‘Predador: Terras Selvagens’: como a ousadia de Trachtenberg salvou a saga

Analisamos como ‘Predador: Terras Selvagens’ reinventou a franquia ao colocar o alienígena como protagonista. Descubra por que a ousadia de Dan Trachtenberg resultou no maior sucesso crítico e comercial da saga, unindo o universo de ‘Alien’ de forma orgânica e visceral.

A franquia ‘Predador’ sempre foi sobre a caça, mas raramente sobre o caçador. Após o desastre tonal de 2018 — que tentou transformar o ícone em uma piada de ação nostálgica — a saga parecia condenada ao arquivo morto. Contudo, ‘Predador: Terras Selvagens’ (Badlands) não apenas recupera o fôlego; ele redefine a mitologia ao subverter uma regra de 38 anos: desta vez, o monstro é o ponto de partida emocional.

A exaustão da fórmula e o renascimento pelo risco

A exaustão da fórmula e o renascimento pelo risco

Para entender o impacto de ‘Terras Selvagens’, é preciso lembrar do fracasso de ‘O Predador’ de Shane Black. O filme de 2018 sofria de uma crise de identidade aguda, oscilando entre a comédia metalinguística e o terror genérico. Faltava-lhe o que Dan Trachtenberg trouxe de sobra em ‘Prey’ e agora eleva ao máximo: foco. Trachtenberg entendeu que a audiência não queria mais do mesmo ‘exército vs. alienígena’; o público desejava uma expansão da perspectiva.

Em ‘Terras Selvagens’, a câmera não está mais escondida na folhagem observando humanos; ela está sobre o ombro de Dek. Essa escolha de design narrativo transforma o que seria um filme de monstro em um estudo de personagem visceral, onde o silêncio e a linguagem corporal substituem os diálogos expositivos.

Dek e Thia: a química entre o biológico e o sintético

A grande aposta de Trachtenberg reside na performance de Dimitrius Schuster-Koloamatangi como Dek. Interpretar um Predador pária exige uma fisicalidade que vai além do rugido. É possível sentir o cansaço e a determinação do personagem através da máscara, uma proeza de atuação física que remete ao trabalho de Andy Serkis. Quando ele encontra Thia (Elle Fanning), a sintética da Weyland-Yutani, o filme estabelece uma dinâmica fascinante de ‘estranhos no ninho’.

A interação entre os dois não depende de palavras, mas de uma gramática visual de sobrevivência. A fotografia de Jeff Cutter utiliza luzes frias e ambientes desolados para enfatizar o isolamento de ambos. Não estamos torcendo pela derrota do Predador, mas pelo sucesso de sua jornada de redenção — uma inversão moral que é o verdadeiro trunfo desta nova fase.

O sucesso comercial valida a mudança de paradigma

O sucesso comercial valida a mudança de paradigma

Os números não mentem: 86% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma bilheteria global de US$ 184 milhões. Para uma franquia que muitos consideravam ‘nichada’, esses dados são avassaladores. O recorde de abertura de US$ 40 milhões prova que o público estava sedento por uma abordagem que respeitasse sua inteligência em vez de apenas reciclar o confronto de 1987.

Mais do que o sucesso nos cinemas, o desempenho no mercado digital (PVOD) desde 6 de janeiro — liderando paradas na Apple TV e Amazon — indica que o filme possui um valor de ‘reassistibilidade’ raro. As pessoas não estão apenas consumindo o conteúdo; elas querem possuir essa nova visão da franquia.

O futuro: Weyland-Yutani e a conexão com ‘Alien’

A inclusão da corporação Weyland-Yutani não é um mero aceno para fãs. Ela serve como o tecido conjuntivo que finalmente organiza o universo compartilhado com ‘Alien’ de forma orgânica. A personagem de Elle Fanning é a peça-chave que sugere um futuro onde as franquias coexistem por necessidade narrativa, não por imposição de marketing. Trachtenberg está construindo um ecossistema onde o terror corporativo e a caça intergaláctica se fundem de maneira plausível.

Com a confirmação de ‘O Predador: A Caçada 2’ e os rumores sobre o retorno de Arnold Schwarzenegger como Dutch, a franquia nunca esteve tão viva. No entanto, o maior mérito de ‘Terras Selvagens’ é provar que o Predador pode sustentar um filme sozinho. Trachtenberg não apenas salvou a saga; ele deu a ela uma alma que nunca soubemos que o caçador possuía.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Predador: Terras Selvagens’

Onde assistir ‘Predador: Terras Selvagens’?

O filme está disponível para compra e aluguel digital em plataformas como Apple TV, Amazon Prime Video e Google Play desde 6 de janeiro de 2026, após sua passagem bem-sucedida pelos cinemas.

Quem é o protagonista de ‘Predador: Terras Selvagens’?

Diferente dos filmes anteriores, o protagonista é um Predador chamado Dek, interpretado por Dimitrius Schuster-Koloamatangi. Ele divide o foco narrativo com a sintética Thia, interpretada por Elle Fanning.

O filme é uma continuação direta de ‘Prey’ (A Caçada)?

Não é uma sequência direta da história de Naru, mas compartilha o mesmo diretor (Dan Trachtenberg) e a mesma filosofia de revitalização da franquia, focando em uma narrativa mais contida e visual.

‘Predador: Terras Selvagens’ tem cenas pós-créditos?

Não há cenas pós-créditos. O filme encerra sua jornada de forma conclusiva, embora deixe ganchos narrativos sobre a corporação Weyland-Yutani para futuras sequências.

Qual a classificação indicativa do filme?

O filme mantém a tradição da franquia com classificação Rated R (para maiores de 18 anos no Brasil), devido à violência visceral e cenas de combate intensas.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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