Entenda por que ‘O Rei do Inverno’, a adaptação brutal de Bernard Cornwell para a lenda de Arthur, virou um fenômeno tardio na HBO Max após ser cancelada. Analisamos o realismo da série e por que ela divide tanto o público e a crítica.
‘O Rei do Inverno’ na HBO Max é o tipo de fenômeno que desafia a lógica dos algoritmos. Uma série cancelada precocemente em 2024, que passou despercebida pelo grande público em seu lançamento original, agora domina o Top 10 em diversos países. Não se trata apenas de marketing de catálogo; é o caso raro de uma obra que precisou do ambiente certo para finalmente encontrar sua audiência.
A adaptação de ‘As Crônicas do Senhor da Guerra’, de Bernard Cornwell, teve uma trajetória errática. Estreou no MGM+ (EUA) e ITVX (Reino Unido), plataformas de alcance limitado, e foi recebida com um abismo de percepção: 74% de aprovação da crítica contra apenas 41% do público no Rotten Tomatoes. Mas por que essa visão brutal da lenda arturiana está ressonando agora?
A Europa redescobriu Arthur: os números por trás do fenômeno
Segundo dados do FlixPatrol de janeiro de 2026, ‘O Rei do Inverno’ escalou para a sétima posição global entre as séries mais assistidas da HBO Max. O destaque maior está na Europa Central e Oriental — Polônia, Sérvia e Romênia — onde a série figura no Top 3. O sucesso tardio revela uma falha na estratégia de lançamento original: a série foi tratada como um produto de nicho quando, na verdade, tinha potencial de blockbuster europeu.
Diferente de ‘Game of Thrones’ ou ‘A Casa do Dragão’, que apostam no espetáculo visual, ‘O Rei do Inverno’ se beneficia da exposição em um catálogo agregador. Na HBO Max, ela deixa de ser uma aposta de um streaming obscuro para se tornar a sugestão de domingo à noite para milhões de assinantes órfãos de fantasia épica.
A desconstrução de Arthur: por que a série divide opiniões
A resistência inicial do público tem uma explicação clara: a série recusa o brilho de Camelot. Bernard Cornwell, o mesmo autor de ‘The Last Kingdom’, trata o mito arturiano como história alternativa, suja e politicamente densa. Iain De Caestecker entrega um Arthur que é mais um diplomata relutante do que um guerreiro predestinado. Não há Excalibur brilhante ou magia pirotécnica.
Uma cena que sintetiza bem essa proposta é o encontro de Arthur com Merlin nos primeiros episódios. Esqueça o mago de chapéu pontudo; aqui, Merlin é uma figura política enigmática e perigosa. Essa escolha narrativa de priorizar o realismo histórico sobre o misticismo fantástico atraiu críticos que buscavam algo mais próximo de ‘Vikings’, mas afastou quem esperava uma aventura clássica de ‘O Senhor dos Anéis’.
O ‘DNA’ de Bernard Cornwell: realismo sujo e textura técnica
Tecnicamente, a série é um deleite para quem aprecia texturas. A fotografia de ‘O Rei do Inverno’ evita o filtro cinza genérico de muitas produções atuais, optando por uma paleta que destaca a lama, o ferro e o couro. É uma estética que comunica o isolamento da Bretanha no século V. A trilha sonora, que mistura elementos tribais com uma tensão constante, ajuda a construir a sensação de que o mundo antigo está morrendo.
Comparada a ‘The Last Kingdom’, a série é menos focada em batalhas campais e mais em escaramuças brutais e claustrofóbicas. É uma escolha que respeita o orçamento, mas que também serve ao ângulo único de Cornwell: a guerra não é gloriosa, é um esforço desesperado de sobrevivência.
Veredito: vale o play mesmo sendo uma série cancelada?
Serei direto: ‘O Rei do Inverno’ não terá uma segunda temporada. A ITVX confirmou o cancelamento em setembro de 2024 e, apesar do sucesso atual na HBO Max, os custos de produção de fantasia raramente permitem que sucessos de streaming em mercados secundários revivam uma produção. A máquina de Hollywood já seguiu em frente.
Ainda assim, a série vale o investimento de tempo para quem busca uma visão madura e desglamourizada do mito arturiano. A primeira temporada adapta ‘O Rei do Inverno’, o primeiro livro da trilogia, e embora termine com ganchos para o futuro, entrega um arco de personagem satisfatório para o Arthur de De Caestecker. É um lembrete de que, no streaming, a qualidade de uma obra às vezes só é reconhecida quando ela finalmente para de competir com o barulho dos grandes lançamentos.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Rei do Inverno’
‘O Rei do Inverno’ terá 2ª temporada na HBO Max?
Não. A série foi oficialmente cancelada após a primeira temporada. Apesar do sucesso atual no Top 10 da HBO Max, não há planos de renovação ou resgate por outra plataforma.
A série é baseada em qual livro de Bernard Cornwell?
A série adapta ‘O Rei do Inverno’, o primeiro volume da trilogia ‘As Crônicas do Senhor da Guerra’. Os livros seguintes, ‘O Inimigo de Deus’ e ‘Excalibur’, não foram adaptados.
‘O Rei do Inverno’ é parecido com ‘The Last Kingdom’?
Sim, ambas compartilham o estilo de “realismo sujo” e foco histórico de Bernard Cornwell. No entanto, ‘O Rei do Inverno’ é mais lento e focado em política e misticismo do que a jornada de Uhtred.
Onde assistir ‘O Rei do Inverno’ no Brasil?
Atualmente, a série está disponível integralmente no catálogo da HBO Max (Max) no Brasil e em diversos países da América Latina e Europa.
Qual a classificação indicativa da série?
A série tem classificação 16 anos, devido a cenas de violência gráfica, temas adultos e linguagem forte, seguindo o padrão de outras obras de Bernard Cornwell.

