Frank E. Flowers revelou que existem histórias não contadas sobre os personagens de ‘O Refúgio’. Analisamos as chances reais de ‘O Refúgio 2’ acontecer e por que uma prequela pode ser mais promissora que uma sequência direta.
‘O Refúgio’ chegou à Prime Video com uma proposta que deveria ser mais comum no streaming: um filme de piratas adulto, visceral e com orçamento considerável. Enquanto a maioria das plataformas evita apostar em barcos e espadas — caros e difíceis de acertar — a produção dos irmãos Russo trouxe algo que captura a aventura clássica do gênero sem recorrer a fantasias ou maldições sobrenaturais. Agora, a pergunta que fica é se O Refúgio 2 tem chances reais de acontecer.
Frank E. Flowers, que assina roteiro e direção (e recentemente escreveu ‘Bob Marley: One Love’), conversou com o ScreenRant sobre o futuro da história. A resposta foi diplomática, mas reveladora: “é algo que pensamos muito”. Traduzindo do hollywoodês: depende dos números.
O que Flowers realmente disse sobre O Refúgio 2
O diretor elogiou a parceria com a AGBO — empresa dos Russo — e a Amazon MGM, afirmando que ambos “acreditaram muito neste filme”. Mas foi além do discurso padrão de cortesia. Flowers deixou claro que existe material não filmado: “há páginas de conteúdo profundo sobre os personagens de Priyanka e Karl que nunca foram filmadas, mas nós conhecemos, e isso aparece na performance”.
Isso é relevante. Significa que ‘O Refúgio’ foi construído com camadas que não precisaram ser explicitadas para funcionar — mas que poderiam ser exploradas em uma continuação. Flowers também disse estar “incrivelmente satisfeito” caso o filme seja “one-and-done”, comparando a obra a uma “refeição completa”. É a postura correta: não forçar uma franquia, mas deixar a porta aberta.
Como o filme termina e o que isso significa para uma sequência
Para entender as chances de continuação, é preciso olhar para o desfecho — e aqui entram spoilers inevitáveis. O confronto final entre Ercell (Priyanka Chopra Jonas) e o pirata Connor (Karl Urban, de ‘The Boys’) resulta na vitória dela, mas com perdas significativas: o marido de Ercell morre, assim como o braço direito de Connor. O filme termina com a família sobrevivente reunida.
Funciona como conclusão? Sim. Mas também abre caminhos óbvios. A identidade de “Bloody Mary” — o passado pirata de Ercell — está revelada. A Companhia das Índias Orientais sabe quem ela é. Uma sequência poderia seguir duas direções: Ercell fugindo com a família, ou assumindo o papel de protetora da ilha e enfrentando novos inimigos do passado.
Prequela: o caminho mais interessante
Confesso: a opção que me parece mais promissora não é uma sequência direta, mas uma prequela. O filme oferece apenas vislumbres do período em que Ercell foi pirata — flashbacks que funcionam como teasers de uma história maior. É a mesma estratégia de filmes como ‘John Wick’ e ‘Mad Max: Estrada da Fúria’: mantenha o backstory misterioso, deixe o público querendo mais.
O problema desse modelo é que depende inteiramente do desempenho do primeiro filme. E aqui entra o fator determinante que Flowers reconhece explicitamente.
O verdadeiro critério: números na Prime Video
Críticos receberam ‘O Refúgio’ com reações mistas — 65% no Rotten Tomatoes no momento desta análise. Mas qualquer observador de streaming sabe que nota de crítica é secundária. O que importa é tempo de tela e retenção.
O exemplo mais óbvio é ‘Resgate’ da Netflix. Recepção crítica similar? Sim. Resultado? Uma sequência já lançada, uma série spin-off a caminho, e mais dois projetos em desenvolvimento. A lição é clara: se o público assistir em massa, a sequência acontece independentemente do que os críticos pensam.
A presença dos irmãos Russo como produtores pesa a favor. Eles têm relação sólida com a Amazon após ‘Citadel’ — outra aposta de franquia — e sabem construir universos expansíveis. Se ‘O Refúgio’ performar bem nas primeiras semanas, O Refúgio 2 deixa de ser “algo que pensamos muito” e vira “projeto em desenvolvimento”.
Vale a pena apostar em uma franquia?
Direto ao ponto: ‘O Refúgio’ funciona melhor como filme autossuficiente do que como piloto de série. A conclusão é satisfatória, o arco emocional se fecha, e forçar uma continuação poderia diluir o que funciona. Por outro lado, uma prequela focada no passado de Bloody Mary tem potencial real — talvez mais do que uma sequência direta.
Para o público brasileiro na Prime Video, a recomendação é clara: assista sem esperar fios soltos óbvios. Se uma continuação acontecer, será bônus. E se não acontecer, você terá visto um filme de piratas que tem mais personalidade do que a maioria das produções do gênero nos últimos anos.
Eu particularmente torço para que os números permitam explorar o passado de Ercell. Priyanka Chopra Jonas claramente construiu uma personagem com densidade que mal arranhamos a superfície. Mas se O Refúgio 2 nunca sair do papel, o filme que temos já é suficiente.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Refúgio’
Onde assistir ‘O Refúgio’?
‘O Refúgio’ está disponível exclusivamente na Prime Video. É uma produção original Amazon MGM Studios.
‘O Refúgio’ tem cena pós-créditos?
Não. O filme tem um final conclusivo e não há cenas durante ou após os créditos. A história se encerra de forma completa.
‘O Refúgio’ é baseado em história real?
Não. O filme é uma obra de ficção, mas se passa no Caribe do século XIX e incorpora elementos históricos reais, como a Companhia das Índias Orientais.
Quando sai ‘O Refúgio 2’?
Não há data confirmada. O diretor Frank E. Flowers comentou que existem ideias para continuação, mas tudo depende do desempenho do primeiro filme na Prime Video.
Quem são os atores principais de ‘O Refúgio’?
O elenco é liderado por Priyanka Chopra Jonas como Ercell e Karl Urban (de ‘The Boys’) como o pirata Connor. Esses dois carregam a narrativa central.

