Em ‘The Super Mario Galaxy Movie’, Peach assume o protagonismo enquanto Mario se torna um figurante em sua própria franquia. Uma análise de como o encanador se torna um obstáculo narrativo na trama.
Em 2026, a Illumination entregou The Super Mario Galaxy Movie. Mas há um problema na dinâmica da narrativa: o filme se chama ‘Super Mario Galaxy’, mas é Peach quem carrega o filme nas costas. A ironia é gritante: o herói homônimo se torna um obstáculo narrativo, enquanto a ‘donzela em apuros’ conduz a trama com competência e agência. A presença de Mario, neste roteiro específico, não impulsiona a história — ele drena o ritmo.
O filme falha em tentar justificar a existência de Mario na trama. A arquitetura do roteiro coloca Peach na linha de frente: ela negocia com Fox McCloud, ela desvenda o paradeiro de Bowser Jr., e ela resgata Rosalina. Mario, por sua vez, passa a maior parte do tempo correndo atrás do conflito, sem agência própria. Ele não é o agente da sua própria história.
O protagonista passivo
Em termos de roteiro, Mario funciona como um ‘falso protagonista’. Ele está presente, mas raramente ativo. Peach toma as decisões, Peach enfrenta os riscos, e Peach resolve o conflito. Mario apenas reage. Essa passividade cria uma dissonância: o marketing vende Mario como herói, mas o filme nos mostra que Peach é a verdadeira protagonista. Isso não é um problema de Peach ser forte; é um problema de foco narrativo. O filme se recusa a deixar Mario de fora, mas se recusa a dar-lhe algo útil para fazer. O resultado é um protagonista que serve apenas para ocupar o espaço da câmera.
A dinâmica Peach-Rosalina
O verdadeiro coração emocional do filme reside na relação entre Peach e Rosalina. A revelação de que Peach e Rosalina são irmãs adiciona uma camada emocional que o filme mal explora. Enquanto Peach busca resgatar Rosalina, Mario perambula por níveis irrelevantes. Se o filme tivesse focado nessa dinâmica familiar, sem a necessidade de incluir Mario em cada cena, teríamos uma narrativa mais coesa e emocionalmente ressonante.
Ao forçar Mario na trama, o filme dilui o impacto do arco de Peach. Toda vez que a ação foca em Mario, o ritmo cai. A tensão drena, porque sabemos que Mario não corre perigo real. Peach, por outro lado, enfrenta consequências reais e toma decisões difíceis. O filme é dela, não dele.
Conclusão: Um herói no lugar errado
A presença de Mario é, ironicamente, o maior obstáculo do filme. Se a Illumination tivesse coragem de fazer um filme da Peach, teríamos uma história mais focada e impactante. Mario, neste contexto, não é o herói; ele é o obstáculo narrativo que impede que a verdadeira protagonista brilhe plenamente.
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