‘Pacto Maligno’: por que a ficção com Chris Pratt despencou no Rotten Tomatoes?

Analisamos por que ‘Pacto Maligno’ falhou em conquistar a crítica, apesar da premissa ambiciosa sobre IA e justiça. Entenda como a dissonância temática e o ritmo inconsistente levaram o filme de Chris Pratt aos 17% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Um filme com Chris Pratt, Rebecca Ferguson, uma premissa de ficção científica intrigante e a direção de Timur Bekmambetov deveria, no mínimo, gerar um debate acalorado sobre o futuro da tecnologia. No entanto, ‘Pacto Maligno’ no Rotten Tomatoes está gerando um consenso bem mais frio: a rejeição. Com apenas 17% de aprovação crítica, o thriller se posiciona como um dos pontos mais baixos na carreira de seus protagonistas, mas a nota isolada esconde um problema estrutural fascinante.

O ‘curto-circuito’ temático: por que a crítica não comprou a ideia

O 'curto-circuito' temático: por que a crítica não comprou a ideia

O grande problema de ‘Pacto Maligno’ não é técnico, mas ideológico. A premissa coloca o detetive Chris Raven (Pratt) em uma corrida de 90 minutos para provar sua inocência perante a Juíza Maddox (Ferguson) — uma inteligência artificial programada para ser infalível. O conflito óbvio seria a luta do homem contra a frieza do algoritmo.

Contudo, o roteiro de Marco van Belle comete o erro fatal de ser ambíguo onde deveria ser incisivo. Críticos apontam que, enquanto o filme tenta denunciar os perigos de uma justiça automatizada, sua execução narrativa acaba validando o sistema. É uma dissonância cognitiva: o protagonista sofre nas mãos da máquina, mas o terceiro ato sugere que a tecnologia talvez estivesse certa o tempo todo. Essa falta de ‘espinha dorsal’ temática transforma o que poderia ser um ‘Minority Report’ moderno em uma obra confusa e sem identidade.

A estética de Timur Bekmambetov vs. a narrativa burocrática

Timur Bekmambetov é conhecido por seu estilo visual hiperativo em filmes como ‘Procurado’ (2008) e pela inovação da linguagem Screenlife. Em ‘Pacto Maligno’, ele tenta fundir o thriller policial clássico com uma estética distópica fria, utilizando ângulos de câmera que simulam a visão da IA. Visualmente, o filme tem momentos inspirados — a fotografia de tons metálicos e azuis profundos reforça a sensação de um futuro desalmado.

Entretanto, o virtuosismo visual não compensa o ritmo burocrático. Para um filme que se vende com um cronômetro de 90 minutos de tensão real, há uma surpreendente falta de urgência física. As cenas de ação parecem coreografadas demais, perdendo o impacto visceral que Pratt entregou em ‘A Guerra do Amanhã’. Quando a estética é mais interessante que a perseguição em si, o thriller de ação falha em sua missão primária.

Chris Pratt e a maldição dos blockbusters de streaming

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Este filme marca mais um capítulo na trajetória irregular de Chris Pratt fora da Marvel. Enquanto Rebecca Ferguson mantém sua dignidade interpretando a IA com uma rigidez quase robótica — uma escolha acertada que lembra seu trabalho em ‘Silo’ —, Pratt parece preso no modo automático. O carisma sarcástico que funciona como Senhor das Estrelas aqui soa deslocado em um cenário que exige desespero real.

O 17% no Rotten Tomatoes coloca ‘Pacto Maligno’ ao lado de ‘Passageiros’ como uma das ficções científicas menos queridas de Pratt. O público, porém, pode ser mais benevolente. Projeções indicam que o filme pode liderar as bilheterias no fim de semana de estreia, provando que o star power ainda consegue superar críticas devastadoras, pelo menos nos primeiros dias.

Veredito: vale o ingresso ou o clique?

‘Pacto Maligno’ é um exemplo de como uma ótima ideia pode ser diluída pela tentativa de agradar a todos os lados de um debate atual. Se você busca uma análise profunda sobre ética e IA, sairá frustrado. Se procura apenas um thriller de perseguição com rostos conhecidos e não se importa com furos de lógica narrativa, o filme entrega o básico. Mas, para um projeto de US$ 60 milhões com esse elenco, o “básico” é muito pouco.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Pacto Maligno’

Qual é a nota de ‘Pacto Maligno’ no Rotten Tomatoes?

O filme estreou com uma aprovação crítica de 17%, baseada nas primeiras avaliações da imprensa especializada. A nota do público costuma ser revelada após o primeiro fim de semana de exibição.

Onde posso assistir ao filme ‘Pacto Maligno’?

O filme estreia exclusivamente nos cinemas em 23 de janeiro de 2026. Por ser uma distribuição da Amazon MGM Studios, a previsão é que chegue ao catálogo do Prime Video alguns meses após a janela cinematográfica.

Qual é a duração de ‘Pacto Maligno’?

O filme tem aproximadamente 1 hora e 45 minutos. A trama central de perseguição ocorre em um período de 90 minutos dentro da narrativa.

‘Pacto Maligno’ é baseado em algum livro?

Não, o filme é baseado em um roteiro original escrito por Marco van Belle, focado em debates contemporâneos sobre o uso de algoritmos no sistema judiciário.

O filme tem cenas pós-créditos?

Não, ‘Pacto Maligno’ não possui cenas adicionais durante ou após os créditos finais. A história é encerrada de forma definitiva.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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