A BOOM! Studios anuncia o retorno dos Rangers originais como adultos em 2026. Analisamos como o salto temporal pode finalmente libertar a franquia da armadilha da nostalgia — e por que a ausência de Tommy Oliver pode ser a chave para narrativas de verdade.
Existe um problema recorrente na franquia Mighty Morphin Power Rangers 2026 que ninguém quer admitir: a nostalgia é uma armadilha disfarçada de homenagem. A BOOM! Studios parece ter finalmente entendido isso. Em vez de mais uma releitura da equipe clássica no auge da adolescência, a nova série que chega em junho de 2026 faz algo que o cinema e a TV evitaram por três décadas — deixa os Rangers envelhecerem.
O anúncio é simples na superfície, mas carregado de implicações: Jason, Kimberly, Billy, Zack e Trini retornam ao Command Center pela primeira vez em anos. Não como adolescentes salvando o mundo entre aulas de química. Como adultos. Com carreiras, cicatrizes emocionais e — se a escritora Marguerite Bennett tiver coragem — traumas não processados de anos lutando contra monstros alienígenas enquanto o resto do mundo dormia tranquilo.
Por que Power Rangers adultos é um risco que a franquia precisava correr
A sinopse oficial diz: “The original Mighty Morphin team have moved on… and grown up!” E acrescenta uma pergunta que qualquer fã da série original reconhece como gancho narrativo: “And where’s Tommy?”
Vamos parar e pensar sobre o que isso significa. A franquia sempre tratou seus heróis como figuras congeladas no tempo — perpetuamente jovens, perpetuamente prontos para o próximo monstro de Rita Repulsa. Os quadrinhos da BOOM!, desde sua estreia em 2016, expandiram a mitologia de formas inteligentes, mas mantiveram a premissa fundamental: somos adolescentes com poderes extraordinários.
Agora imagine o peso narrativo de um Billy Cranston que passou anos longe do Command Center. Um Zack Taylor que construiu uma vida própria. Uma Kimberly Hart cujos relacionamentos foram moldados por segredos que ela nunca pôde compartilhar. Isso não é apenas um salto temporal — é uma oportunidade de explorar o que a série original nunca teve coragem de tocar: o custo psicológico de crescer salvando o mundo.
O fim de Power Rangers Prime abre espaço para um recomeço estratégico
A conclusão de Power Rangers Prime em abril de 2026, após 16 issues, marca o fechamento de uma era ambiciosa. A série de Melissa Flores expandiu a mitologia em direções que a franquia raramente ousou — construindo sobre quase uma década de histórias interconectadas nos quadrinhos.
Mas expansão constante tem um custo: barreira de entrada. Novos leitores olhavam para anos de continuidade e viam um labirinto. A nova série Mighty Morphin Power Rangers funciona como um soft reset. O salto temporal e o mistério do chamado de Billy criam um ponto de acesso limpo. Você não precisa ter lido os 16 issues de Prime ou os arcos multiversais anteriores. O que você precisa saber está implícito no título: esses são os Rangers originais, e eles mudaram.
É uma jogada elegante. Em vez de ignorar o passado, a série o transforma em peso emocional. As cicatrizes de batalhas anteriores existem, mas não como leitura obrigatória — como textura narrativa.
Tommy Oliver e o paradoxo do Green Ranger solo
Paralelamente ao retorno da equipe completa, a BOOM! anunciou Power Rangers Green — uma série focada em Tommy Oliver em um futuro onde ele é o último Ranger restante.
Para entender por que isso importa, é preciso lembrar o que Tommy representa na mitologia da franquia. Ele começou como vilão sob controle de Rita Repulsa, converteu-se ao lado dos heróis, tornou-se líder e eventualmente o Ranger mais icônico da história da série. Nos quadrinhos da BOOM!, sua luta contra a influência de Rita e sua busca por redenção alimentaram alguns dos arcos mais aclamados.
Coloque isso ao lado de uma série onde ele está ausente do reencontro da equipe original. A pergunta “Where’s Tommy?” não é apenas um gancho — é uma promessa de consequências. Algo aconteceu. Algo sério. E a série solo sugere que esse “algo” pode ter custado caro.
A decisão de lançar ambas as séries simultaneamente revela uma estratégia clara: a BOOM! sabe que Tommy Oliver é o motor dramático da franquia, mas também entende que a equipe original é seu coração emocional. Dar a cada um seu espaço permite explorar diferentes tons — a dinâmica grupal de adultos se reencontrando versus o isolamento de um homem carregando o peso de ser o último.
A armadilha da nostalgia que a franquia nunca conseguiu escapar
Há um padrão cansativo na história de Power Rangers. A franquia introduziu dezenas de equipes ao longo de três décadas — de Power Rangers in Space a Power Rangers RPM, cada uma com sua identidade, vilões e tons próprios. Mas quando precisa de um “momento importante”, sempre volta para Mighty Morphin.
O especial de aniversário Power Rangers: Once & Always? Centrado na equipe original. Jogos de videogame? Frequentemente padrão para o lineup clássico. Os maiores projetos da BOOM!? Invariavelmente envolvendo os primeiros Rangers.
Isso faz sentido comercialmente. Os uniformes são icônicos. A dinâmica é familiar até para fãs casuais. Para editores e estúdios, essa clareza de marca é ouro. Mas tem um custo: equipes posteriores com followings apaixonados — Dino Thunder, RPM, Time Force — ficam perpetuamente na sombra de um passado que a franquia se recusa a deixar ir.
O filme de 2017 tentou modernizar os personagens originais com abordagem mais sombria e “realista”. Resultado? Fracasso em lançar o universo cinematográfico planejado. Nostalgia sozinha não garante sucesso. Pode até ser veneno.
Como Marguerite Bennett pode transformar nostalgia em narrativa de verdade
A diferença crucial entre este relançamento e as inúmeras voltas ao passado da franquia está em uma palavra: consequência.
Regressões nostálgicas típicas funcionam como fotografias antigas — momentos congelados, seguros, confortáveis. Os Rangers estão lá, jovens para sempre, lutando as mesmas batalhas com os mesmos beats narrativos. É afago para fãs, mas não expande nada.
A promessa de adultos retornando ao Command Center inverte essa equação. O peso não vem do que eles foram — vem do que se tornaram. Carreiras construídas. Amizades fraturadas. Traumas não processados. A pergunta “onde está Tommy?” carrega implicações que a série original, com sua estrutura episódica e limitações de orçamento e audiência-alvo, nunca poderia explorar.
Bennett tem pedigree para isso. Seu trabalho em DC Comics Bombshells demonstrou habilidade em recontextualizar personagens clássicos com profundidade emocional, e sua passagem por Animosity provou que ela sabe construir mundos onde as consequências pesam. Se ela tiver coragem de realmente mergulhar no que significa crescer com segredos que ninguém em sua vida adulta poderia entender, então Mighty Morphin Power Rangers 2026 não será uma volta ao passado. Será uma prova de que os Rangers originais ainda têm histórias que merecem ser contadas. Não porque são familiares. Porque cresceram.
Veredito: promessa que merece ser cumprida
A BOOM! Studios tem quase uma década de história provando que leva Power Rangers a sério como veículo narrativo. Os ingredientes estão lá. O risco é real: cair na mesma tentação nostálgica que a franquia nunca superou. Fazer do salto temporal um gimmick em vez de uma transformação.
Mas a premissa é genuinamente diferente de qualquer coisa que Power Rangers tentou antes no mainstream. Pela primeira vez, “voltar às origens” não significa “congelar no tempo”. Significa deixar o tempo fazer seu trabalho.
Para fãs de longa data que cresceram com Jason, Kimberly, Billy, Zack e Trini — e depois se perguntaram o que aconteceu com eles quando a câmera desligou — junho de 2026 pode finalmente trazer uma resposta honesta. Para novos leitores curiosos sobre o que uma franquia de “heróis coloridos” pode oferecer quando trata seus personagens como adultos de verdade, a promessa é ainda mais intrigante.
O Command Center está chamando de volta. A questão é: o que esses Rangers encontrarão quando chegarem lá — e o que encontrarão dentro de si mesmos?
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Perguntas Frequentes sobre Mighty Morphin Power Rangers 2026
Quando sai a nova série Mighty Morphin Power Rangers 2026?
A série está programada para junho de 2026. A BOOM! Studios ainda não divulgou a data exata do primeiro issue.
Onde ler os quadrinhos de Power Rangers da BOOM! Studios?
Os quadrinhos estão disponíveis em lojas especializadas, ComiXology, Kindle e via assinatura da BOOM! Studios. Edições encadernadas também são vendidas em livrarias convencionais.
Preciso ler os quadrinhos anteriores para entender a série de 2026?
Não. A série funciona como um soft reset — o salto temporal cria um ponto de entrada limpo para novos leitores. Conhecimento prévio adiciona textura, mas não é obrigatório.
Quem está escrevendo Mighty Morphin Power Rangers 2026?
Marguerite Bennett, conhecida por trabalhos como DC Comics Bombshells e Animosity, é a escritora responsável pela nova série.
Por que Tommy Oliver não está na equipe original?
A pergunta “Where’s Tommy?” é parte do mistério narrativo da série. Paralelamente, a BOOM! lança Power Rangers Green, focada num futuro onde Tommy é o último Ranger restante — sugerindo consequências dramáticas ainda não reveladas.

