‘Piratas do Caribe 6’: produtor responde rumores sobre filho de Jack e Margot Robbie

Jerry Bruckheimer voltou a falar de ‘Piratas do Caribe 6’ — e a ambiguidade diz muito: o estúdio parece ter peças em movimento, mas ainda não resolveu o “elefante no navio” (Johnny Depp) nem qual versão do filme vai sobreviver (Margot Robbie, reboot ou herdeiro de Jack).

Há algo poeticamente trágico em observar uma das franquias mais lucrativas do cinema se arrastar por quase uma década num limbo de desenvolvimento. ‘Piratas do Caribe 6’ existe como certeza e miragem — confirmado em tese, mas nunca concretizado. A fala recente do produtor Jerry Bruckheimer à Entertainment Tonight, dizendo que estão “perto de uma parte” do projeto, soa menos como atualização e mais como o eco de uma promessa que já ouvimos antes.

Bruckheimer, no comando dos cinco filmes desde 2003, escolhe palavras como quem negocia cláusulas. “They’re close on part of it. That’s all I’ll tell ya” (“Estão perto de uma parte. É só isso que vou dizer”) é ambíguo por design: sugere progresso sem compromisso, movimento sem direção. Para quem acompanha bastidores de Hollywood, o cheiro é de development hell — aquele ciclo em que o filme troca de rascunho como Jack Sparrow troca de garrafa.

O que Bruckheimer realmente admite quando diz que ‘Piratas do Caribe 6’ está “perto”

O que Bruckheimer realmente admite quando diz que 'Piratas do Caribe 6' está

O subtexto importa mais do que a frase. Quando um produtor veterano fala em “parte” (e não em roteiro fechado, diretor contratado ou data), ele está deixando uma pista sobre a natureza do impasse: há peças andando, mas falta a peça que destrava o tabuleiro. Em franquias desse porte, isso costuma significar duas coisas: (1) existe um caminho criativo em desenvolvimento (um tratamento, uma versão de roteiro, uma proposta de elenco), mas (2) ainda não existe consenso interno para cravar qual filme a Disney quer — um reboot, uma continuação direta ou uma transição de protagonismo.

É por isso que os rumores voltam em ondas: eles preenchem o vácuo de uma decisão corporativa. E, no caso de ‘Piratas’, o vácuo tem nome e sobrenome.

O “filme da Margot Robbie” virou fantasma — mas o problema que ele expôs continua

Para entender o caos, vale voltar a 2018, quando a Disney anunciou um reboot associado a Margot Robbie. A ideia era óbvia (e, naquele momento, lógica): rejuvenescer a marca com uma estrela em alta e uma abordagem que não dependesse de repetir a fórmula de Jack Sparrow. Em 2022, porém, Robbie confirmou que o projeto não avançaria, sugerindo um impasse criativo — o tipo de divergência que, em franquias bilionárias, costuma significar “a versão interessante ficou arriscada demais para a empresa”.

O ponto crucial: a participação de Robbie não foi “proibida” pela Disney; aquele projeto específico é que morreu. Em tese, ela pode voltar em outra configuração, mas a janela estratégica mudou: depois de ‘Barbie’ virar fenômeno de bilheteria, o preço (financeiro e criativo) de encaixar Robbie num pacote seguro aumentou — e o interesse dela em entrar num universo em crise pode ter diminuído.

O rumor do filho de Jack Sparrow repete um erro que o 5º filme já cometeu

O rumor do filho de Jack Sparrow repete um erro que o 5º filme já cometeu

Entre os boatos mais persistentes está a ideia de que ‘Piratas do Caribe 6’ focaria no filho de Jack Sparrow. O problema não é “passar o bastão” — é como essa franquia já tentou fazer isso. ‘Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar’ (2017) apostou na lógica da “próxima geração” com Henry Turner (Brenton Thwaites) e Carina Smyth (Kaya Scodelario), e ao mesmo tempo reduziu Jack a um motor de piadas e tropeços, muitas vezes como coadjuvante do próprio mito.

O resultado financeiro (US$ 795 milhões) é respeitável isoladamente, mas é sintoma de desgaste quando comparado aos picos de bilheteria anteriores. E o desgaste tem causa narrativa: Jack Sparrow funcionava melhor quando era imprevisível e perigoso, não quando vira mascote repetindo trejeitos. Colocar um “filho do Jack” no centro arrisca duplicar o problema: você tenta herdar um ícone que já foi esvaziado no filme anterior, e ainda coloca um ator novo sob uma sombra impossível.

Existe uma única saída dramática para esse clichê funcionar: fazer do “filho de Sparrow” um conflito real, não um espelho carismático — alguém que não quer (ou não consegue) ser Jack, e cuja história reconhece a aura e o estrago deixado pelo pai. Se a proposta for só “novo Jack com cara jovem”, é receita para rejeição.

O elefante no navio: Johnny Depp ainda define o que ‘Piratas do Caribe 6’ pode ser

É aqui que Bruckheimer evita ser literal. O processo de difamação entre Johnny Depp e Amber Heard, encerrado em 2022, reorganizou o risco de marca em torno do ator. Depp afirmou que não voltaria à franquia nem por “US$ 300 milhões e um milhão de alpacas”, citando o modo como a Disney o afastou em 2018 após as acusações.

Desde então, a relação pública parece congelada — e o cálculo da Disney é brutalmente simples: trazer Depp pode render bilheteria e barulho imediato, mas também pode atrair backlash e reacender uma conversa que o estúdio preferiria encerrar. E tirar Depp da equação obriga o estúdio a responder a uma pergunta que os cinco filmes, na prática, nunca precisaram responder: o que é ‘Piratas do Caribe’ sem Jack Sparrow?

Quando Bruckheimer diz que estão “perto de uma parte”, é tentador ler como isso: o estúdio pode ter roteiro, pode ter direção, pode ter rascunhos de elenco — mas sem decidir o lugar de Depp (retorno, participação menor, substituição simbólica ou ausência total) o filme não “fecha”.

Por que a franquia parece mais antiga do que realmente é

‘A Vingança de Salazar’ deixou ganchos claros: a cena pós-créditos sugerindo Davey Jones (Bill Nighy), a reunião de Will e Elizabeth, e uma espécie de mapa para continuação. A Disney não seguiu esse mapa. Preferiu hesitar, testar um reboot, hesitar de novo, e agora conviver com rumores contraditórios (Robbie, filho do Jack, retorno de Depp) como se fossem alternativas equivalentes.

Isso expõe um contraste com as engrenagens atuais da Disney: Marvel e ‘Star Wars’ operam como máquinas de universo expandido; ‘Piratas’ nasceu de outra era, baseada em carisma e em set pieces que dependiam mais de timing cômico, ação física e invenção visual do que de “lore” infinito. O que envelheceu não foi a marca — foi o modelo de franquia que ela representava.

Se ‘Piratas do Caribe 6’ realmente acontecer, a pergunta decisiva não é orçamento, CGI ou quantas referências ao passado cabem no roteiro. É se o filme consegue justificar sua existência com uma ideia central forte: ou assume um reboot de verdade (com coragem para perder parte do público), ou faz uma continuação que trate Jack como mito — não como piada ambulante — e encontre um protagonista novo que tenha identidade própria.

No fim, a fala criptica de Bruckheimer conta mais sobre Hollywood do que sobre o filme: propriedades bilionárias presas entre a necessidade de mudar e o medo de perder o que sobrou. E fãs à deriva, esperando um sinal — qualquer sinal — de que ainda existe tesouro nessas águas.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Piratas do Caribe 6’

‘Piratas do Caribe 6’ foi confirmado oficialmente?

Sim, a Disney e o produtor Jerry Bruckheimer já confirmaram em diferentes momentos que um sexto filme está em desenvolvimento, mas sem data de estreia e sem anúncio de elenco ou direção.

Johnny Depp vai voltar em ‘Piratas do Caribe 6’?

Até agora, não há confirmação oficial de retorno. Após o julgamento de 2022, Depp declarou publicamente que não voltaria à franquia; desde então, rumores surgem, mas nenhum foi formalizado pela Disney.

Margot Robbie ainda está ligada a ‘Piratas do Caribe 6’?

Não há confirmação. O projeto de reboot associado a Margot Robbie foi dado como não avançando pela própria atriz em 2022, mas isso não significa que ela esteja “proibida” de participar de outra versão futura — apenas que aquele filme específico não seguiu em frente.

O rumor do filho de Jack Sparrow é real?

Por enquanto, é apenas rumor: não existe anúncio oficial de história, personagens ou elenco. A especulação ganhou força porque franquias longas costumam testar “passagem de bastão”, mas nada foi confirmado pela Disney ou por Bruckheimer.

‘Piratas do Caribe 6’ vai continuar a história do 5º filme (cena pós-créditos)?

Não se sabe. ‘A Vingança de Salazar’ deixou um gancho importante na cena pós-créditos, mas o estúdio passou anos alternando entre ideias de continuação e reboot, sem indicar qual caminho será adotado.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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