Ranking dos oito giros de trama mais impactantes de ‘O Agente Noturno’ 3ª temporada. Explicamos como cada reviravolta foi construída narrativamente e por que a revelação sobre Monroe e Isabel recontextualiza toda a série.
Thrillers de conspiração vivem de um contrato implícito com o público: a promessa de que nada é o que parece. Mas há uma diferença entre o twist por twist — aquele choque barato que existe só para gerar cliques — e a reviravolta que recontextualiza tudo o que você assistiu até então. O Agente Noturno 3ª temporada entende essa diferença e constrói seus oito maiores giros de trama com precisão, culminando numa revelação que transforma o vilão da temporada em um dos personagens mais complexos que a Netflix produziu recentemente.
Após maratonar os dez episódios, fica claro que a série de Shawn Ryan entrega mortes inesperadas, origens surpreendentes e conexões familiares que reescrevem o tabuleiro político-internacional montado desde a primeira temporada. O resultado é uma temporada que supera suas antecessoras em ambição narrativa — ainda que nem todos os acertos sejam criados iguais. Abaixo, um ranking dos oito giros mais impactantes, do menos ao mais surpreendente.
8. A morte de Mike Fonseca — um aviso, não um choque
Se há um tipo de morte que se tornou convenção em thrillers de conspiração, é a do personagem secundário que sabe demais. Mike Fonseca, interpretado por David Zayas (o sempre confiável Angel Batista de ‘Dexter’), entra na temporada como uma peça menor mas carismática no quebra-cabeça investigativo de Peter Sutherland. Sua morte por envenenamento, orquestrada pelo assassino conhecido como The Father, funciona menos como surpresa genuína e mais como declaração de intenções da série: ninguém está seguro.
O que salva este twist da irrelevância é justamente o carisma de Zayas. Em poucas cenas, o ator constrói alguém que o público quer ver sobreviver — o que torna sua morte uma perda real, não apenas uma peça movida no tabuleiro narrativo. É um twist funcional, competente, mas que prepara o terreno para revelações mais substanciais.
7. O assassinato do Senador Lansing — violência como subversão
Aqui, a série demonstra compreensão refinada de tensão hitchcockiana. No quarto episódio, Peter e Isabel viajam até um retiro de caça para confrontar o Senador Lansing sobre seu envolvimento na conspiração. A cena constrói expectativa clássica: Isabel está sob ameaça, Peter corre contra o relógio para salvá-la. Todo o aparato narrativo sugere um resgate de última hora.
O que acontece em vez disso é um tiro na cabeça — seco, instantâneo, grotesco. A explosão de sangue e o choque parapisante de Isabel funcionam como um tapa na cara do público que esperava a resolução heroica convencional. É a série dizendo: esqueçam o roteiro previsível. A morte de Lansing, como a de Mike, envolve um personagem menor, mas a execução eleva o twist alguns degraus acima.
6. Jenny Hagan como a verdadeira conspiradora
O final da segunda temporada estabeleceu o Presidente Hagan como uma figura comprometida — um político que chegou ao poder através da interferência de Jacob Monroe, o corretor de inteligência que serve como fio condutor das conspirações da série. A terceira temporada, no entanto, subverte essa premissa de forma elegante: Hagan não tem laços reais com Monroe. Quem conspira é sua esposa, Jenny.
É um twist que funciona por duas razões. Primeiro, porque a série planta a desinformação com cuidado ao longo da temporada anterior, fazendo o público aceitar como fato algo que era, na verdade, uma cortina de fumaça. Segundo, porque Jenny é uma personagem nova — o que permite que a revelação reescreva o passado sem criar contradições narrativas. É o tipo de giro que só funciona em estruturas de antologia, onde cada temporada expande o universo em vez de apenas continuar a história.
5. A morte de Catherine — consequência real em mundo de fantasia
Poucas coisas testam a credibilidade de um thriller como a sensação de que os protagonistas estão protegidos por uma armadura narrativa invisível. A morte de Catherine Weaver, chefe de Peter no FBI, quebra essa proteção de forma brutal. Monroe a executa — junto com outros agentes — como aviso pessoal a Peter: obedeça ou perca mais pessoas próximas.
O que torna este twist particularmente efetivo é o timing. A série havia acabado de estabelecer Catherine como alguém pelo qual o público torcia, uma figura de autoridade moral em um mundo de cinzas. Cortar sua história de forma tão abrupta coloca Peter em uma posição de desvantagem genuína — e adiciona complexidade moral a Monroe, que demonstra ser capaz de crueldade calculada sem necessariamente ser um monstro unidimensional.
4. Adam mata Monroe — o aliado que vira algoz
Adam foi o enigma moral da terceira temporada. Por dez episódios, nem Peter nem o público sabiam onde suas lealdades verdadeiras residiam. A série mantém essa ambiguidade até o final — e então subverte todas as expectativas com um assassinato brutal: Adam executa Monroe a mando do Presidente.
É um twist que funciona em múltiplas camadas. Primeiro, porque Monroe era o centro gravitacional da temporada — o tipo de vilão importante demais para morrer antes do final. Segundo, porque transforma Adam temporariamente em antagonista, complicando a dinâmica de confiança que a série havia construído. Terceiro, porque impulsiona os dois últimos episódios com uma urgência narrativa que a temporada inteira preparou. É o tipo de reviravolta que só funciona porque o trabalho de base foi feito corretamente.
3. A origem de The Father e The Son — monstro com código moral
Entre os novos personagens da temporada, a dupla de assassinos conhecida como The Father e The Son se destaca pela ausência de nomes convencionais e pela conexão genuinamente afetuosa que desenvolvem. A revelação de sua origem, no entanto, transforma o que poderia ser uma dinâmica de mentoria sombria em algo mais perturbador e tragicamente humano.
The Father encontrou The Son como bebê — após assassinar seus pais verdadeiros em um trabalho. Em vez de abandonar a criança ou eliminá-la como testemunha, ele a criou. É um detalhe que recontextualiza cada cena anterior e posterior, adicionando uma camada de complexidade moral a um personagem que, por profissão, deveria ser irredimível. Não há absolvição aqui — a série nunca sugere que bondade pontual compensa uma vida de assassinatos. Mas há humanidade, e isso faz toda a diferença.
2. O passado de Jacob Monroe — vilania com raízes
Durante a segunda temporada e grande parte da terceira, Monroe funcionou como o arquétipo do manipulador de bastidores — um corretor de inteligência cuja motivação parecia ser puramente o acúmulo de poder. O episódio dedicado a seu passado quebra esse arquétipo de forma magistral.
Forçado a entrar na CIA. Sequestrado por uma célula terrorista. Perdeu o amor de sua vida e sua filha. Construiu poder suficiente para se opor às forças que o vitimizaram. A série não usa esse passado para absolver Monroe de seus crimes — ele permanece um antagonista cujas ações merecem repúdio. Mas o transforma em uma figura trágica, alguém que o público pode compreender sem necessariamente apoiar. É o tipo de construção de personagem que separa thrillers competentes de narrativas memoráveis.
1. Jacob Monroe é pai de Isabel — o twist que reescreve tudo
Se houvesse um prêmio de twist do ano para séries de streaming, este seria o favorito. A revelação de que Jacob Monroe, o centro de toda a conspiração investigada por Peter e Isabel, é o pai ausente desta última, funciona como o clímax perfeito de uma temporada que construiu seu suspense em camadas interconectadas.
O que eleva este giro acima dos outros é como ele reorganiza cada peça do tabuleiro retroativamente. As dicas de tensão entre Isabel e Monroe — inicialmente interpretadas como possíveis sinais de uma dinâmica romântica ou manipulativa — ganham significado novo e mais profundo. A escolha profissional de Isabel em reportagem financeira, sua determinação em buscar justiça, sua relação complicada com herança familiar: tudo se encaixa como peças de um quebra-cabeça que o público não sabia estar montando.
É também o twist que potencializa o segundo colocado. O episódio dedicado ao passado de Monroe funciona dramaticamente porque Isabel está no centro do tabuleiro — e descobrir que ela é filha de alguém que passou por tanto trauma adiciona peso emocional a uma narrativa que poderia ser puramente intelectual. As atuações de Genesis Rodriguez e Louis Herthum carregam a revelação com uma química tensa que alterna entre repulsa, curiosidade e dor reconhecível.
Em última análise, este é o tipo de twist que define temporadas inteiras. Não é um choque pelo choque — é uma recontextualização que faz o público querer reassistir tudo com novos olhos. E em um gênero saturado de reviravoltas previsíveis, isso é o mais alto elogio possível.
Veredito: uma temporada que honra o gênero
A terceira temporada de ‘O Agente Noturno’ não apenas entrega twists — ela os constrói com cuidado, planta sementes com paciência e colhe com precisão. Nem todos os oito giros funcionam igualmente bem, mas os três primeiros colocados representam o estado da arte do thriller de conspiração televisivo: revelações que chocam não porque subvertem expectativas aleatórias, mas porque reorganizam tudo o que o público pensava saber.
Para quem ainda não assistiu: pare de ler este artigo agora. A experiência só funciona com o elemento surpresa intacto. Para quem já viu: vale a reflexão sobre como a série conseguiu transformar Monroe de vilão funcional em um dos personagens mais complexos da Netflix atual. Poucas produções de streaming têm essa ambição — e menos ainda a executam com tanto sucesso.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Agente Noturno’ 3ª temporada
Quantos episódios tem a 3ª temporada de ‘O Agente Noturno’?
A terceira temporada tem 10 episódios, todos disponíveis na Netflix desde o dia do lançamento.
Preciso assistir as temporadas anteriores para entender a 3ª?
Sim. A terceira temporada continua tramas iniciadas nas temporadas anteriores, especialmente a conspiração envolvendo Jacob Monroe e o desenvolvimento de Peter e Isabel. Ver sem o contexto prejudica a compreensão dos twists.
A 3ª temporada de ‘O Agente Noturno’ é a última?
Não. A Netflix renovou a série para uma 4ª temporada antes mesmo do lançamento da 3ª. A história continua.
Onde assistir ‘O Agente Noturno’?
‘O Agente Noturno’ é uma produção original Netflix. Todas as três temporadas estão disponíveis exclusivamente na plataforma.
Quem é o vilão principal da 3ª temporada?
Jacob Monroe, corretor de inteligência interpretado por Louis Herthum, é o antagonista central. A temporada expande seu backstory e revela conexões inesperadas com personagens principais.

