Analisamos como ‘Pacto Maligno’ (Mercy) utiliza o formato Screenlife para transformar câmeras de segurança e interfaces digitais em ferramentas de tensão pura. Descubra por que a IA de Rebecca Ferguson redefine o conceito de vilania no cinema de ficção científica atual.
Existe um tipo de cinema que não se contenta em apenas contar uma história; ele quer hackear a forma como você a percebe. ‘Pacto Maligno’ (título nacional para ‘Mercy’) é esse experimento. O filme de Timur Bekmambetov tenta algo que poucos blockbusters ousam: fundir a grandiosidade de Hollywood com o Screenlife, formato que transforma interfaces digitais em janelas narrativas. O resultado não é apenas um thriller de ficção científica, mas um diagnóstico urgente de como a tecnologia parou de nos servir para começar a nos julgar.
O Screenlife como linguagem de urgência
Bekmambetov já provou a eficácia do formato em ‘Buscando…’ e ‘Amizade Desfeita’, mas em ‘Pacto Maligno’ ele eleva o nível técnico. A narrativa alterna entre a cinematografia tradicional — focada no interrogatório de Chris Pratt por uma IA — e o caos de câmeras de segurança, GoPros e doorbells. Essa alternância cria uma textura visual instigante: o contraste entre a nitidez ‘fria’ do futuro e a crueza granulada das evidências digitais.
Como notou Kali Reis, que interpreta Jaq Diallo, essa mediação tecnológica comprime o tempo emocional. No ‘Pacto Maligno’ filme, a tensão não nasce apenas do que vemos, mas da nossa incapacidade de intervir em imagens que parecem reais demais, como uma notificação de câmera de segurança que chega tarde demais para evitar o crime.
O espelho digital: Por que a IA de Rebecca Ferguson não é a vilã
O grande acerto do roteiro é fugir do clichê da ‘IA malvada’ estilo Skynet. Judge Maddox, a inteligência interpretada por Rebecca Ferguson, funciona sob uma lógica mais perturbadora: a da parentalidade digital. Bekmambetov defende que a IA é como uma criança que aprende observando nossos piores hábitos online. Se mentimos ou traímos nos metadados da nossa vida, ela absorve isso como regra social.
Ferguson entrega uma performance milimétrica. Ela evita o robótico óbvio, optando por uma presença que é um espelho desconfortável para o personagem de Chris Pratt. Quando ela o julga, ela não está usando um código moral alienígena, mas sim os próprios rastros digitais que ele deixou para trás. É um lembrete de que, na era do ‘Pacto Maligno’, a privacidade não é apenas um direito, é a única defesa contra o nosso próprio reflexo.
A obsolescência do cinema analógico
Há uma provocação latente na direção de Bekmambetov: filmes que ignoram a presença das telas começam a parecer peças de época. Em ‘Pacto Maligno’, o espaço digital é onde a vida acontece. Declarações de amor, confissões e traições ocorrem via texto e vídeo, e ignorar isso em um suspense contemporâneo seria, nas palavras do diretor, ‘retrô’.
O filme usa essa onipresença digital para questionar a definição de justiça. Ao colocar Chris Pratt — um ator geralmente associado a heróis físicos e carismáticos — preso a uma cadeira e dependente de como sua vida é interpretada por algoritmos, o longa subverte as expectativas do gênero. Não há socos que resolvam um erro de processamento de dados.
Vale a pena assistir?
‘Pacto Maligno’ é recomendado para quem busca um suspense cerebral que não subestima o espectador. Se você espera a ação frenética de ‘Guardiões da Galáxia’, pode se frustrar com o ritmo mais contido e focado em diálogos e análise de dados. No entanto, para fãs de ficção científica especulativa como ‘Black Mirror’, o filme é essencial. Ele não apenas entretém, mas deixa uma pergunta incômoda: se uma IA analisasse todo o seu histórico digital hoje, qual seria o seu veredito?
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Perguntas Frequentes sobre o filme ‘Pacto Maligno’
Qual é a história do filme ‘Pacto Maligno’?
O filme acompanha um detetive (Chris Pratt) em um futuro próximo, onde ele é acusado de um crime e precisa provar sua inocência diante de um sistema judiciário controlado por uma inteligência artificial interpretada por Rebecca Ferguson.
O que é o formato Screenlife usado no filme?
Screenlife é um estilo narrativo onde a história é contada através de telas de dispositivos digitais, como computadores, smartphones, câmeras de segurança e GoPros, criando uma sensação de realismo e urgência.
Onde posso assistir ‘Pacto Maligno’?
‘Pacto Maligno’ (Mercy) é uma produção da Amazon MGM Studios, com lançamento previsto para os cinemas antes de chegar ao catálogo do Prime Video.
Chris Pratt e Rebecca Ferguson já trabalharam juntos antes?
Não, ‘Pacto Maligno’ marca a primeira colaboração de destaque entre os dois atores em um thriller de ficção científica de grande orçamento.

