‘One Piece’: 2ª temporada termina em Drum Island, confirma showrunner

Joe Tracz confirmou que a 2ª temporada de ‘One Piece’ termina em Drum Island, adiando Alabasta para a terceira. Explicamos por que essa escolha deixa a chegada de Chopper como cliffhanger emocional e como a produção está equilibrando fidelidade ao manga com acessibilidade para novos públicos.

Joe Tracz, o novo showrunner de ‘One Piece’ 2ª temporada, finalmente confirmou o que os fãs do manga já suspeitavam: a adaptação live-action vai terminar exatamente no final do arco de Drum Island. Tracz, que anteriormente co-produziu ‘Percy Jackson and the Olympians’ e escreveu para ‘A Series of Unfortunate Events’, trouxe essa revelação em entrevista à revista SFX — uma escolha que pode parecer conservadora à primeira vista, mas revela uma compreensão profunda de como adaptar uma obra de 1000+ capítulos sem perder sua alma no processo.

A notícia veio com detalhes: a segunda temporada cobrirá múltiplos arcos menores conforme os Chapéus de Palha entram na Grand Line — incluindo Laboon, Whisky Peak e Little Garden — culminando na chegada ao reino de neve de Drum. Isso significa que a verdadeira batalha contra a Baroque Works em Alabasta fica para a terceira temporada — uma decisão que divide opiniões, mas que faz todo sentido narrativo quando você analisa a estrutura da obra original.

Por que Drum Island é o ponto de parada ideal

Vou ser direto: quem esperava Alabasta completa nesta temporada não entende como sagas funcionam em ‘One Piece’. O arco de Alabasta não é apenas “mais uma aventura” — é a primeira grande saga épica da série, com dezenas de personagens, conspirações políticas, batalhas em escala massiva e um peso emocional que exige construção cuidadosa.

Terminar em Drum Island é brilhante por três motivos. Primeiro, porque introduz Tony Tony Chopper como o sexto membro do bando exatamente no final da temporada — um cliffhanger emocional muito mais forte do que qualquer batalha de meio de saga poderia oferecer. Para quem não conhece: Chopper é uma rena que comeu uma Fruta do Diabo que lhe deu inteligência humana, e sua história de origem envolve um médico excêntrico chamado Dr. Hiluluk e um rei tirano chamado Wapol. É material para lágrimas.

Segundo, porque Drum Island é, por si só, um arco completo e satisfatório: tem vilão memorável em Wapol, desenvolvimento de personagem para Nami e Sanji, e uma das cenas mais emotivas de toda a fase inicial da Grand Line — a despedida de Chopper do castelo de Drum. Terceiro, e talvez mais importante: serve como setup perfeito para Alabasta. Todos os jogadores principais — Vivi, os agentes da Baroque Works, a ameaça iminente ao reino — já estarão estabelecidos. A terceira temporada pode começar em toda velocidade sem precisar de episódios de exposição.

O dilema de adaptar uma obra sem fim definido

Tracz disse algo que me pegou de surpresa: “O final da segunda temporada tem uma história completa para contar, e ainda assim está preparando a temporada seguinte”. Essa frase carrega o problema central de adaptar ‘One Piece’ para tela — como fazer cada temporada funcionar como unidade autônoma sem perder a sensação de jornada épica contínua?

O manga de Eiichiro Oda não foi escrito pensando em temporadas de TV. Arcos se conectam, sementes plantadas 500 capítulos antes florescem em momentos inesperados, e a sensação de “grande saga” vem dessa acumulação constante. A adaptação da Netflix está tentando replicar isso em um formato que, tradicionalmente, prefere histórias fechadas por temporada.

A decisão de cobrir múltiplos arcos menores em uma única temporada acelera o ritmo, mas também corre riscos. Cada um desses arcos tem momentos queridos pelos fãs — a baleia Laboon, os gigantes em Little Garden, o confronto inicial com a Baroque Works. Se o ritmo for muito apressado, a série vira um highlight reel de cenas icônicas sem espaço para respirar. Se for muito lento, nunca chega aos arcos que os fãs realmente querem ver.

O que a primeira temporada acertou — e a segunda pode replicar

Há algo reconfortante nas declarações de Tracz sobre o final de Drum Island ser “visualmente espetacular e emocionalmente de partir o coração”. Sugere que a equipe entendeu o que funcionou na primeira temporada — os momentos de intimidade entre os Chapéus de Palha, a química do elenco, a capacidade de fazer você se importar com esses piratas malucos — e está apostando nisso em vez de apenas aumentar a escala.

A primeira temporada acertou em transformar o arco East Blue, que no manga é relativamente simples, em uma jornada coesa com arcos emocionais claros para cada personagem. A cena de Sanji se despedindo do Baratie, a história de Nami com Bellemere, a determinação de Luffy em recrutar sua tripulação — cada momento teve peso. Se a segunda temporada aplicar a mesma lógica a Drum Island — focando no trauma de Chopper, na relação dele com Dr. Hiluluk, no significado de encontrar um lugar onde se pertence — temos potencial para algo especial.

O fato de a terceira temporada já estar sendo filmada na Cidade do Cabo também é sinal positivo. A Netflix claramente está investindo em um pipeline contínuo, evitando o problema de adaptações que param e perdem momentum entre temporadas. A expectativa é que a segunda temporada chegue em 2025, embora a Netflix ainda não tenha confirmado data oficial.

O elefante na sala: essa adaptação pode chegar ao fim?

Confesso: sou cético sobre a viabilidade de longo prazo desta adaptação. Fãs otimistas falam em 12 temporadas. Doze. Considerando que cada temporada cobre aproximadamente 100-150 capítulos do manga, isso colocaria a série em Wano por volta de 2035 — com o elenco principal na casa dos 40 anos interpretando personagens que mal envelhecem na obra original.

É um problema que adaptações de obras longas sempre enfrentam, mas ‘One Piece’ é um caso extremo. A obra ainda não terminou. Personagens que são centrais em arcos futuros — Franky, Brook, Jinbe — exigem ou CGI pesado ou atores que podem ser mantidos por anos. E isso antes de falarmos de arcos como Marineford, que envolvem dezenas de personagens em batalha contínua.

Por ora, a série tem vento a favor. A segunda temporada vai testar se a audiência generalista está disposta a acompanhar essa jornada mais longa e complexa, e se o equilíbrio entre fidelidade aos fãs e acessibilidade para novos públicos pode ser mantido. Drum Island é um excelente teste: arco querido, mas não tão icônico quanto Alabasta ou Water 7. Se a produção acertar aqui, o caminho para o futuro se abre.

Veredito: paciência narrativa em vez de hype fácil

A decisão de terminar a segunda temporada em Drum Island em vez de acelerar para Alabasta demonstra algo raro em adaptações modernas: paciência. A Netflix poderia facilmente ter forçado o clímax de Alabasta para criar um final “épico” de temporada. Escolher um final mais íntimo e emocional sugere que a equipe de Tracz entende que ‘One Piece’ funciona não por seus momentos bombásticos, mas pela conexão que construímos com esses personagens ao longo do tempo.

Para fãs do manga, é uma confirmação de que a adaptação está levando a estrutura da obra a sério. Para novos públicos, é uma promessa de que a série não vai atropelar a jornada em nome de espetáculo fácil. Resta saber se o ritmo escolhido para cobrir os arcos intermediários vai funcionar — mas a direção geral parece a correta.

Se você já leu o manga, sabe exatamente o que esperar do final de Drum Island e por que ele é um momento tão poderoso. Se só conhece a série live-action, prepare-se: a chegada de Chopper pode ser o momento mais emotivo da temporada. E a espera por Alabasta? Vai valer a pena.

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Perguntas Frequentes sobre ‘One Piece’ 2ª temporada

Quando estreia a 2ª temporada de ‘One Piece’ na Netflix?

A Netflix ainda não confirmou data oficial de estreia. A expectativa é que chegue em 2025, considerando que a produção já está em andamento e a terceira temporada já começou a ser filmada na Cidade do Cabo.

O que é Drum Island em ‘One Piece’?

Drum Island é um reino coberto de neve na Grand Line, conhecido por ter os melhores médicos do mundo. No arco, os Chapéus de Palha chegam lá em busca de ajuda médica para Nami e acabam envolvidos em um conflito com o rei tirano Wapol, além de conhecerem Tony Tony Chopper.

Quem é Chopper em ‘One Piece’?

Tony Tony Chopper é uma rena que comeu a Fruta Hito Hito, ganhando inteligência e forma humana. Ele é médico e se torna o sexto membro dos Chapéus de Palha. Sua história de origem envolve o Dr. Hiluluk, um médico excêntrico que o acolheu e cujo sonho de curar o coração das pessoas se tornou a motivação de Chopper.

A 2ª temporada de ‘One Piece’ vai ter o arco de Alabasta?

Não completo. A 2ª temporada vai introduzir elementos de Alabasta — como Vivi e os agentes da Baroque Works — mas a saga completa fica para a 3ª temporada. O showrunner Joe Tracz confirmou que Drum Island é o ponto de parada.

Quem é o showrunner da 2ª temporada de ‘One Piece’?

Joe Tracz assumiu como showrunner da 2ª temporada. Ele anteriormente co-produziu ‘Percy Jackson and the Olympians’ e escreveu para ‘A Series of Unfortunate Events’, ambas adaptações de séries de livros populares.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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