Ranking dos episódios de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’: do pior ao melhor

Ranking completo dos 6 episódios de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, a adaptação dos contos de Dunk e Egg que escolhe o heroico em vez do sombrio. Descubra qual episódio do julgamento por combate coroa a temporada.

Existe uma ironia deliciosa em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’: a melhor série do universo ‘Game of Thrones’ desde a quarta temporada é justamente aquela que se recusa a ser ‘Game of Thrones’. Enquanto a série-mãe e ‘A Casa do Dragão’ apostam no épico, no sombrio e no politicamente brutal, esta adaptação dos contos de Dunk e Egg de George R.R. Martin escolhe outro caminho — menor, mais doce e desafiadoramente heroico. E funciona.

Seis episódios compõem a primeira temporada, cada um com identidade própria. Não há episódio ruim aqui — o que já é conquista rara em franquias expandidas. Mas há diferença entre ‘bom’ e ‘memorável’, e é essa distinção que vamos explorar neste ranking do pior ao melhor.

6. Episódio 2: ‘Hard Salt Beef’ — O preço da calibração

6. Episódio 2: 'Hard Salt Beef' — O preço da calibração

Alguém tinha que ficar em último, e a culpa é cronológica. ‘Hard Salt Beef’ sofre do problema clássico do segundo episódio: já passou a empolgação da estreia, mas ainda não chegou o momento de acelerar a trama. É o trabalho de perna da narrativa — necessário, mas ingrato.

O episódio abre com um flashback de Ser Arlan que, vou ser honesto, parece a única decisão criática questionável da temporada inteira. No conto original de Martin, o leitor vive a morte de Arlan junto com Dunk; aqui, o flashback expositivo quebra o ritmo de um jeito que a série evita brilhantemente no resto. Mas depois encontramos nosso ritmo: Dunk tentando desesperadamente que alguém ateste sua cavalaria.

O que salva o episódio é a justa. A câmera fixa no rosto de Peter Claffey enquanto Dunk percebe o tamanho do buraco em que se meteu — aquele medo genuíno de quem está fora de sua profundidade — é atuação que dispensa diálogos. Claffey entende que Dunk não é herói por competência, mas por insistência bem-intencionada. Isso é mais difícil de interpretar do que parece.

5. Episódio 1: ‘The Hedge Knight’ — Um começo propositalmente estranho

Se você chegou em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ sem conhecer os contos de Martin e sem ver trailers, a primeira reação provavelmente foi confusão. A série abre com o tema icônico de ‘Game of Thrones’ sendo cortado por… humor de banheiro? É um choque calculado. A franquia que nos acostumou a decapitações e incesto agora quer nos fazer rir com piadas escatológicas medievais.

Leva alguns minutos para ajustar expectativas. Mas quando você entende o que a série está fazendo — rejeitar o cinismo em favor de uma espécie de humanismo cavaleiresco —, tudo se encaixa. O mundo de Dunk e Egg é vibrante e completamente realizado, um Westeros que existe nos cantos que as grandes sagas ignoram.

O ponto alto é a introdução de Lyonel Baratheon (Daniel Ings) em uma disputa de dança medieval que é alegria pura em movimento. A série sabe que torneios deveriam ser divertidos — não apenas campos de batalha disfarçados. É uma lição que ‘Game of Thrones’ original, na sua obsessão por desconstruir fantasia, às vezes esquecia.

4. Episódio 6: ‘The Morrow’ — O dia depois é mais complexo que a batalha

4. Episódio 6: 'The Morrow' — O dia depois é mais complexo que a batalha

A maioria das séries trataria o pós-julgamento como mera preparação para a próxima temporada. ‘The Morrow’ faz algo mais interessante: encara o dia seguinte como drama válido por si só. As lágrimas foram choradas, o vencedor coroado, o perdedor humilhado e enviado para Essos. E ainda assim, a vida continua — meio aleijada, meio perdida, mas continua.

O centro emocional é a negociação entre Dunk e Maekar (Sam Spruell, finalmente mostrando por que foi escalado). A discussão sobre o destino de Egg é um estudo fascinante sobre privilégio Targaryen. Maekar deixando Dunk ver ‘por trás da cortina’ — expondo as contradições de uma família que se acredita divina mas age muito humanamente — é o tipo de nuance que separa escrita competente de escrita memorável.

É um coda, sim. Mas com um final tão propulsionador e tão ‘malandro’ que você sai sorrindo apesar dos eventos trágicos dos episódios anteriores. A série entende que nem toda resolução precisa ser grandiosa — às vezes, o melhor final é aquele que promete mais aventura.

3. Episódio 4: ‘Seven’ — Quando a série revela seu verdadeiro jogo

Até aqui, ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ era uma história de amizade entre um cavaleiro itinerante e seu escudeiro misterioso. ‘Seven’ muda o tabuleiro com elegância: de repente, entendemos o que a série estava construindo. Dunk está preso, o julgamento certo que o condenará está marcado, e a solução de Baelor — julgamento por combate — parece salvação.

Mas Aerion (Finn Bennett) tem outros planos. O que seria uma batalha um-contra-um se transforma em um lendário sete-contra-sete. E a montagem da reunião dos seis cavaleiros ao lado de Dunk usa a gramática clássica de filmes de esporte — time improvável se reunindo para o grande jogo — com eficácia que beira o manipulador. No melhor sentido possível. O chamado de Dunk para ‘mais um homem honrado’ nas arquibancadas é escrita e atuação funcionando juntas.

E então vem a revelação final do sétimo campeão. Quando o tema de ‘Game of Thrones’ dispara, você está de pé, aplaudindo, sem vergonha. É manipulação emocional? Com certeza. Mas é manipulação executada com tanta competência que você perdoa — e agradece.

2. Episódio 3: ‘The Squire’ — A beleza do cotidiano antes do desastre

2. Episódio 3: 'The Squire' — A beleza do cotidiano antes do desastre

Episódios de televisão raramente conseguem equilibrar revelações de impacto, caracterização profunda, diálogos afiados e violência que serve à história. ‘The Squire’ faz tudo isso enquanto mantém o tom singular da série. Não é pouca coisa.

O que realmente eleva o episódio, porém, está na primeira metade: Dunk e Egg passando a manhã juntos, fazendo café da manhã, contando piadas, assistindo às justas. Um torneio em Westeros deveria ser divertido — e a série se recusa a esquecer disso. A química entre Peter Claffey e Dexter Sol Ansell vende uma relação de quase-irmãos que a trama exige mas não poderia forçar.

A violência aumenta progressivamente até o momento em que Aerion quebra os dedos de Tanselle (Tanzyn Crawford). É horroroso, mas não surpreendente — a série plantou cada passo com cuidado. E a revelação da identidade verdadeira de Egg é jogada como diversão deliberada, com riff musical e movimento de câmera que poderiam ser pretensiosos mas funcionam com charme.

1. Episódio 5: ‘In the Name of the Mother’ — O julgamento por combate que justifica a temporada

Não poderia haver outro topo. ‘In the Name of the Mother’ é o tipo de episódio que você recomenda para amigos, que você assiste de novo só para reviver, que você usa para converter céticos. É realização completa do começo ao fim — mas não apenas realização técnica.

O coração do episódio é o julgamento dos sete, mas é interrompido por um longo flashback para a infância de Dunk em Porto Real e sua amizade trágica com Rafe (Chloe Lea). É aqui que entendemos por que Dunk é tão comprometido com o ideal mais alto da cavalaria. Ele serviu um bêbado velho que poderia esfaquear a si mesmo pensando ser outro — e ainda assim, Arlan de Pennytree entendia o dever de um cavaleiro melhor que a maioria dos lordes.

Assistir cavaleiro e escudeiro defenderem o inocente é coreografado com precisão que gera vontade de socar o ar. E então, sem quebrar o ritmo, a série desvia para um tom sombrio que amarra tudo. Só ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ consegue essa transição — de bomba de adrenalina para reflexão melancólica — sem dar whiplash no espectador.

No fim, a série acerta onde franquias similares falham: entende que ‘heroico’ não é sinônimo de ‘simplório’, que pequeno pode ser mais impactante que épico, e que às vezes o melhor uso de um universo expandido é explorar seus cantos menos visitados. Dunk e Egg mereciam essa adaptação. Nós merecíamos assisti-la.

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Perguntas Frequentes sobre O Cavaleiro dos Sete Reinos

Quantos episódios tem a 1ª temporada de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

A primeira temporada tem 6 episódios, cada um com aproximadamente 50-60 minutos de duração. Todos foram lançados simultaneamente na HBO Max.

Onde assistir ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

A série está disponível exclusivamente na HBO Max (Max nos EUA). É uma produção original HBO, então não deve migrar para outras plataformas.

Precisa ter visto ‘Game of Thrones’ para entender a série?

Não. A série funciona como história independente, ambientada cerca de 90 anos antes dos eventos de ‘Game of Thrones’. Conhecer o universo enriquece a experiência, mas não é obrigatório.

Quem são Dunk e Egg na série?

Dunk é Ser Duncan, o Alto, um cavaleiro andante de origem humilde. Egg é Aegon Targaryen, príncipe da casa real que se disfarça como seu escudeiro. A série adapta os contos de George R.R. Martin sobre essa dupla improvável.

A série é baseada em livros de George R.R. Martin?

Sim. A série adapta os três contos publicados de ‘Tales of Dunk and Egg’: ‘The Hedge Knight’ (1998), ‘The Sworn Sword’ (2003) e ‘The Mystery Knight’ (2010). Martin também planeja romances completos sobre a dupla.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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