Por que ‘Os Defensores’ envelheceu como vinho e virou peça chave do MCU

Os Defensores foi subestimada em 2017, mas envelheceu como vinho: enquanto o MCU se expandiu para o multiverso, a série permanece como o melhor exemplo do que o MCU de rua pode ser.

Quando Os Defensores estreou em 2017, foi recebido com críticas mornas. A crítica apontou o ritmo lento, a vilã Sigourney Weaver subutilizada e uma história que parecia menor que a soma de suas partes. Mas seis anos depois, algo curioso aconteceu: a série envelheceu bem — e se tornou peça fundamental para entender o MCU atual.

A razão é simples: enquanto o MCU expandia para o multiverso, Os Defensores permaneceu como um registro do que a Marvel TV conseguia fazer melhor: histórias de rua, com consequências reais.

O que a crítica perdeu em 2017

A crítica de 2017 focou no que a série não era: não era um filme dos Vingadores na TV. O que foi ignorado: a série se recusava a ser espetáculo vazio. A cena do corredor do restaurante chinês, onde os quatro heróis lutam pela primeira vez juntos, é montada com precisão — cada personagem usa sua habilidade de forma distinta. Daredevil guia os outros, Jessica Jones observa e improvisa, Luke Cage protege, Iron Fist causa. É coreografia de ação que serve ao personagem, não apenas para impressionar.

Outro ponto ignorado: a série entende que a ameaça não precisa ser o fim do mundo. A Mão, como organização, funciona como ameaça porque é burocrática, infiltrada na infraestrutura da cidade, sem apelar para o apocalipse. Isso dá peso real às lutas de rua.

Por que importa agora

Em 2024, Daredevil: Born Again confirmou que Matt Murdock, Kingpin e Punisher são centrais no futuro do MCU. Kingpin apareceu em Echo e em Daredevil: Born Again. Matt Murdock já participou de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e She-Hulk. O universo dos Defensores, que parecia isolado, revelou-se canônico — e os personagens estão se tornando centrais.

A série que parecia um fracasso de público-alvo é, na verdade, o projeto que pavimentou o tom que o MCU tentaria replicar em Loki e WandaVision: heróis imperfeitos lidando com consequências. Jessica Jones com PTSD. Luke Cage lidando com a responsabilidade de ser um ícone. Daredevil lutando com a moralidade de ser um vigilante. Danny Rand buscando um propósito além do misticismo.

O que envelheceu bem (e o que não envelheceu)

Os diálogos entre Jessica Jones e Matt Murdock — especialmente na cena do escritório, onde ele repreende a advogada Jeri Hogarth por seu oportunismo — demonstram que a série sabia usar seus personagens como pessoas, não como peças de xadrez. Sigourney Weaver como Alexandra, a líder da Mão, é subutilizada, mas cria uma vilã elegante, fria, que finge fragilidade para manipular. A série entende que ela não precisa ser fisicamente ameaçadora quando tem séculos de recursos.

Por outro lado, a subtrama de Danny Rand (Iron Fist) sofre pela falta de carisma de Finn Jones na primeira temporada de seu solo. A ação, embora coreografada com maestria, é submetida a edições rápidas que às vezes escondem os combates.

Por que é relevante hoje

O MCU atual precisa de heróis de rua. O público se cansou de ameaças universais. Os Defensores oferecem uma alternativa: histórias onde o custo de salvar o dia é pessoal, não cósmico. O fato de Kingpin (Vincent D’Onofrio) ter retornado em Echo e em Daredevil: Born Again prova que a Marvel entende o valor desses personagens.

Os Defensores é imperfeito, mas envelheceu porque seu foco na rua, na gralha e na consequência se tornou raro. Enquanto o MCU se expande para o multiverso, Os Defensores permanece como o que o MCU de rua pode ser: pequeno, sujo, humano.

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Perguntas Frequentes sobre Os Defensores

Preciso assistir Os Defensores antes de Daredevil: Born Again?

Não é obrigatório, mas recomendado. A série estabelece a dinâmica entre Matt, Jessica, Luke e Danny, e apresenta a Mão como organização. Para Born Again, o contexto ajuda, mas a série se apoia em elementos já estabelecidos.

Quantos episódios tem Os Defensores?

A minissérie tem 8 episódios, com cerca de 50 minutos cada. Diferente das séries individuais dos heróis, é uma história fechada que funciona como um filme longo dividido em partes.

Os Defensores é canônico no MCU?

Sim. Com Matt Murdock aparecendo em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e em She-Hulk, e Wilson Fisk em Echo e Daredevil: Born Again, a série é considerada parte do MCU oficial, embora com algumas inconsistências de cronologia.

Por que Sigourney Weaver foi tão pouco utilizada?

Weaver interpretou Alexandra, líder dos Cinco Dedos da Mão. Apesar do prestígio da atriz, a personagem foi escrita como uma figura de autoridade que raramente sai da sombra, com o roteiro focando mais na dinâmica entre os quatro heróis.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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