‘Predador: Terras Selvagens’: sequência quebraria regra inédita da franquia

‘Predador: Terras Selvagens 2’ seria o primeiro filme da franquia com protagonista recorrente, quebrando regra de 37 anos. Analisamos como a jornada incompleta de Dek e os planos de Trachtenberg justificam essa mudança inédita.

Existe uma regra não-escrita que rege a franquia Predador há 37 anos: nenhum protagonista sobrevive para voltar. Dutch desapareceu após o filme original. Harrigan ficou por sua conta em Los Angeles. Royce nunca retornou daquele planeta de caçadas. E Naru? Seu destino permaneceu nos anos 1700. Agora, ‘Predador: Terras Selvagens’ pode quebrar esse ciclo — e a possibilidade de uma continuação centrada em Dek representa algo que a série nunca ousou fazer.

A ideia de uma sequência direta com o mesmo herói soa simples, mas no contexto da franquia, é quase revolucionária. Se confirmada, Predador: Terras Selvagens 2 seria o primeiro filme live-action da série a trazer de volta seu protagonista. É uma mudança que diz muito sobre onde o cinema de franquia está hoje — e sobre como Dan Trachtenberg está reimaginando o que um filme do Predador pode ser.

Por que a franquia nunca repetiu protagonistas em 37 anos

Por que a franquia nunca repetiu protagonistas em 37 anos

A decisão de sempre recomeçar com novos personagens nunca foi acidental. O conceito original do Predador carrega uma premissa quase antropológica: a criatura visita diferentes cenários humanos para testar seus guerreiros. Cada filme funciona como um “estudo de caso” — o soldado americano na selva, o policial urbano, os mercenários em planeta alienígena. A estrutura episódica permite que cada diretor imprima sua visão sem amarras.

Mas isso tem um custo. A franquia nunca construiu uma mitologia de personagens. Você se apega a Dutch, Harrigan ou Naru por 90 minutos, e eles desaparecem. É eficiente para contar histórias isoladas, mas impede que a série desenvolva algo que franquias modernas valorizam obsessivamente: continuidade emocional.

Não é coincidência que os filmes mais recentes tenham sido os mais bem-sucedidos em reimaginar essa fórmula. ‘O Predador: A Caçada’ (2022) trouxe uma protagonista cuja jornada de autodescoberta ecoou com o público. E ‘Predador: Terras Selvagens’ foi ainda mais longe ao fazer algo que nenhum filme anterior tinha tentado: colocar um Yautja como herói central.

Dek e a guinada que justifica continuar a história

A decisão de centrar o filme em um Predador — não como vilão ou coadjuvante, mas como protagonista cuja perspectiva genuinamente nos interessa — foi o maior risco criativo da franquia desde o original de 1987. E funcionou. Dek não é apenas um “monstro simpático”; sua jornada para provar seu valor como guerreiro carrega peso emocional real, mesmo sem diálogos convencionais.

Ao assistir, o que mais impressiona é como Trachtenberg constrói empatia sem palavra alguma. Há uma sequência específica — Dek examinando os troféus de seu pai, tocando cada peça com uma mistura de reverência e ressentimento — que comunica décadas de história familiar em segundos. A câmera se aproxima das mãos do Yautja, e o som ambiente diminui, forçando o público a sentir o peso da herança que ele carrega. É cinema visual puro.

O final estabelece um gancho narrativo que pede continuação: Dek mata seu pai e vinga a morte do irmão, mas logo enfrenta uma nova ameaça — a nave de sua mãe se aproximando. Em entrevista ao ScreenRant, Trachtenberg confirmou que quer que a introdução da mãe seja “inesperada”. A promessa é de uma dinâmica familiar alienígena que expande o que sabemos sobre a sociedade Yautja.

É aqui que uma continuação faz sentido criativo, não apenas comercial. A jornada de Dek está incompleta. Diferente dos filmes anteriores, onde o confronto com o Predador representava o clímax natural da história, ‘Predador: Terras Selvagens’ construiu um arco de personagem que transcende um único filme. Dek merece continuar — não porque o estúdio quer uma franquia, mas porque sua história pede isso.

Os números que justificam a ambição de Trachtenberg

Os números que justificam a ambição de Trachtenberg

Os resultados justificam a ousadia. Com 86% no Rotten Tomatoes e mais de $184.5 milhões mundialmente, ‘Predador: Terras Selvagens’ se tornou o maior sucesso financeiro da franquia. Mais importante: provou que o público está disposto a acompanhar histórias que subvertem as expectativas do que um filme do Predador “deveria ser”.

Trachtenberg demonstrou entender o equilíbrio entre respeitar a essência da franquia e expandir seus limites. Seus dois filmes anteriores — ‘O Predador: A Caçada’ e ‘Predador: Assassino de Assassinos’ — já haviam mostrado essa versatilidade. O primeiro trouxe a ação visceral para um período histórico inexplorado. O segundo, em animação, experimentou com múltiplas narrativas e protagonistas. ‘Terras Selvagens’ é o passo mais audacioso: mudar completamente a perspectiva.

A fotografia de Jeff Cutter merece menção especial. Os tons terrosos e a luz natural criam uma textura quase western, e a escolha de enquadrar Dek frequentemente de baixo para cima — tornando-o imponente mesmo quando vulnerável — é uma decisão visual que reforça seu status de “herói em formação”. O som também funciona como narrativa: os grunhidos guturais do Yautja, mixados com o silêncio da paisagem, criam uma imersão que dispensa diálogos.

A menção de Trachtenberg sobre trabalhar “simultaneamente no próximo filme do Predador” sugere que algo está em movimento. Se é uma sequência direta de ‘Terras Selvagens’ ou outro projeto dentro do universo, permanece incerto. Mas a estrutura narrativa do filme claramente foi pensada para permitir continuação.

Como ‘Predador: Assassino de Assassinos’ abre portas para o passado

Enquanto ‘Terras Selvagens’ olha para o futuro, o filme animado ‘Predador: Assassino de Assassinos’ plantou sementes fascinantes sobre o passado da franquia. O final revela que personagens como Naru, Dutch e Mike Harrigan estão em criptas de animação suspensa, mantidos pelos Predadores para fins ainda não explicados.

Isso abre possibilidades que antes pareciam impossíveis. Uma sequência animada poderia reunir esses heróis de diferentes eras. Para atores como Schwarzenegger e Glover, ambos no final dos 70, emprestar vozes seria viável — algo que uma produção live-action tornaria complicado.

A franquia está, pela primeira vez, construindo um universo interconectado de forma orgânica. Não se trata de forçar um “cinematic universe” no modelo Marvel, mas de criar pontes narrativas que fazem sentido dentro da lógica dos filmes. Os Predadores colecionam guerreiros dignos. Isso explica por que Dutch, Harrigan e Naru poderiam estar vivos em algum lugar — e por que uma história conectando todos eles não seria forçado.

O desafio de expandir a mitologia sem perder a intimidade

O desafio de expandir a mitologia sem perder a intimidade

Se ‘Predador: Terras Selvagens 2’ for confirmada, o maior desafio será expandir a mitologia Yautja sem perder a intimidade que fez o primeiro filme funcionar. A dinâmica familiar entre Dek e sua mãe tem potencial para explorar aspectos culturais da sociedade alienígena que nunca vimos — mas corre o risco de se tornar excessivamente expositiva.

O primeiro filme funcionou porque sua premissa era simples e universal: um jovem buscando provar seu valor. A sequência precisa encontrar um conflito igualmente acessível. A vingança contra o pai foi resolvida. A mãe representa uma nova camada de complexidade — mas qual será o conflito central?

Há também a questão do tom. ‘Terras Selvagens’ equilibrou ação brutal com momentos de silêncio e reflexão. A sequência de caça ao pai, em particular, alterna entre violência física e pausas quase meditativas — Dek observando, calculando, esperando. Uma continuação que introduza mais elementos da sociedade Yautja pode ser tentada a explicar demais, perdendo o que tornou o primeiro filme especial: a comunicação visual.

Por que repetir protagonistas muda tudo para o Predador

A quebra da regra dos protagonistas não é apenas uma curiosidade estatística. Representa uma mudança filosófica sobre o que a franquia Predador pode ser. Durante décadas, a série funcionou como uma antologia — cada filme uma variação sobre o mesmo tema. Isso tem seu valor, mas também limita o investimento emocional do público.

Franquias modernas bem-sucedidas entendem que o público quer continuidade de personagens, não apenas de conceitos. A Marvel construiu seu império sobre isso. A série ‘Alien’ eventualmente aprendeu que Ripley era insubstituível. Até o Universo Estendido DC está tentando, com seus altos e baixos, criar essa coesão.

O Predador sempre teve um conceito forte o suficiente para sustentar histórias isoladas. Mas ‘Predador: Terras Selvagens’ provou que também pode sustentar personagens que queremos acompanhar por mais de um filme. Dek não é apenas um protagonista interessante — é alguém cuja jornada merece continuar.

Se a sequência for confirmada, não será apenas mais um filme do Predador. Será o momento em que a franquia decide que seus personagens importam tanto quanto sua criatura icônica. Para uma série que tratou heróis como descartáveis por quase quatro décadas, isso não é pouca coisa.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre ‘Predador: Terras Selvagens 2’

‘Predador: Terras Selvagens 2’ já foi confirmado?

Não oficialmente. Dan Trachtenberg mencionou em entrevistas que está trabalhando em “outro projeto do Predador”, mas não confirmou se é uma sequência direta de ‘Terras Selvagens’ ou um filme diferente no mesmo universo.

Dek é o primeiro Predador protagonista da franquia?

Sim. ‘Predador: Terras Selvagens’ é o primeiro filme da franquia a ter um Yautja como protagonista central, com o público acompanhando sua perspectiva e jornada emocional, não apenas como antagonista.

Onde assistir ‘Predador: Terras Selvagens’?

O filme está disponível nos cinemas desde novembro de 2025. O streaming deve chegar em 2026, provavelmente no Hulu nos EUA e Disney+ internacionalmente, seguindo o padrão de lançamentos da 20th Century Studios.

‘Predador: Terras Selvagens’ tem cena pós-créditos?

Sim. Há uma cena no meio dos créditos que mostra a nave da mãe de Dek se aproximando, estabelecendo o gancho para uma possível continuação.

Preciso ver outros filmes do Predador antes de ‘Terras Selvagens’?

Não. O filme funciona como história independente. Conhecer a franquia ajuda a reconhecer referências e entender a mitologia Yautja, mas não é necessário para acompanhar a trama.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também