‘Pacto Maligno’: thriller de Chris Pratt já disponível após fracasso em cinemas

‘Pacto Maligno’ chegou ao aluguel digital menos de um mês após estreia fracassada nos cinemas. Analisamos o abismo de 59 pontos entre a aprovação do público (83%) e a rejeição da crítica (24%), e o que isso revela sobre dois modos de assistir cinema em 2026.

‘Pacto Maligno’ estreou nos cinemas no dia 23 de janeiro e já está disponível para aluguel digital. Menos de um mês. Para um filme de $60 milhões de orçamento que mal recuperou $53 milhões mundialmente, essa velocidade de migração para o mercado doméstico é um reconhecimento tácito de como a Amazon MGM Studios leu o placar. Mas aqui está o curioso: enquanto críticos arrancaram o filme a pedaços com um vergonhoso 24% no Rotten Tomatoes, o público respondeu com um surpreendente 83% de aprovação. Isso não é apenas uma divergência — é um abismo de quase 60 pontos percentuais.

Como alguém que passou a última década analisando a tensão entre crítica especializada e audiência geral, esse tipo de fenômeno merece atenção. Um gap dessa magnitude sugere algo mais profundo sobre o que ‘Pacto Maligno’ tenta ser versus o que os críticos esperavam que fosse.

O que é ‘Pacto Maligno’ — e por que ninguém foi assistir

O que é 'Pacto Maligno' — e por que ninguém foi assistir

A premissa tem potencial: em um futuro próximo, um detetive (Chris Pratt) é acusado de assassinar a própria esposa e tem exatos 90 minutos para provar sua inocência perante uma IA juiz — a mesma tecnologia que ele ajudou a consolidar. Rebecca Ferguson interpreta a inteligência artificial que decide seu destino. O conceito mistura thriller de ação com questões sobre vigilância algorítmica e justiça automatizada. No papel, soa como uma combinação de ‘Minority Report’ com ‘John Wick’.

Na prática, segundo os críticos, a execução naufraga. O consenso aponta para um filme que nunca decide o que quer ser: techno-thriller inteligente ou espetáculo de ação descompromissado. O ScreenRant resumiu com uma imagem devastadora — chamou o longa de “fatia de queijo suíço”, sugerindo furos narrativos por todos os lados. Há ainda uma acusação mais interessante: o diretor Timur Bekmambetov terminaria endossando exatamente o tipo de vigilância que o filme pretende criticar. Se isso é verdade, temos um problema conceitual grave.

Timur Bekmambetov e o paradoxo do espetáculo

Bekmambetov é o diretor russo que Hollywood abraçou após os filmes de vampiro ‘Night Watch’ e ‘Day Watch’ — obras com visual distintivo, edição frenética e uma estética de videoclipe que ele trouxe para produções americanas como ‘Wanted’ e o remake de ‘Ben-Hur’. Seu nome em um projeto promete, no mínimo, uma experiência visual agressiva.

Em ‘Pacto Maligno’, essa agressividade parece ter funcionado para parte da audiência. Relatos indicam que o 3D foi pensado desde a concepção, não convertido como afterthought para cobrar ingresso mais caro. Há elogios à ação “tátil” — aquela que você sente fisicamente, com perseguições e combates que ganham dimensão extra no formato. Para quem busca entretenimento puro, isso conta.

Mas para críticos acostumados a conectar técnica com significado, ação competente não redime narrativa confusa. O filme teria uma “visão neoconservadora” sobre as questões sociopolíticas que levanta — em vez de interrogar os perigos da IA no sistema judicial, terminaria reforçando a ideia de que tecnologia é a solução, não o problema. Quem assistiu a ‘A Guerra dos Mundos’ (2025), também de Bekmambetov, reconhece o padrão: espetáculo que se diz subversivo mas termina confortavelmente alinhado com o status quo.

Chris Pratt entre o carisma e o descrédito

Chris Pratt entre o carisma e o descrédito

Chris Pratt carrega um peso específico em sua carreira pós-Guardiões da Galáxia. Ele se tornou sinônimo de protagonista de blockbuster carismático — aquele ator que você contrata quando quer audiência simpatizando com o herói nos primeiros cinco minutos. Em ‘Pacto Maligno’, ele interpreta alguém acusado de um crime brutal, o que exige do público uma suspensão de descrença diferente: precisamos torcer por um homem que pode ter matado a própria esposa.

O elenco de apoio traz nomes respeitáveis. Kali Reis, indicada ao Emmy por ‘True Detective: Night Country’, tem papel que — segundo críticas — é desperdiçado em um roteiro que não sabe o que fazer com ela. Annabelle Wallis de ‘Peaky Blinders’, Chris Sullivan de ‘This Is Us’, Kylie Rogers de ‘Yellowstone’, Kenneth Choi de ‘Filhos da Anarquia’ — todos presentes, todos subutilizados. Quando você tem esse nível de talento coletivo e as críticas reclamam de “confinamento” dos protagonistas, algo está errado na distribuição de foco narrativo.

Rebecca Ferguson enfrenta desafio diferente: dar humanidade a uma IA. A atriz provou em ‘Duna’ que consegue projetar presença mesmo com pouco tempo de tela. Mas quando o roteiro de Marco van Belle é descrito como “absurdo e excessivamente tolo”, até performances competentes afundam.

Por que críticos e público estão tão divididos

Voltemos ao número central: 24% dos críticos aprovaram; 83% do público aprovou. Críticos especializados tendem a avaliar filmes dentro de um contexto mais amplo — filmografia do diretor, tradição do gênero, coerência temática. Quando um techno-thriller promete interrogar vigilância algorítmica mas termina reforçando-a, isso é um demérito grave para quem analisa cinema como arte com responsabilidade ideológica.

O público geral, por outro lado, tende a avaliar a experiência imediata: me entretive? O ritmo segurou? A ação foi empolgante? A descrição do público sobre ‘Pacto Maligno’ como “whodunit de alto conceito para fãs de entretenimento estilo pipoca” é reveladora. Eles não estão errados — estão usando critérios diferentes. Para alguém que pagou $19.99 para alugar e quer 90 minutos de diversão, o filme aparentemente entrega. Para alguém que analisa 200 filmes por ano e espera que cada um contribua para o meio, é um desperdício de recursos e talentos.

O que o fracasso diz sobre o mercado de estúdios

O que o fracasso diz sobre o mercado de estúdios

Há outro aspecto relevante: a velocidade com que ‘Pacto Maligno’ chegou ao mercado doméstico. Menos de um mês nos cinemas sugere que a Amazon MGM Studios reconheceu rapidamente que o filme não teria pernas para uma corrida longa. Em vez de insistir em uma campanha teatral que queimaria mais dinheiro, a decisão foi cortar perdas e capitalizar no que parece ser uma recepção caseira mais favorável.

Isso não é necessariamente uma derrota total. Filmes que fracassam theatricalmente encontram segunda vida no streaming — e a Amazon tem a plataforma para isso. O problema é quando o orçamento de $60 milhões se torna difícil de recuperar mesmo com VOD. ‘Pacto Maligno’ pode virar um daqueles casos de estudo sobre como blockbusters de estúdio perderam o público de meia-idade que costumava comparecer às salas.

Vale o aluguel?

Se você gosta de ação estilo ‘John Wick’, tem tolerância para furos de roteiro e não se importa com mensagens confusas sobre tecnologia, ‘Pacto Maligno’ pode valer os $19.99 de aluguel. O 3D é competente, o ritmo não deixa respirar, e Chris Pratt faz o que sabe fazer.

Agora, se você espera um techno-thriller que realmente interrogue os perigos da IA no sistema judicial, prepare-se para frustração. O filme levanta perguntas interessantes para depois ignorá-las completamente. É pipoca, não é política — e o abismo entre críticos e público mostra exatamente quanto isso importa para cada grupo.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Pacto Maligno’

Onde assistir ‘Pacto Maligno’?

‘Pacto Maligno’ está disponível para aluguel digital em plataformas como Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play e Vudu. O preço varia entre $19.99 e $24.99 dependendo da qualidade (HD ou 4K). Ainda não está incluído em nenhum streaming por assinatura.

Por que ‘Pacto Maligno’ saiu tão rápido dos cinemas?

O filme arrecadou apenas $53 milhões mundialmente contra um orçamento de $60 milhões — um prejuízo que levou a Amazon MGM Studios a acelerar o lançamento no mercado doméstico para minimizar perdas. Menos de um mês após a estreia em 23 de janeiro, já estava disponível para aluguel.

Qual a classificação indicativa de ‘Pacto Maligno’?

Nos EUA, o filme tem classificação R (menores de 17 anos acompanhados de responsável) por violência e linguagem forte. No Brasil, a classificação indicativa é 16 anos.

‘Pacto Maligno’ vale a pena assistir?

Depende do que você busca. Se quer ação frenética estilo ‘John Wick’ e não se importa com furos de roteiro, pode valer o aluguel — o público aprovou em 83%. Se espera um techno-thriller inteligente sobre IA e justiça, provavelmente vai se frustrar — a crítica rejeitou em 76%.

Quanto tempo dura ‘Pacto Maligno’?

O filme tem aproximadamente 1 hora e 45 minutos de duração. O ritmo é acelerado e não há cenas pós-créditos.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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