Oscar 2026: Por que Jessie Buckley é a única certeza nas categorias de atuação

Enquanto Jessie Buckley tem 100% de aprovação estatística em Best Actress após varrer todos os precursores, as outras três categorias de atuação do Oscar 2026 vivem cenário de caos inédito. Analisamos os números e o que eles revelam sobre o estado atual da Academia.

Tem algo fascinante no modo como o caos se instala em algumas edições do Oscar. A cerimônia de 2026 será lembrada assim: quatro categorias de atuação, e apenas uma onde você pode apostar a casa sem medo. Oscar 2026 previsões nunca foram tão fáceis em um lugar — e tão impossíveis nos outros três.

Jessie Buckley transformou o que costuma ser uma temporada de ansiedade em um desfile de vitórias. Desde Telluride, quando ‘Hamnet: A Vida Antes de Hamlet’ chegou causando impacto imediato, ela se consolidou como a figura a bater. O que ninguém esperava é que ela atravessasse todos os quatro grandes precursores — Globes, SAG, Critics’ Choice e BAFTA — sem tropeçar uma única vez.

Jessie Buckley e o clube das nove imbatíveis

Jessie Buckley e o clube das nove imbatíveis

Em três décadas de história desses prêmios alinhados, apenas nove atrizes fizeram o que Buckley acabou de fazer: Renée Zellweger, Frances McDormand, Brie Larson, Julianne Moore, Cate Blanchett, Natalie Portman, Helen Mirren, Reese Witherspoon e Julia Roberts. Todas, sem exceção, levaram o Oscar.

A estatística aqui não é um indicador — é um veredito antecipado. Buckley não apenas venceu onde precisava vencer; ela o fez com uma consistência que sugere algo mais profundo do que campanha bem feita. Em ‘Hamnet’, adaptação do best-seller de Maggie O’Farrell, ela interpreta Anne Hathaway não como a esposa esquecida da história, mas como uma mulher que perde um filho e carrega esse luto com uma ferocidade que assusta. A cena em que ela descobre a morte do filho Hamnet — um silêncio que se transforma em grito mudo — é o tipo de momento que define carreiras.

Há um consenso genuíno entre votantes de diferentes perfis sobre a qualidade do seu trabalho. E consenso, em ano de divisão, é moeda rara. Suas concorrentes — Saoirse Ronan por ‘A Última Mulher’, Viola Davis por ‘Golpe do Destino’, Emma Stone por ‘Tipos de Gentileza’ e Hong Chau por ‘O Almoço’ — entregaram trabalhos respeitáveis, mas nenhuma gerou o mesmo tipo de unanimidade.

Best Actor: o duelo que ninguém previu

Se Buckley representa a ordem, Best Actor é o retrato do caos. Timothée Chalamet parecia ter a categoria selada depois do Globes e Critics’ Choice por ‘Um Homem Completo’. Então veio o BAFTA, onde perdeu para Robert Aramayo — que nem está indicado ao Oscar. E depois o SAG, onde Michael B. Jordan levou o prêmio mais importante para projetar o vencedor da Academia.

O cenário agora é um cabo de guerra com três pontas. Chalamet tem o reconhecimento inicial, mas perdeu momentum na reta final. MBJ tem o SAG no bolso, mas nenhum ator na história venceu Best Actor com apenas esse precursor. E Wagner Moura, sempre ele, permanece como a possibilidade de surpresa — alguém que pode roubar a cena se os votos se dividirem entre os dois favoritos.

Você precisa voltar até 2004, quando Sean Penn venceu por ‘Sobre Meninos e Lobos’ com apenas Globes e Critics’ Choice, para encontrar um paralelo ao que Chalamet tenta fazer. Por outro lado, não existe precedente para alguém vencer Best Actor com o SAG como único precursor. A categoria está, tecnicamente, em território inédito.

Supporting Actor: três vencedores, zero certezas

Supporting Actor: três vencedores, zero certezas

Aqui a situação beira o absurdo. Stellan Skarsgård venceu o Globes. Jacob Elordi levou o Critics’ Choice. Sean Penn conquistou BAFTA e SAG. Três vencedores diferentes nos quatro principais precursores — algo que não acontecia desde 2015, quando Mark Rylance ganhou o Oscar por ‘Ponte dos Espiões’ com apenas o BAFTA no currê.

Penn parece ter a vantagem no momento. Dois precursores, incluindo o SAG, pesam a seu favor. Mas há um detalhe que complica: sua ausência em eventos da temporada e um histórico de controvérsias podem fazer diferença na hora do voto. A Academia já demonstrou, em outras ocasiões, que fatores extracinematográficos influenciam sua decisão.

O cenário mais extremo? Delroy Lindo ou Benicio del Toro levando a estatueta sem ter vencido nenhum precursor. Isso não acontece desde 1999, quando James Coburn ganhou por ‘Temporada de Caça’ sem nenhuma vitória prévia. Em um ano onde tudo está fragmentado, o impossível se torna plausível.

Supporting Actress: Madigan na frente, mas não imbatível

A categoria começou com Teyana Taylor disparando na frente após seu discurso emocionado no Globes. Amy Madigan respondeu no Critics’ Choice. Wunmi Mosaku jogou uma chave inglesa no BAFTA. E Madigan selou sua posição de favorita com a vitória no SAG.

Madigan tem o mesmo padrão de vitórias que Alicia Vikander em ‘A Garota Dinamarquesa’ e Lupita Nyong’o em ’12 Anos de Escravidão’. Ambas venceram o Oscar. Ela também carrega uma vantagem que nenhuma concorrente tem: já foi indicada antes, em 1986 por ‘Dois Vezes Amor’. A Academia gosta de reconhecer quem já esteve na festa — especialmente quando o retorno demora quatro décadas.

Mas Taylor tem um argumento forte: ‘Pecadores’ deve bater recorde de indicações este ano, o que sugere um filme amado pelos votantes. Se o amor pela obra contagiar a categoria, ela pode se tornar a primeira vencedora com apenas o Globes no currículo. Mosaku, por sua vez, tenta repetir o caminho de Penélope Cruz, Tilda Swinton, Judi Dench e Juliette Binoche — todos venceram o Oscar com apenas o BAFTA como precursor.

2026 será lembrado como o ano da exceção

Temporadas de premiações costumam ter um roteiro previsível: alguém domina os precursores, entra como favorito, e a cerimônia apenas confirma o óbvio. Buckley seguiu esse script à risca. Mas as outras três categorias quebraram todas as regras.

O que isso diz sobre o estado atual do cinema e da votação da Academia? Primeiro, que não existe mais um consenso fácil. O corpo de votantes está mais diverso, mais fragmentado, menos suscetível a campanhas que funcionavam como relógio nos anos 2000. Segundo, que performances em filmes populares — ‘Pecadores’ sendo o exemplo óbvio — carregam um peso que os precursores tradicionais podem não capturar completamente.

Terceiro, e talvez mais importante: a temporada de 2026 prova que estatística não é destino. Buckley tem 100% de chances baseada nos números. Mas os números também diziam que Chalamet era o favorito há dois meses. Diziam que Penn era impossível de perder após o SAG. A realidade mostrou que cada categoria conta sua própria história.

Quando a cerimônia acontecer, no dia 15 de março, você saberá exatamente o que esperar de Best Actress. As outras três? Boa sorte. Em um ano onde até os especialistas estão divididos, talvez a melhor previsão seja admitir que não existe previsão confiável. Exceto, claro, Jessie Buckley subindo ao palco para receber seu Oscar merecido.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre o Oscar 2026

Quando é o Oscar 2026?

A cerimônia do Oscar 2026 acontece no dia 15 de março de 2026, no Dolby Theatre em Los Angeles. Esta é a primeira edição desde 2011 a ocorrer em março, retornando ao calendário tradicional após os deslocamentos provocados pela pandemia.

Onde assistir ao Oscar 2026 no Brasil?

No Brasil, o Oscar 2026 será transmitido ao vivo pela TNT e pelo streaming HBO Max. A cerimônia começa às 20h30 (horário de Brasília), com tapete vermelho a partir das 19h.

Quem são os indicados a Best Actress no Oscar 2026?

As indicadas a Best Actress são: Jessie Buckley por ‘Hamnet: A Vida Antes de Hamlet’, Saoirse Ronan por ‘A Última Mulher’, Viola Davis por ‘Golpe do Destino’, Emma Stone por ‘Tipos de Gentileza’ e Hong Chau por ‘O Almoço’. Buckley é a grande favorita após vencer todos os precursores.

O que são os precursores do Oscar?

Precursores são prêmios que antecedem o Oscar e servem como indicadores de probabilidade de vitória. Os principais são: Golden Globes (imprensa estrangeira), SAG Awards (sindicato de atores), Critics’ Choice (críticos) e BAFTA (academia britânica). Vencer todos os quatro praticamente garante o Oscar.

Qual precursor é mais confiável para prever o Oscar?

O SAG Awards é estatisticamente o mais confiável para categorias de atuação, pois o sindicato de atores tem grande sobreposição com os votantes da Academia. Para Best Picture, o PGA (Produtores) costuma ser o melhor termômetro. O BAFTA é especialmente decisivo para performances britânicas.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também