Chris Pratt revelou que sugeriu Oprah Winfrey ou uma IA real para o papel de juíza em ‘Pacto Maligno’. Analisamos por que essas ideias teriam arruinado o tom do thriller e como a escolha de Rebecca Ferguson salvou a dinâmica do filme contra a frieza tecnológica.
‘Pacto Maligno’ (Mercy) chegou aos cinemas (e em breve ao streaming) carregando uma daquelas histórias de bastidores que nos fazem agradecer pela existência de produtores com bom senso. Chris Pratt, o protagonista do longa, revelou recentemente que sua primeira ideia para o papel da Juíza Maddox — que acabou ficando com a excelente Rebecca Ferguson — era bem mais… experimental. Ou, como ele mesmo admite agora, ‘idiota’.
A proposta de uma ‘Atriz IA’ e o fantasma de Tilly Norwood
Durante o desenvolvimento, Pratt sugeriu que, já que a Juíza Maddox é uma entidade digital no universo do filme, por que não usar uma inteligência artificial generativa real para o papel? A ideia era criar um meta-comentário tecnológico. A equipe de produção vetou a sugestão imediatamente, e o tempo provou que eles estavam certos.
O timing da sugestão de Pratt não poderia ser mais sensível. O filme foi rodado logo após a greve do SAG-AFTRA, onde a proteção contra ‘dublês digitais’ e atores de IA foi o ponto central do conflito. Recentemente, o caso de Tilly Norwood — uma modelo criada por IA que a empresa Particle 6 tentou vender como atriz real — gerou revolta na indústria. Pratt, agora em modo de contenção de danos, foi enfático na première em Nova York: ‘É tudo falso até que seja alguma coisa. IA é feita pelo homem, então é inerentemente falha’.
Por que Oprah Winfrey quebraria a imersão do thriller
Se a ideia da IA era técnica, a sugestão de Oprah Winfrey vinha de um lugar puramente cômico. No roteiro, os réus podem escolher a ‘skin’ de seus juízes digitais. Pratt pensou que seria engraçado se seu personagem, o detetive Chris Raven, escolhesse o rosto da apresentadora mais famosa do mundo para julgá-lo.
O problema é que ‘Pacto Maligno’ é um survival thriller de alta tensão, quase um ‘filme de dispositivo’ onde Pratt passa a maior parte do tempo confinado. A fotografia de [nome do DP] utiliza tons frios e sombras duras para enfatizar o isolamento do protagonista. Colocar o rosto caloroso e icônico de Oprah em uma tela gigante de tribunal transformaria o filme em uma paródia instantânea, destruindo qualquer chance de o público sentir o perigo real da execução iminente.
Rebecca Ferguson: A âncora necessária
A escolha final por Rebecca Ferguson salvou a dinâmica narrativa. Ferguson traz uma ‘frieza humana’ que uma IA jamais alcançaria e uma autoridade dramática que Oprah (pela sua própria fama) ofuscaria. Em cenas onde a câmera fecha no rosto de Pratt enquanto ele reage à voz processada da juíza, percebemos que a nuance da atuação de Ferguson — mesmo sob filtros digitais — é o que mantém o peso emocional do conflito.
Ferguson, vinda de sucessos como ‘Duna’ e ‘Silo’, entende como atuar para ficção científica sem perder a humanidade. Ela serve como o contraponto perfeito para a performance física e desesperada de Pratt, que tenta provar sua inocência em um sistema que já o condenou algoritmicamente.
A recepção: Crítica vs. Público
Apesar das escolhas acertadas de elenco, ‘Pacto Maligno’ sofreu nas mãos da crítica especializada, amargando 20% no Rotten Tomatoes. O consenso é que, embora a premissa seja intrigante, o roteiro se perde em clichês de gênero no terceiro ato. No entanto, a audiência (81%) parece ter abraçado o filme como um entretenimento de fim de semana eficiente.
Para quem busca uma análise técnica, o destaque vai para o design de som: a forma como a voz da juíza é mixada para soar onipresente mas ‘vazia’ é um dos melhores aspectos da construção de mundo. No fim, ‘Pacto Maligno’ funciona melhor como um exercício de gênero do que como uma crítica profunda à tecnologia, mas serve como um lembrete de que, no cinema, o fator humano ainda é insubstituível.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Pacto Maligno’ (Mercy)
Onde assistir ao filme ‘Pacto Maligno’ com Chris Pratt?
O filme teve lançamento nos cinemas e está programado para chegar ao catálogo do Amazon Prime Video, já que é uma produção da MGM Studios (propriedade da Amazon).
Qual é a história de ‘Pacto Maligno’?
O filme segue um detetive (Chris Pratt) em um futuro próximo, acusado de um crime que não cometeu. Ele deve provar sua inocência enquanto é julgado por um sistema de inteligência artificial implacável.
Rebecca Ferguson aparece fisicamente no filme?
Sim e não. Ela interpreta a Juíza Maddox, que aparece principalmente através de interfaces digitais e telas de tribunal, mas sua performance foi capturada integralmente para dar realismo aos movimentos e expressões da IA.
Por que o filme tem notas tão diferentes entre crítica e público?
Críticos apontaram falta de originalidade no roteiro, enquanto o público elogiou o ritmo tenso e a atuação de Chris Pratt. É o típico thriller de conceito elevado que prioriza o entretenimento sobre a profundidade filosófica.

