O trauma do último episódio: por que os finais de ‘Lost’ e ‘GoT’ ainda dividem fãs

Analisamos por que desfechos como os de ‘Game of Thrones’, ‘Lost’ e ‘Dexter’ ainda geram revolta. Entenda a diferença entre um final divisivo e uma traição narrativa, e como a falta de planejamento pode destruir anos de investimento do público.

Existe uma dor específica que apenas o fã de televisão conhece: a do ‘investimento perdido’. Não estamos falando de um final triste — a tristeza pode ser catártica, como vimos em ‘Six Feet Under’. O problema é a traição narrativa. É dedicar anos a uma mitologia para descobrir que os roteiristas estavam apenas improvisando ou, pior, que eles simplesmente perderam o interesse pela própria criação.

Finais de séries polêmicos deixaram de ser apenas discussões de fórum para se tornarem estudos de caso sobre como não encerrar uma história. De ‘Lost’ a ‘Game of Thrones’, o que separa um desfecho divisivo de um desastre total é a coerência entre a promessa feita e a entrega final. Vamos dissecar por que essas feridas ainda não cicatrizaram.

A execução atropelada de ‘Game of Thrones’

A execução atropelada de 'Game of Thrones'

O maior pecado de David Benioff e D.B. Weiss em ‘Game of Thrones’ não foi o destino dos personagens, mas a velocidade com que chegaram lá. A transformação de Daenerys Targaryen na ‘Rainha Louca’ era um desdobramento plausível — e provavelmente o plano original de George R.R. Martin. No entanto, o que deveria ter sido uma descida lenta e dolorosa à paranoia foi condensado em dois episódios.

Quando a série abandonou a lógica de ‘causa e consequência’ das primeiras temporadas em favor de conveniências de roteiro (como o teletransporte de frotas e a invisibilidade de dragões), o pacto com o público foi quebrado. O final de ‘GoT’ não foi apenas impopular; ele foi tecnicamente falho, ignorando arcos de redenção inteiros, como o de Jaime Lannister, em prol de um valor de choque que o público já não comprava mais.

‘Lost’ e a maldição da ‘Caixa de Mistérios’

‘Lost’ foi a série que ensinou uma geração a teorizar, mas também a que mais sofreu com a falta de um roadmap. A estratégia da ‘Mystery Box’ de J.J. Abrams e Damon Lindelof funciona para atrair audiência, mas cria um cheque em branco que raramente é compensado. O final, focado na reunião emocional dos personagens em uma espécie de limbo, foi um bálsamo para quem amava o elenco, mas um insulto para quem investiu horas decifrando a iniciativa DHARMA ou a fumaça preta.

O grande erro de ‘Lost’ foi sugerir que a mitologia era científica ou lógica durante cinco temporadas, para então resolvê-la com misticismo abstrato no último ano. A ‘rolha da ilha’ tornou-se o símbolo máximo de uma resposta que não estava à altura da pergunta.

O erro de ‘HIMYM’: personagens que cresceram mais que o roteiro

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No caso de ‘How I Met Your Mother’, o problema foi o excesso de planejamento. Os criadores Carter Bays e Craig Thomas filmaram a reação dos filhos de Ted ainda na segunda temporada, prendendo-se a um final que ignorava nove anos de evolução dos personagens.

Ao longo da série, o público aprendeu a amar a ‘Mãe’ (Tracy) e a aceitar que Ted e Robin eram incompatíveis. Forçar o retorno ao casal original após dedicar uma temporada inteira ao casamento de Barney e Robin não foi apenas frustrante; pareceu um retrocesso emocional. Aqui, a fidelidade a uma ideia antiga destruiu a organicidade do crescimento que os atores trouxeram para a tela.

‘Dexter’ e a covardia criativa

Se ‘Lost’ foi confuso e ‘GoT’ foi apressado, ‘Dexter’ foi simplesmente covarde. Transformar um dos serial killers mais icônicos da cultura pop em um lenhador isolado após a morte sem brilho de Debra Morgan foi um anticlímax que ninguém pediu. O final original (da 8ª temporada) falhou porque tentou dar uma ‘punição’ ao personagem que não condizia com a sua natureza, fugindo de um encerramento definitivo — seja a morte ou a exposição pública.

O fato de terem precisado lançar ‘Dexter: New Blood’ anos depois para tentar consertar o estrago é a prova definitiva de que o final de 2013 foi um dos maiores erros de julgamento da história da TV paga.

O que os sucessos nos ensinam sobre o ‘The End’

Para entender por que esses finais doem, basta olhar para quem acertou. ‘Breaking Bad’ entregou exatamente o que prometeu: a destruição total de Walter White. Não houve reviravoltas gratuitas; houve payoff. ‘Better Call Saul’ seguiu o mesmo caminho, provando que um final lento e introspectivo pode ser muito mais poderoso do que uma explosão de CGI se ele for honesto com a jornada do protagonista.

O legado dessas séries polêmicas serve como um aviso para os showrunners atuais de ‘Ruptura’ ou ‘The Last of Us’: o público perdoa um final triste, perdoa a morte de favoritos, mas nunca perdoa a falta de sentido. Na era do binge-watching, um final ruim não estraga apenas o último episódio; ele contamina a experiência de reassistir a obra inteira.

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Perguntas Frequentes sobre Finais de Séries Polêmicos

Por que o final de ‘Lost’ é considerado confuso?

Muitos fãs acreditaram erroneamente que os personagens estavam mortos desde o início. Na verdade, o final mostra que eles se reencontraram em um ‘limbo’ após todos terem morrido em tempos diferentes, mas a falta de respostas concretas sobre os mistérios da ilha gerou grande frustração.

Existe um final alternativo para ‘How I Met Your Mother’?

Sim. Devido à recepção negativa, a produção lançou um final alternativo no box de DVD da série, onde a Mãe não morre e o destino de Ted e Robin é diferente. Esse final é considerado o ‘canônico’ por grande parte dos fãs.

Qual foi a principal crítica ao final de ‘Game of Thrones’?

A principal crítica foi a pressa narrativa. A oitava temporada teve menos episódios, o que forçou mudanças drásticas de personalidade (como a de Daenerys) sem o desenvolvimento necessário, fazendo com que as conclusões parecessem imerecidas.

Onde posso assistir a essas séries completas?

‘Game of Thrones’ está na Max; ‘Lost’ está disponível na Netflix e Disney+; ‘How I Met Your Mother’ pode ser encontrada no Disney+; e ‘Dexter’ está disponível na Paramount+ e Netflix.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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