Nem todo sucesso de bilheteria é um clássico. Analisamos os 15 filmes de super-heróis que cruzaram a marca de US$ 1 bilhão, separando as obras-primas que elevaram o gênero, como ‘O Cavaleiro das Trevas’, dos sucessos passageiros que brilharam apenas pelo marketing.
Bilheteria de um bilhão de dólares não é certificado de qualidade. No ecossistema atual de Hollywood, cruzar essa marca muitas vezes significa apenas que o marketing foi eficiente ou que a marca era forte o suficiente para arrastar multidões pela inércia. Alguns filmes de super-heróis bilionários são, de fato, obras-primas que elevaram o gênero a novos patamares técnicos e narrativos. Outros, porém, envelheceram como leite sob o sol do deserto.
Nesta lista, separamos o joio do trigo. Analisamos os 15 filmes que romperam a barreira do bilhão, ranqueados não pela conta bancária, mas pelo que realmente importa: profundidade de roteiro, inovação visual e o impacto real que deixaram na história do cinema. Spoiler: nem todo sucesso de público é um sucesso de crítica.
15. ‘Vingadores: Era de Ultron’ — O peso do excesso
Dizer que ‘Vingadores: Era de Ultron’ é um filme ruim seria injusto, mas é inegável que ele é o capítulo mais inchado da Marvel. Em 2015, Joss Whedon teve que equilibrar a introdução de novos personagens (Mercúrio, Feiticeira Escarlate e Visão) com a necessidade de plantar sementes para os próximos cinco anos de franquia. O resultado é uma narrativa fragmentada que parece mais um trailer de duas horas para o que viria a seguir.
James Spader entrega um Ultron interessante — um vilão com complexo de Messias e o sarcasmo de seu criador — mas o roteiro o sabota ao transformá-lo em apenas mais um exército de robôs genéricos no terceiro ato. O bilhão veio pela empolgação do primeiro filme, mas a execução técnica aqui é a mais frágil da quadrilogia.
14. ‘Aquaman’ — A vitória do design de produção sobre o texto
‘Aquaman’ é um triunfo visual e um desastre narrativo. James Wan, vindo do terror, trouxe uma escala épica para a Atlântida que poucos diretores conseguiriam. O uso de cores vibrantes e o design das criaturas marinhas são fascinantes, mas o roteiro parece um rascunho de um filme de fantasia dos anos 80 que nunca foi revisado. O carisma de Jason Momoa sustenta o filme, mas a trama do ‘herói relutante’ é tão previsível que beira o desinteresse.
13. ‘Capitã Marvel’ — Marketing cirúrgico, filme comum
Lançado no auge do hype para ‘Ultimato’, ‘Capitã Marvel’ foi vendido como a peça que faltava no quebra-cabeça de Thanos. O filme cumpre sua função burocrática, mas falha em dar a Carol Danvers uma personalidade distinta além de ser ‘muito poderosa’. O destaque fica para o rejuvenescimento digital de Samuel L. Jackson, uma proeza técnica da Marvel, e a química de buddy movie entre ele e Brie Larson.
12. ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ — A ambição que tropeça na lógica
Concluir a trilogia que mudou o cinema era uma tarefa ingrata. Christopher Nolan optou pela escala épica, mas ‘Ressurge’ sofre com furos de roteiro e uma edição que tenta comprimir meses de história em minutos. Tom Hardy cria um Bane fisicamente ameaçador, mas que perde força com uma revelação final que diminui sua importância. Ainda assim, a fotografia de Wally Pfister e a trilha pulsante de Hans Zimmer garantem que a experiência seja cinematográfica ao extremo.
11. ‘Homem de Ferro 3’ — O desconstrucionismo de Shane Black
Muitos fãs odeiam a reviravolta do Mandarim, mas, tecnicamente, é uma das escolhas mais corajosas da Marvel. Shane Black transformou um filme de super-herói em um thriller de investigação noir. Ver Tony Stark lidando com crises de pânico e operando sem a armadura humaniza o bilionário de uma forma que as sequências anteriores ignoraram. É um filme com identidade própria, algo raro em franquias bilionárias.
10. ‘Deadpool & Wolverine’ — A celebração do fan service
Este filme é a prova de que a nostalgia, quando bem executada, vale bilhões. Não há profundidade dramática real aqui; o que existe é uma química explosiva entre Ryan Reynolds e Hugh Jackman e um roteiro que entende exatamente o que o público quer ver. A ação é visceral e o uso de efeitos práticos em algumas sequências de luta dá um peso que o CGI puro da Marvel vinha perdendo.
9. ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ — O amadurecimento sob as luzes de Mysterio
Jake Gyllenhaal como Mysterio é um dos melhores castings do gênero. O vilão é uma metáfora perfeita para a era das fake news e das ilusões digitais. A sequência em que Peter Parker é jogado em um labirinto psicodélico de projeções é um marco visual, capturando a essência das HQs de Steve Ditko de uma forma que o cinema ainda não tinha explorado com tal precisão.
8. ‘Coringa’ — O estudo de personagem que chocou o mercado
Ninguém esperava que um drama psicológico censura 18 anos, sem explosões ou capas, batesse o bilhão. Todd Phillips emulou o cinema de Scorsese para contar a queda de Arthur Fleck. A performance de Joaquin Phoenix é visceral e a fotografia suja de Lawrence Sher cria uma Gotham que parece um personagem vivo. É o filme que provou que o público está sedento por histórias de super-heróis (ou vilões) que desafiem o intelecto.
7. ‘Pantera Negra’ — Quando a cultura molda o blockbuster
Ryan Coogler não fez apenas um filme; ele criou um mundo. O design de produção de Hannah Beachler e o figurino de Ruth E. Carter (ambos premiados com o Oscar) dão a Wakanda uma textura e profundidade que a tornam o cenário mais rico do MCU. Killmonger, interpretado por Michael B. Jordan, permanece como um dos vilões mais complexos do cinema, com motivações enraizadas em dores históricas reais.
6. ‘Os Vingadores’ — A prova de que o impossível era possível
Em 2012, o mundo duvidava que reunir quatro franquias em uma funcionaria. Joss Whedon entregou um roteiro que é uma aula de dinâmica de grupo. A batalha de Nova York, com seu plano-sequência rotativo mostrando cada herói em ação, redefiniu o que esperamos de um clímax de ação. É o filme que estabeleceu a ‘fórmula Marvel’, para o bem e para o mal.
5. ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’ — Catarse em escala multiversal
Embora se apoie na nostalgia, o filme tem a coragem de ser uma tragédia. O arco de Peter Parker aqui é sobre perda e o custo ético de ser um herói. Ver as três gerações do Aranha discutindo seus traumas não é apenas fan service; é uma análise da evolução do personagem no cinema ao longo de duas décadas.
4. ‘Capitão América: Guerra Civil’ — O thriller político de colãs
Os irmãos Russo trouxeram uma sobriedade necessária ao gênero. O conflito entre Steve Rogers e Tony Stark não é sobre quem é mais forte, mas sobre ideologias conflitantes e feridas pessoais. A luta final no bunker, filmada com uma câmera instável e sem trilha sonora grandiosa, é um dos momentos mais crus e emocionalmente honestos do gênero.
3. ‘Vingadores: Guerra Infinita’ — A tragédia do vilão vitorioso
Raramente um blockbuster dessa escala permite que o vilão seja o protagonista. Thanos tem o arco emocional mais completo do filme. A estrutura narrativa é impecável, saltando entre núcleos sem perder o ritmo. O final, com o silêncio ensurdecedor do ‘estalo’, é um dos momentos mais ousados da história do cinema comercial.
2. ‘Vingadores: Ultimato’ — O encerramento de uma era
Ultimato é menos um filme e mais um evento cultural sem precedentes. A forma como os roteiristas amarraram 22 filmes em uma jornada de três horas que transita entre o luto, o filme de assalto e o épico de guerra é magistral. É o ápice da narrativa serializada no cinema, entregando recompensas emocionais que foram construídas durante dez anos.
1. ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’ — O padrão ouro
Dezesseis anos depois, o filme de Christopher Nolan continua insuperável. Não é apenas o melhor filme de super-herói; é um dos melhores thrillers policiais da história. A performance de Heath Ledger como o Coringa é lendária, mas é a direção técnica — o uso de câmeras IMAX, a montagem paralela e a recusa em usar CGI excessivo — que torna o filme atemporal. Nolan provou que super-heróis podem ser o veículo para grandes discussões sobre moralidade, caos e a alma de uma sociedade.
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Perguntas Frequentes sobre Filmes de Super-Heróis Bilionários
Qual é o filme de super-herói com a maior bilheteria de todos os tempos?
‘Vingadores: Ultimato’ detém o título, com uma arrecadação global de aproximadamente US$ 2,797 bilhões, sendo superado apenas por ‘Avatar’ na história geral do cinema.
Existem filmes de super-heróis bilionários fora da Marvel e DC?
Qual foi o primeiro filme de super-herói a arrecadar US$ 1 bilhão?
‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’ (2008), de Christopher Nolan, foi o pioneiro a alcançar essa marca histórica, impulsionado pela aclamação crítica e a performance de Heath Ledger.
‘Coringa’ é o único filme proibido para menores a bater o bilhão?
Atualmente, ‘Coringa’ (2019) e ‘Deadpool & Wolverine’ (2024) são os únicos filmes com classificação R (proibido para menores) que conseguiram superar a barreira do bilhão de dólares.

