamente isso: o laboratório onde Pedro Pascal refinou a dinâmica de protetor relutante muito antes de Joel e Ellie se tornarem um fenômeno global em ‘The Last of Us’.
Quando assisti ao filme em seu lançamento, Pascal ainda era lembrado principalmente pelo carisma solar de Oberyn Martell em ‘Game of Thrones’. Ao revisitar a obra após o sucesso da HBO, a sensação é de estar diante de um prequel espiritual. É impossível não ver os traços de Joel Miller em Ezra, o garimpeiro espacial que equilibra pragmatismo brutal com uma vulnerabilidade paternal que ele tenta, a todo custo, esconder.
Ezra e Cee: o protótipo da dinâmica Joel e Ellie
‘Riqueza Tóxica’ coloca Pascal no papel de Ezra, um sobrevivente em uma lua alienígena hostil que, após um confronto letal, se vê forçado a cooperar com Cee (Sophie Thatcher, em uma estreia visceral antes de ‘Yellowjackets’). Um homem endurecido pelo sistema. Uma garota que perdeu tudo. Uma jornada por um ambiente onde o ar é literalmente veneno.
A semelhança narrativa com a obra da Naughty Dog é impressionante, mas a força do filme reside na economia. Enquanto a série tem nove episódios para construir confiança, a diretora Zeek Earl e o roteirista Chris Caldwell precisam que essa conexão floresça em pouco mais de 90 minutos. Pascal entrega isso em detalhes mínimos: na forma como ele ajusta a máscara de Cee ou no tom de voz que transita da ameaça ao ensinamento técnico enquanto extraem cristais valiosos.
A estética do ‘futuro usado’ e o orçamento como virtude
Diferente das produções espaciais assépticas de Hollywood, ‘Riqueza Tóxica’ aposta no lo-fi sci-fi. A direção de arte prioriza o tátil: equipamentos desgastados, mangueiras remendadas com fita adesiva e uma fotografia que remete à textura granulada do cinema dos anos 70. Essa estética de “futuro usado” — que lembra o primeiro ‘Alien’ — dá ao filme uma urgência física que falta em blockbusters saturados de CGI.
A limitação orçamentária força o foco no que realmente importa: a tensão humana. Uma das sequências mais impactantes não envolve naves, mas uma cirurgia improvisada em uma floresta tóxica. É uma cena que exige de Pascal uma atuação puramente física, transmitindo dor e desespero sem perder a autoridade do personagem. É o tipo de entrega que convenceu os produtores de que ele era o homem certo para carregar o peso emocional de uma franquia bilionária.
Sophie Thatcher: a Ellie que o público não conhecia
Não se pode analisar a performance de Pascal sem dar crédito a Sophie Thatcher. Em seu primeiro papel de destaque, ela constrói uma Cee que não é apenas uma protegida, mas um espelho moral para Ezra. Ela é feroz e resiliente, antecipando muito do que Bella Ramsey traria para Ellie. A química entre os dois é o que impede o filme de ser apenas um exercício de gênero e o transforma em um drama de sobrevivência comovente.
Para quem acompanhou as discussões sobre o casting de ‘The Last of Us’, ‘Riqueza Tóxica’ era a prova cabal. Quem viu o filme sabia que Pascal já tinha provado ser capaz de interpretar um homem que recupera sua humanidade através do cuidado com o outro, em um mundo que não oferece misericórdia.
Por que ‘Riqueza Tóxica’ merece sua atenção hoje
Mais do que uma curiosidade na filmografia de uma estrela, o filme se sustenta como uma obra autossuficiente e satisfatória. Em uma era de franquias intermináveis e cliffhangers obrigatórios, ‘Riqueza Tóxica’ oferece uma história com início, meio e um fim emocionalmente honesto. É um sci-fi contemplativo, que entende que o perigo de uma atmosfera tóxica é irrelevante perto do perigo de perder a própria empatia.
Se você busca mais do Pedro Pascal “pai do ano”, este filme é obrigatório. Ele não é apenas um ensaio para Joel; é uma performance complexa, em um universo fascinante, que prova que grandes histórias de ficção científica não precisam de galáxias inteiras — às vezes, basta uma floresta venenosa e duas pessoas que aprendem a confiar uma na outra.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Riqueza Tóxica’ e Pedro Pascal
Onde assistir ao filme ‘Riqueza Tóxica’ (Prospect)?
No Brasil, o filme está disponível para compra e aluguel em plataformas como Apple TV+ e Google Play Filmes. A disponibilidade em serviços de assinatura pode variar mensalmente.
Qual o papel de Pedro Pascal em ‘Riqueza Tóxica’?
Pascal interpreta Ezra, um garimpeiro espacial ambivalente que acaba se tornando o protetor improvável da jovem Cee em uma lua alienígena perigosa.
‘Riqueza Tóxica’ é inspirado em ‘The Last of Us’?
Não. O filme foi lançado em 2018, anos antes da série da HBO. Embora as dinâmicas de personagens sejam semelhantes, ‘Riqueza Tóxica’ é uma história original baseada em um curta-metragem dos mesmos diretores.
Qual a classificação indicativa do filme?
O filme tem classificação indicativa de 14 a 16 anos (dependendo da região), devido a cenas de violência gráfica e tensão psicológica intensa.

