‘Perdido em Marte’ e ‘Devoradores de Estrelas’: a conexão que define o novo sci-fi de Ryan Gosling

Com a estreia de ‘Devoradores de Estrelas’ em março de 2026, analisamos por que o novo filme de Ryan Gosling é o sucessor espiritual de ‘Perdido em Marte’. Entenda a conexão entre o autor Andy Weir, o roteirista Drew Goddard e como essa nova jornada eleva o padrão da ficção científica realista.

Existe uma linhagem muito específica de ficção científica que Hollywood, curiosamente, tem dificuldade em replicar: a hard sci-fi otimista. Não se trata de naves explodindo ou alienígenas hostis, mas da ciência sendo usada como a única ferramenta de sobrevivência. ‘Perdido em Marte’ (2015) não foi apenas um sucesso; ele criou um padrão de excelência. Agora, com ‘Devoradores de Estrelas’, estrelado por Ryan Gosling e com estreia prevista para março de 2026, estamos prestes a descobrir se o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar.

O ressurgimento de ‘Perdido em Marte’ no Top 10 da Paramount+ neste início de ano não é um fenômeno isolado. É o público reaquecendo os motores para uma obra que compartilha o mesmo DNA criativo, desde a origem literária até a estrutura do roteiro. Se você gostou da jornada de Mark Watney, precisa entender por que o novo projeto de Gosling é o seu sucessor espiritual definitivo.

Andy Weir e a obsessão pela precisão técnica

Andy Weir e a obsessão pela precisão técnica

A conexão mais óbvia é Andy Weir. O autor, que começou publicando ‘Perdido em Marte’ de forma gratuita em seu blog, tornou-se o queridinho da NASA por transformar cálculos de trajetórias orbitais em drama de primeira linha. Em ‘Devoradores de Estrelas’ (Project Hail Mary), Weir eleva a aposta. Se Watney precisava sobreviver em um planeta vizinho, o Ryland Grace de Gosling precisa salvar o sistema solar inteiro de um organismo que está ‘comendo’ a energia do Sol.

O que torna essas histórias únicas é o respeito pela inteligência do espectador. A ciência aqui não é um deus ex machina que resolve tudo magicamente; ela é o processo. A tensão não vem de monstros, mas de um erro de cálculo de 0,1% que pode significar a morte por asfixia ou congelamento.

Drew Goddard: o arquiteto da tradução literária

O segredo do sucesso de ‘Perdido em Marte’ não foi apenas a direção de Ridley Scott, mas o roteiro de Drew Goddard. Ele conseguiu a proeza de transformar parágrafos densos sobre botânica e química em diálogos ágeis. Goddard retorna em ‘Devoradores de Estrelas’, o que é o maior selo de garantia que o filme poderia receber.

Lembro-me da cena em que Watney decide ‘usar a ciência para sair dessa’ (science the shit out of this). Era uma exposição técnica que, nas mãos de um roteirista medíocre, seria tediosa. Goddard a transformou em um hino à resiliência humana. Em ‘Devoradores de Estrelas’, onde o protagonista sofre de amnésia e precisa redescobrir as leis da física enquanto está sozinho no espaço profundo, essa habilidade de tradução será ainda mais vital.

De Matt Damon a Ryan Gosling: a mudança de tom

De Matt Damon a Ryan Gosling: a mudança de tom

A escolha de Ryan Gosling é o que realmente separa as duas obras. Matt Damon trouxe um carisma quase cômico para Watney; ele era o cara que fazia piadas para não enlouquecer. Já Gosling, que já flertou com o isolamento espacial em ‘O Primeiro Homem’ (2018), tende a entregar uma performance mais introspectiva e vulnerável.

Ryland Grace é um personagem mais complexo que Watney. Ele não é um astronauta de elite, mas um professor de ciências forçado a uma situação extrema. Gosling tem o histórico perfeito para interpretar essa transição entre o homem comum e o herói relutante, algo que vimos em ‘Blade Runner 2049’. Enquanto Damon nos fazia rir do perigo, Gosling deve nos fazer sentir o peso esmagador da solidão.

Lord e Miller trazem um novo ritmo visual

A troca na cadeira de diretor também é significativa. Ridley Scott é o mestre do épico estéril e visualmente impecável. Já Phil Lord e Christopher Miller (‘Homem-Aranha no Aranhaverso’) trazem uma energia mais inventiva e dinâmica. Embora ‘Devoradores de Estrelas’ seja uma ficção científica séria, a dupla de diretores é conhecida por subverter gêneros e humanizar situações absurdas.

A expectativa é que o filme tenha um ritmo visual mais ágil que o de 2015, talvez utilizando recursos de montagem para ilustrar os flashbacks de memória de Grace — um elemento central do livro que não existia na história de Marte. Se Ridley Scott filmou um documentário de sobrevivência, Lord e Miller devem filmar um quebra-cabeça existencial.

Por que assistir ‘Perdido em Marte’ agora?

Se você pretende ver ‘Devoradores de Estrelas’ em março, revisitar ‘Perdido em Marte’ na Paramount+ é o exercício ideal para calibrar as expectativas. Ele serve para lembrar por que amamos histórias onde a inteligência é a maior superpoder de um herói. O filme de 2015 preparou o terreno; o de 2026 promete levar essa premissa até os confins da galáxia.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Devoradores de Estrelas’ e Ryan Gosling

‘Devoradores de Estrelas’ é uma continuação de ‘Perdido em Marte’?

Não diretamente. Embora ambos sejam baseados em livros de Andy Weir e roteirizados por Drew Goddard, as histórias se passam em universos diferentes e com personagens distintos. São considerados sucessores espirituais pelo estilo de ficção científica.

Qual a data de lançamento de ‘Devoradores de Estrelas’ no Brasil?

O filme estrelado por Ryan Gosling tem previsão de estreia nos cinemas mundiais para março de 2026.

Onde posso assistir ‘Perdido em Marte’ atualmente?

Sobre o que fala o livro ‘Devoradores de Estrelas’?

A trama acompanha Ryland Grace, um professor que acorda em uma nave espacial sem memórias, descobrindo que é a última esperança da Terra para deter uma ameaça que está extinguindo a energia do Sol.

Quem dirige o novo filme de Ryan Gosling no espaço?

A direção está a cargo da dupla Phil Lord e Christopher Miller, conhecidos por ‘O Filme LEGO’ e pela produção de ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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