‘Peaky Blinders: The Immortal Man’: Tim Roth detalha vilão e compara filme a clássicos de guerra

Tim Roth revela como transformou o vilão de ‘Peaky Blinders: The Immortal Man’ de arquétipo em personagem imprevisível — e por que o filme resgata o estilo de clássicos como ‘Os Canhões de Navarone’. A conexão inesperada com o Oscar de Cillian Murphy explica a escalação sem audição.

Tim Roth nunca tinha visto um único episódio de ‘Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas’. O ator britânico, indicado ao Oscar por ‘Rob Roy, A Saga de uma Paixão’ em 1995, conhecia a série apenas de ouvir falar — ‘achava as roupas incríveis’, admitiu em entrevista. Foi preciso o Oscar de Cillian Murphy para que ele finalmente entrasse no universo criado por Steven Knight. Em Peaky Blinders The Immortal Man, Roth interpreta o vilão John Beckett, e a forma como construiu esse personagem revela o que separa um grande ator de um mero intérprete de roteiro.

A história por trás de sua escalação é quase cinematográfica. Roth enviou uma mensagem para Murphy depois que ele ganhou o Oscar por ‘Oppenheimer’, preocupado com a avalanche de atenção que vem com o prêmio. ‘Aquele negócio foi insano’, lembrou Roth sobre sua própria experiência com a campanha do Oscar. ‘Disse a ele para correr.’ Murphy respondeu: ‘Estou correndo. Quer fazer um filme junto?’ Assim, sem audição, sem processo formal, Roth entrou no projeto.

Como Tim Roth transformou o vilão de ‘Peaky Blinders’ em algo imprevisível

Como Tim Roth transformou o vilão de 'Peaky Blinders' em algo imprevisível

O roteiro original de Steven Knight descrevia John Beckett como ‘muito posh, rígido, regimental’ — o arquétipo do oficial britânico de classe alta que todo mundo reconhece como antagonista desde o primeiro frame. Roth leu e pensou: não. Em vez de aceitar o que estava na página, ele marcou uma chamada de Zoom com o diretor Tom Harper e Knight para propor algo mais interessante.

‘E se a gente invertesse?’, sugeriu Roth. Sua ideia: fazer Beckett um professor de geografia, classe trabalhadora, ‘razoável, gentil, um bom comunicador’. Alguém que chega pedindo conselhos, ouvindo opiniões, estabelecendo conexão genuína com os outros personagens. E então, devagar, ‘a máscara cai’.

Essa escolha não é cosmética — é dramática. Um vilão que se anuncia como vilão é previsível. Um vilão que convence você de que está tentando salvar o mundo, que ‘tem um ponto’, que parece do seu lado? Aí você tem tensão real. Roth explicou: ‘Do ponto de vista do meu personagem, eu sou o bom moço. Totalmente.’ Essa distância entre o que Beckett acredita de si mesmo e o que ele realmente é — um aliado nazista — é onde o horror do personagem mora.

Por que o filme resgata o espírito de ‘Os Canhões de Navarone’

Roth descreveu o filme como ‘um filme de Segunda Guerra Mundial à moda antiga, de verdade’ — e citou referências específicas: ‘Os Canhões de Navarone’ (1961), com Anthony Quinn e Gregory Peck, e os thrillers de guerra estrelados por Richard Burton nos anos 60 e 70. Não é um elogio vago. Roth está identificando uma tradição específica: aqueles filmes onde equipes heterogêneas são enviadas em missões aparentemente impossíveis, a moralidade é cinzenta, e o inimigo tem rosto humano.

Em ‘Os Canhões de Navarone’, por exemplo, os heróis precisam destruir canhões alemões, mas também precisam sacrificar um dos seus por questões práticas — uma decisão moralmente questionável que o filme não simplifica. É essa complexidade que Roth identifica em ‘The Immortal Man’. O contexto de guerra muda as apostas da série: não se trata mais de disputas territoriais de gangues em Birmingham, mas de sobrevivência nacional.

A decisão de Roth de nunca assistir à série original pode parecer estranha para fãs dedicados, mas faz sentido criativo. Ele não carrega bagagem de seis temporadas, não tem expectativas preconcebidas sobre o tom do universo. Chega fresco, como seu personagem — que também é um outsider nesse mundo. Às vezes, a ignorância é ferramenta de trabalho.

A conexão invisível com o Oscar de Cillian Murphy

Há uma ironia deliciosa nisso tudo. Murphy passou décadas sendo subestimado pelo establishment de Hollywood — ator de série de TV, rosto de franquia de super-heróis, escolhas artísticas que priorizavam cineastas autorais em vez de blockbusters convencionais. Quando finalmente ganhou o Oscar por ‘Oppenheimer’, foi o reconhecimento tardio de uma carreira construída com integridade.

Roth, que esteve em posição similar em 1995 — indicado, perdeu, viu sua carreira seguir sem o selo de ‘vencedor do Oscar’ — entende o peso da coisa. Sua mensagem para Murphy não era bajulação; era preocupação genuína de alguém que sabe que o prêmio pode ser tanto bênção quanto maldição. O fato de Murphy ter respondido com um convite de trabalho revela algo sobre os dois: são atores que priorizam fazer cinema em vez de cultivar status.

O resultado dessa colaboração está rendendo elogios. O filme tem 93% no Rotten Tomatoes — a mesma pontuação da série original — com críticos descrevendo-o como ‘compulsivo, arrebatador e emocional’. As atuações estão sendo particularmente destacadas, o que não surpreende quando você tem Murphy, Roth, Rebecca Ferguson, Stephen Graham e Barry Keoghan no mesmo projeto.

‘Peaky Blinders: The Immortal Man’ chega na Netflix em 20 de março de 2026. Para fãs da série, é o desfecho de uma jornada de dez anos. Para quem nunca viu — como Roth antes de aceitar o papel — pode ser a porta de entrada perfeita para um universo de crimes de guerra, moralidades turvas e atuação de primeiro time. E se o vilão de Roth funciona tão bem quanto ele descreve, talvez a gente nem perceba que é o vilão até ser tarde demais.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Peaky Blinders: The Immortal Man’

Quando estreia ‘Peaky Blinders: The Immortal Man’ na Netflix?

O filme estreia exclusivamente na Netflix em 20 de março de 2026. É uma produção original da plataforma.

Preciso ver a série ‘Peaky Blinders’ para entender o filme?

Não necessariamente. O diretor Tom Harper afirmou que o filme funciona como história autônoma. Porém, quem viu a série reconhecerá personagens e referências que enriquecem a experiência.

Qual a duração de ‘Peaky Blinders: The Immortal Man’?

O filme tem aproximadamente 2 horas de duração — mais longo que os episódios da série, que tinham em média 55 minutos.

Tim Roth realmente nunca viu ‘Peaky Blinders’ antes do filme?

Sim. Roth confirmou em entrevistas que nunca tinha assistido a um episódio da série. Ele considerou isso uma vantagem criativa, pois seu personagem também é um outsider no universo da trama.

Quem mais está no elenco além de Cillian Murphy e Tim Roth?

O elenco inclui Rebecca Ferguson (‘Duna’), Stephen Graham (‘Boardwalk Empire’) e Barry Keoghan (‘Banshees by Inisherin’). Todos os nomes são de peso, o que explica os elogios às atuações.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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