Por que Kong precisa de armadura em ‘Godzilla x Kong: Supernova’

Com SpaceGodzilla confirmado para ‘Godzilla x Kong Supernova’, analisamos por que a ameaça cósmica torna uma armadura para Kong quase certa — e como o Projeto Powerhouse introduzido em ‘O Novo Império’ pode justificar esse upgrade.

Em 2021, quando Kong enfrentou Godzilla naquele confronto que o marketing vendeu como “a luta do século”, o macaco saiu vitorioso (ou pelo menos empatado tecnicamente) usando apenas instinto, inteligência e uma machadinha ancestral. Quatro anos depois, em ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’, ele já precisou de uma luva cibernética para lidar com Shimo. Agora, com Godzilla x Kong Supernova confirmado para março de 2027 trazendo SpaceGodzilla ao Monsterverse, há uma conclusão quase inevitável: Kong vai precisar de uma armadura completa. E não é exagero — é sobrevivência pura.

A questão não é “se”, mas “quanto”. O vilão cósmico que quase matou Godzilla em sua encarnação Heisei não é um oponente que você enfrenta com pelo e músculos, por mais densos que sejam. O Monsterverse está prestes a forçar sua maior transformação visual desde que Kong ganhou seu machado em ‘Kong: A Ilha da Caveira’. E, francamente, é a direção mais lógica para uma franquia que sempre soube exatamente o que quer ser.

SpaceGodzilla muda as regras do jogo para sempre

Vamos ser claros sobre o que estamos lidando: SpaceGodzilla não é apenas “mais um kaiju poderoso”. Na mitologia Toho, ele é uma anomalia cósmica nascida de células de Godzilla que passaram por um buraco negro — uma origem tão absurda quanto perfeita para o tipo de filme que o Monsterverse se tornou. Suas habilidades incluem manipulação de cristais, telecinese, campos de força e, claro, um raio de coronal capaz de rivalizar com a respiração atômica do próprio Godzilla.

Em ‘Godzilla vs. SpaceGodzilla’ (1994), o rei dos monstros precisou de toda sua resistência nuclear, mais a ajuda de MOGUERA (um robô gigante), para derrotar a ameaça. E mesmo assim, foi uma batalha suada. Kong não tem respiração atômica. Não tem carapaça natural. Não tem regeneração celular rápida. Ele é, fundamentalmente, um primata gigante — incrivelmente forte, sim, mas feito de carne e osso.

A luva B.E.A.S.T. que vimos em ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’ foi suficiente para lidar com Shimo porque Shimo, apesar de titã ancestral com poderes de gelo, ainda opera em parâmetros físicos compreensíveis. Ela congela, ela esmaga, ela resiste. SpaceGodzilla opera em outra escala — a de um inimigo que pode te arremessar com a mente enquanto dispara raios de energia cósmica. A matemática é brutal: sem upgrade significativo, Kong não sobrevive ao primeiro ato.

Projeto Powerhouse: a semente plantada em ‘O Novo Império’

O Monsterverse não está improvisando. A introdução da luva B.E.A.S.T. em ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’ foi explicitamente conectada ao “Projeto Powerhouse” — uma iniciativa da Monarch originalmente desenhada para equipar Kong com ferramentas de defesa e ataque. O filme nos conta que o projeto foi descontinuado por falta de verba e hesitação política em “aumentar o poder” de um titã que já é uma força da natureza por si só.

Mas as peças estão no tabuleiro. A Monarch tem a tecnologia. Tem o conhecimento. E, mais importante, agora tem o motivo: um inimigo que ameaça não apenas Kong, mas potencialmente toda a vida na Terra. A narrativa praticamente se escreve — após os eventos do filme anterior, alguém na Monarch percebe que aquele projeto “descontinuado” pode ser a diferença entre a sobrevivência e a extinção. O arco é elegante do ponto de vista de roteiro.

Reparem na progressão: em ‘Kong: A Ilha da Caveira’, o personagem usava árvores e correntes de navio como armas improvisadas. Em ‘Godzilla vs. Kong’, ele encontrou um machado forjado com escamas de Godzilla — um salto tecnológico significativo. Em ‘O Novo Império’, a luva B.E.A.S.T. trouxe capacidade de absorver e redirecionar energia. O próximo degrau lógico é uma armadura completa, e o Projeto Powerhouse é a justificativa in-universe perfeita para isso.

Por que carne e pelo não funcionam contra poder cósmico

Por que carne e pelo não funcionam contra poder cósmico

Existe uma diferença fundamental entre os oponentes que Kong enfrentou até agora e o que SpaceGodzilla representa. Em ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’, ele lutou contra o Skar King e Shimo — ambos formidáveis, mas essencialmente físicos. Você pode bloquear um ataque de gelo com a luva certa. Pode contornar um oponente mais rápido com inteligência tática. Pode, em último caso, aguentar os golpes e contra-atacar.

SpaceGodzilla não joga nesse campo. Sua habilidade de criar campos de força impenetráveis significa que Kong não pode simplesmente “chegar mais perto e socar”. Sua telecinese permite controlar o campo de batalha de maneiras que força bruta não neutraliza. E seus cristais de energia não apenas causam dano massivo — eles drenam a energia vital de quem está por perto. É um conjunto de habilidades desenhado para anular exatamente o tipo de combate corpo-a-corpo em que Kong se destaca.

Godzilla consegue enfrentar isso porque ele próprio é uma bateria nuclear ambulante. Sua biologia é desenhada para absorver, processar e expelir energia em escalas absurdas. Kong não tem essa vantagem. Para ele, cada golpe de energia cósmica é dano real, acumulativo, potencialmente fatal. Uma armadura não seria “exagero” — seria a diferença entre participar da luta e ser um cadáver de 30 mil toneladas em minutos.

O Monsterverse abraçou sua identidade — e isso é bom

Críticos mais puristas podem torcer o nariz para a ideia de um Kong blindado, como se isso fosse o momento em que a franquia “pula o tubarão”. Mas essa crítica perde o ponto fundamental: o Monsterverse nunca tentou ser o Godzilla da Toho. Enquanto ‘Shin Godzilla’ e ‘Godzilla Minus One’ exploram o terror existencial e a força da natureza indestrutível, o Monsterverse seguiu outro caminho — o da era Showa, quando Godzilla fazia judô, conversava com outros monstros e, eventualmente, voava usando sua respiração atômica como propulsão.

Não há julgamento de valor aqui — ambos os caminhos são válidos e têm seu lugar. A Toho provou que existe público para um Godzilla sério, aterrorizante, quase político em suas metáforas. O Monsterverse provou que existe público para monstros que funcionam como super-heróis em escala titânica, com arcos de poder, equipamentos e evolução constante. São propostas diferentes para audiências diferentes, e o cinema de kaiju só ganha com essa diversidade.

Uma armadura para Kong é a extensão natural de uma franquia que já nos deu batalhas em gravidade zero no centro da Terra, uma civilização de macapos gigantes em cavernas cristalinas e um Godzilla que evoluiu de “ameaça incerta” para “super-herói não-oficial da humanidade”. Se você aceita o tom, aceita a armadura. Se não aceita a armadura, talvez o problema seja ter começado pelo filme errado.

Entre o absurdo e o necessário: o veredito

‘Godzilla x Kong Supernova’ vai testar os limites do que o público aceita do Monsterverse, mas é importante contextualizar: testar limites é exatamente o que essa franquia faz desde o início. De Kong socando helicópteros no Vietnã em ‘Kong: A Ilha da Caveira’ até a física questionável do Hollow Earth, cada filme aumentou a aposta em espetáculo sobre realismo. Uma armadura completa para Kong não seria um rompimento com o estabelecido — seria a continuação de uma filosofia que sempre priorizou o “incrível” sobre o “crível”.

E há algo que vale a pena antecipar: ver Kong não como um monstro que precisa ser contido, mas como um aliado que a humanidade ativamente equipa para a batalha, completa um arco que começou em 2014. Godzilla sempre foi a força da natureza incontrolável. Kong, por sua inteligência e capacidade de conexão, sempre foi o candidato a “parceiro” da espécie humana. Arma-lo é, simbolicamente, a humanidade finalmente reconhecendo que alguns monstros estão do nosso lado.

Para os fãs que preferem seu kaiju cinema mais grounded, ‘Godzilla Minus One’ existe e é uma obra-prima do gênero. Mas para quem quer ver dois ícones do cinema se equiparem para enfrentar ameaças que desafiam a física, o próximo filme do Monsterverse promete entregar exatamente isso. Kong de armadura, enfrentando um vilão cósmico, ao lado de Godzilla. É o tipo de espetáculo que só o cinema de monstros gigantes pode proporcionar — e que o Monsterverse sempre entregou melhor que qualquer outro.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre Godzilla x Kong Supernova

Quando estreia ‘Godzilla x Kong Supernova’?

‘Godzilla x Kong Supernova’ tem estreia prevista para março de 2027. O filme foi oficialmente confirmado pela Legendary após o sucesso de bilheteria de ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’ (2024).

SpaceGodzilla está confirmado no novo filme?

Sim. SpaceGodzilla foi oficialmente confirmado como vilão de ‘Godzilla x Kong Supernova’. Será a primeira aparição do personagem no Monsterverse, trazendo suas habilidades icônicas como telecinese, campos de força e cristais de energia.

O que é o Projeto Powerhouse?

O Projeto Powerhouse é uma iniciativa da Monarch mencionada em ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’ (2024), criada para desenvolver equipamentos de defesa para Kong. A luva B.E.A.S.T. foi um resultado desse programa, que foi oficialmente descontinuado — mas pode ser retomado para enfrentar SpaceGodzilla.

Kong já usou armadura em algum filme?

Não. Kong nunca usou uma armadura completa nos filmes do Monsterverse. A evolução de equipamentos foi: armas improvisadas em ‘Kong: A Ilha da Caveira’ (2017), machado de escamas de Godzilla em ‘Godzilla vs. Kong’ (2021), e a luva B.E.A.S.T. em ‘O Novo Império’ (2024). Uma armadura seria o próximo degrau lógico.

Preciso ver os filmes anteriores para entender ‘Supernova’?

Recomenda-se pelo menos assistir a ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’ (2024), que introduz o Projeto Powerhouse e estabelece a dinâmica atual entre Kong e Godzilla. A trilogia anterior (‘Kong: A Ilha da Caveira’, ‘Godzilla vs. Kong’) ajuda a entender o arco completo do personagem, mas não é essencial.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também