Oscar 2026: Ranking dos indicados a Melhor Ator do pior ao melhor

Analisamos as 5 indicações ao Oscar 2026 de Melhor Ator e criamos um ranking do menos ao mais memorável. De Wagner Moura a Timothée Chalamet, explicamos por que este pode ser o ano mais competitivo da categoria nas últimas décadas.

Existe um tipo de ano de Oscar em que a categoria de Melhor Ator é um consenso óbvio. Outros anos, é um caos de opiniões divergentes. Oscar 2026 Melhor Ator pertence a um terceiro grupo raro: aquele em que todos os cinco indicados entregam trabalhos de nível tão alto que qualquer ranking parece uma insensatez. Pois é exatamente essa insensatez que vou cometer aqui.

Antes de entrarmos na lista, um contexto importante: quatro dos cinco atores seriam vencedores pela primeira vez. Wagner Moura representa o Brasil com uma indicação que se sustenta por mérito próprio — não é patriotismo de ocasião dizer que ele pertence a este grupo. E todos, sem exceção, são protagonistas legítimos, nenhum coadjuvante disfarçado de líder. Vamos ao ranking, do “menos melhor” ao melhor.

5º lugar: Michael B. Jordan em ‘Pecadores’ — o desafio do duplo papel

5º lugar: Michael B. Jordan em 'Pecadores' — o desafio do duplo papel

Parece absurdo colocar um ator interpretando gêmeos em último lugar. Mas este não é o prêmio de “quem faz mais personagens”. Michael B. Jordan entrega um trabalho técnico impressionante em ‘Pecadores’, e o maior elogio que posso dar é que nunca duvidei que Smoke e Stack fossem duas pessoas distintas. A maneira como Jordan comunica a dinâmica entre os irmãos através de pequenos gestos e olhares — que tecnicamente não acontecem no set, mas existem após a montagem — é um triunfo de atuação para tela dividida.

O problema é que, mesmo admirando o trabalho, nunca esqueci que estava vendo Michael B. Jordan. É a performance mais “estrela de cinema” do grupo — e isso não é crítica, é constatação. ‘Pecados’ precisa exatamente disso: um âncora para o período, para o terror sobrenatural, para a ação do terceiro ato. Mas, como candidato a Melhor Ator, Jordan teria se beneficiado se o filme lhe desse mais espaço para brilhar em momentos de quietude, não apenas de espetáculo.

4º lugar: Ethan Hawke em ‘Blue Moon: Música e Solidão’ — o tour de force que o filme não merece

Nenhum filme desta lista depende tanto de seu ator quanto ‘Blue Moon: Música e Solidão’ depende de Ethan Hawke. Seu Lorenz Hart é um redemoinho que engole todos ao redor — ou, dependendo da perspectiva, um acidente de carro do qual ninguém consegue desviar o olhar. Hawke precisa habitar ambas as facetas do compositor problemático, enquanto o filme praticamente se recusa a deixá-lo parar de falar.

A mágica está em como ele evita as armadilhas óbvias. É fácil imaginar versões menores dessa atuação que oscilam entre os extremos, momento a momento. Hawke, porém, é sempre os dois ao mesmo tempo. Seu discurso interminável funciona simultaneamente como máscara e como revelação dolorosa. Ele faz um banquete das menores modulações vocais, dos gestos quase imperceptíveis. Perdeu posições neste ranking por uma razão simples: seu filme não está no mesmo nível do que ele entrega. Uma pena, porque a margem entre o quarto e o terceiro lugar é de milímetros.

3º lugar: Leonardo DiCaprio em ‘Uma Batalha Após a Outra’ — o fora de lugar perfeito

3º lugar: Leonardo DiCaprio em 'Uma Batalha Após a Outra' — o fora de lugar perfeito

Dizer que DiCaprio está em terceiro lugar soa estranho. Afinal, estamos falando de um dos maiores astros do cinema entregando uma de suas melhores performances da carreira. O desafio que ele enfrenta em ‘Uma Batalha Após a Outra’ é singular: liderar o filme de Paul Thomas Anderson enquanto está, na maior parte do tempo, em desarmonia tonal com ele. O thriller político com aresta satírica de PTA tem risos que viram cinza na boca. O Bob de DiCaprio é uma presença quase slapstick — como se O Dude de ‘O Grande Lebowski’ tivesse caído no meio de uma revolução real.

E funciona. Mais que isso: quando DiCaprio conduz uma cena, o filme adota seu tom e se torna mais rico por isso. Ele tem um controle tão absoluto sobre quem é Bob que o mundo ao redor se curva para acomodá-lo. A pureza emocional do amor dele pela filha corta toda a política dos aliados e todo o ódio dos inimigos, aterrissando as ideias do filme em algo reconhecidamente humano. Tudo isso com DiCaprio tropeçando pela tela como um homem que não pertence àquela história — e, paradoxalmente, tornando-a indispensável.

2º lugar: Wagner Moura em ‘O Agente Secreto’ — a generosidade como arte

‘O Agente Secreto’ é um filme matizado e extraordinário, mas não teria metade de sua eficácia sem Wagner Moura no centro. Ele fornece a chave para o que é, em última análise, uma troca de identidade às nossas custas.

Quando Marcelo chega à cidade sob circunstâncias misteriosas, com o rosto de quem esconde segredos, acreditamos que decifrá-lo será nossa tarefa como espectadores. E de fato aprendemos muitas verdades sobre ele ao longo do filme. Mas ele não é realmente um enigma. Moura não esconde seu personagem de nós em nenhum momento. Sua generosidade, inteligência e convicção são coisas que intuímos instantaneamente, e é através da performance que ele nos atrai, em vez de nos fechar a porta.

No fim, ‘O Agente Secreto’ é sobre como um homem assim se torna um mistério — como, em tempos de opressão e ilegalidade sancionada, o legado de pessoas boas frequentemente tem um custo. E isso também depende de Moura, cujos momentos finais na tela desfazem, de forma devastadora, todo o trabalho de mistério construído até ali. É um trabalho primoroso que, em qualquer outro ano, estaria no topo deste ranking.

1º lugar: Timothée Chalamet em ‘Marty Supreme’ — o magnetismo destrutivo

1º lugar: Timothée Chalamet em 'Marty Supreme' — o magnetismo destrutivo

É tentador se deixar levar pelo modo como esta performance extrapolou para fora das telas. Mas o que Timothée Chalamet entrega de fato em ‘Marty Supreme’ é o verdadeiro espetáculo. Marty é uma força de carisma tão potente que as pessoas willingly reorganizam suas vidas por ele, repetidamente, mesmo sabendo que isso sempre será em detrimento delas. Sua arrogância não é apenas cegante — é, de alguma forma, cativante. E Chalamet realiza esse magnetismo destrutivo de forma tão completa que ele funciona até em nós, a plateia.

Nós nos pegamos torcendo por ele. Queremos que ele vença, mesmo contra nossa vontade, tanto no tênis de mesa quanto na vida. E tanto quanto Josh Safdie emprega os artifícios de um filme esportivo para alcançar essa sensação, o mérito recai principalmente em seu ator principal, que consegue ser quem Marty acredita ser. Seu narcisismo absurdo não é sem fundamento. Ele tem talento. Mas sua falha trágica é que ele nunca será capaz de sair do próprio caminho.

O Marty Mauser de Chalamet é o tipo de personagem de cinema que só pode surgir de uma estrela legítima no auge de seus poderes, recebendo o material certo no momento certo. É minha escolha para Melhor Ator. Se esta performance ocupar o lugar na carreira dele — e na história do cinema — que eu espero, ele será considerado um vencedor digno, mesmo entre este grupo excepcional de indicados.

O veredito: um ano que entrará para a história

Rankings são exercícios de provocação necessária. Colocar Wagner Moura em segundo e Michael B. Jordan em quinto não significa que um seja “melhor ator” que o outro — significa que, neste ano específico, com estes filmes específicos, as performances se alinharam de certas maneiras. Chalamet vence por uma fração de centímetro. DiCaprio em terceiro lugar seria primeiro em 80% dos anos anteriores. É isso que torna a categoria de Melhor Ator do Oscar 2026 especial.

Se você curte análises que vão além do óbvio, vale a pena conferir todos os cinco filmes e formar seu próprio ranking. A pergunta que fica: em um ano tão equilibrado, a Academia terá coragem de premiar o brasileiro Wagner Moura, ou a narrativa de “vez do Chalamet” será irresistível? Em 2 de março, teremos a resposta.

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Perguntas Frequentes sobre o Oscar 2026 de Melhor Ator

Quem são os indicados ao Oscar 2026 de Melhor Ator?

Os cinco indicados são: Timothée Chalamet (‘Marty Supreme’), Wagner Moura (‘O Agente Secreto’), Leonardo DiCaprio (‘Uma Batalha Após a Outra’), Ethan Hawke (‘Blue Moon: Música e Solidão’) e Michael B. Jordan (‘Pecadores’).

Quando acontece a cerimônia do Oscar 2026?

A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para 2 de março de 2026. O evento será transmitido ao vivo, como tradicionalmente ocorre.

Wagner Moura já foi indicado ao Oscar antes?

Não. Esta é a primeira indicação de Wagner Moura ao Oscar. Ele é o segundo ator brasileiro indicado na categoria de atuação, após Fernando Montenegro em 1999 por ‘Central do Brasil’.

Quantos atores brasileiros foram indicados ao Oscar de atuação?

Com a indicação de Wagner Moura em 2026, são três atores brasileiros indicados ao Oscar de atuação: Fernando Montenegro (Melhor Atriz, 1999), Wagner Moura (Melhor Ator, 2026) e a indicação de Montenegro representa o único caso anterior na categoria principal de atuação.

Quais filmes dos indicados ao Oscar 2026 de Melhor Ator já estão disponíveis?

A disponibilidade varia por região e plataforma. ‘O Agente Secreto’ estreou nos cinemas brasileiros em 2025. ‘Marty Supreme’, ‘Uma Batalha Após a Outra’, ‘Blue Moon’ e ‘Pecadores’ têm lançamentos programados para o segundo semestre de 2025 e início de 2026. Consulte plataformas de streaming e cinemas para disponibilidade atual.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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