‘Power Rangers’: como o reboot no Disney+ pode corrigir o erro histórico da franquia

Analisamos por que o sucesso do reboot de ‘Power Rangers’ no Disney+ depende de uma mudança radical no casting. Explicamos como atores com idades reais podem elevar a franquia ao patamar de ‘Harry Potter’ e ‘Percy Jackson’, corrigindo um erro histórico de 30 anos.

Existe um erro estrutural que ‘Power Rangers’ no Disney+ precisa corrigir se quiser sobreviver ao escrutínio do público em 2026. Não se trata apenas de atualizar os efeitos especiais ou abandonar a dependência estética do Super Sentai japonês. O maior desafio é humano: acabar com o tropo dos ‘adolescentes de 25 anos’ que persegue a marca desde 1993.

Quando a Disney e a Hasbro anunciaram o reboot, a promessa foi de um recomeço total. Mas a viabilidade desse projeto não depende de uniformes mais realistas, e sim de uma decisão de casting que o cinema e o streaming já validaram com ‘Harry Potter’ e ‘Percy Jackson’: escalar atores que realmente tenham a idade dos personagens.

A ‘Síndrome de Beverly Hills’ e o teto de vidro da franquia

A 'Síndrome de Beverly Hills' e o teto de vidro da franquia

Olhando para o ‘Mighty Morphin Power Rangers’ original, a desconexão é gritante. Jason, Zack e Kimberly eram escritos como calouros do ensino médio — 14 ou 15 anos. No entanto, o elenco era composto por adultos: Austin St. John tinha 19 anos, enquanto David Yost já passava dos 24. Na época, isso era o padrão da indústria, a mesma lógica de ‘Beverly Hills 90210’ (Barrados no Baile), onde o visual ‘sarado’ de academia era prioridade sobre a verossimilhança escolar.

O problema é que essa escolha impede o crescimento emocional genuíno. Quando você tem adultos interpretando crianças, os dramas de corredor de escola parecem triviais ou artificiais. A vulnerabilidade se perde. O público aceitava nos anos 90 porque não havia alternativa, mas o espectador de 2026, acostumado com a crueza de ‘Stranger Things’, exige que a fragilidade física e emocional do herói seja palpável.

A lição de ‘Percy Jackson’ e o fim do footage japonês

O sucesso de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ no Disney+ não foi acidental. Ao escalar Walker Scobell (então com 13 anos), a série garantiu que cada erro de julgamento e cada momento de impulsividade do personagem fosse lido como ‘descoberta’, não como ‘estupidez’.

Historicamente, ‘Power Rangers’ mantinha atores mais velhos por uma limitação técnica: eles precisavam ter porte físico compatível com os dublês japoneses das cenas de ação reaproveitadas. Com o reboot do Disney+, essa amarra desaparece. Sem a necessidade de usar stock footage da Toei Company, a produção tem liberdade total para criar uma narrativa onde os Rangers são, de fato, crianças lidando com o peso do mundo. É o modelo ‘Harry Potter’: vemos o elenco envelhecer com a franquia, transformando a nostalgia em um investimento emocional de longo prazo.

Por que o filme de 2017 falhou onde o reboot pode acertar

Por que o filme de 2017 falhou onde o reboot pode acertar

O filme de 2017 tentou um meio-termo perigoso. Tinha uma estética ‘gritty’ inspirada em ‘Chronicle’, mas ainda escalou atores na casa dos 20 anos (como Dacre Montgomery e Naomi Scott) para viverem adolescentes marginalizados. O resultado foi uma crise de identidade: o filme era sério demais para as crianças e genérico demais para os adultos.

O projeto liderado por Jonathan Entwistle (de ‘The End of the F***ing World’) para o Disney+ parece entender que a força de Power Rangers não está no ‘poder’, mas no ‘Ranger’ — na pessoa por trás da máscara. Se a série focar em atores de 14 anos, ela captura o público coming-of-age que hoje consome produções da A24 e da própria Disney, elevando o nível da escrita para algo que vá além do ‘monstro da semana’.

O veredito: autenticidade é o novo CGI

A decisão de casting que o reboot tomar sinalizará o tom da obra. Se a Disney cair na tentação de escalar o ‘galã de TikTok’ de 22 anos para fazer o Red Ranger, teremos apenas mais uma série procedural esquecível. Se tiverem a coragem de escalar crianças reais, ‘Power Rangers’ pode finalmente deixar de ser um ‘guilty pleasure’ nostálgico para se tornar um pilar de narrativa juvenil séria.

Em 2026, a audiência não quer ver adultos fingindo que têm medo de prova de matemática. Queremos ver a pressão de salvar o mundo competindo com a pressão de crescer. E isso só funciona se os olhos por trás do visor refletirem a idade real do público que a franquia pretende conquistar.

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Perguntas Frequentes sobre Power Rangers Disney+

Quando estreia o novo Power Rangers no Disney+?

Embora a Disney e a Hasbro estejam trabalhando no projeto para 2026, ainda não há uma data de estreia oficial confirmada. A produção passou por reestruturações criativas recentes para se alinhar ao novo padrão de séries do streaming.

O reboot será uma continuação da série original?

Não. A proposta atual é de um ‘reboot’ total, ou seja, um novo universo cinematográfico que não depende da cronologia das 30 temporadas anteriores, permitindo que novos fãs entendam a história do zero.

Quem é o showrunner da nova série de Power Rangers?

Jonathan Entwistle, conhecido por ‘The End of the F***ing World’ e ‘I Am Not Okay With This’, foi anunciado como o arquiteto criativo do novo universo, sinalizando um tom mais maduro e focado no desenvolvimento de personagens.

A nova série ainda vai usar cenas de lutas japonesas (Sentai)?

Tudo indica que não. O reboot do Disney+ terá um orçamento significativamente maior e deve produzir 100% de suas cenas de ação, abandonando a tradição de reaproveitar imagens da franquia Super Sentai da Toei Company.

Onde assistir ao reboot de Power Rangers?

A série será lançada exclusivamente no Disney+, como parte da estratégia da marca de consolidar franquias de ação e aventura para o público jovem na plataforma.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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