‘O Refúgio Prime Video’ estreia com selo Fresh e é comparado a John Wick por sua abordagem de piratas adultos. Explicamos por que a comparação faz sentido, como o filme supera a decadência de ‘Piratas do Caribe’, e onde acerta e tropeça segundo as críticas.
Depois de anos vendo o gênero de piratas definhar em sequências cansadas e projetos cancelados, O Refúgio Prime Video chega com uma proposta que pode parecer estranha no papel: e se a fórmula John Wick funcionasse com espadas e navios? A resposta, segundo os primeiros críticos, é um “sim” cauteloso — mas suficientemente entusiasmado para colocar o filme em terreno positivo no Rotten Tomatoes.
O thriller de ação estrelado por Priyanka Chopra Jonas estreia dia 25 de fevereiro na plataforma com 62% de aprovação crítica no agregador — o que lhe confere o selo “Fresh”. Não é nota para aplaudir de pé, mas no contexto atual de blockbusters inflados e franquias exaustas, é um sinal de que alguém acertou a mão em algo que Hollywood parecia ter desistido de fazer direito.
Por que a comparação com John Wick faz sentido — e onde ela para
Quando li a comparação pela primeira vez, confesso que levantei uma sobrancelha cética. John Wick construiu sua identidade em três pilares: coreografia de luta que redefine o gênero, mitologia de submundo criminoso meticulosamente construída, e um Keanu Reeves que fala pouco e atira muito. Como isso se traduz para o Caribe do século XVIII?
A resposta está na estrutura narrativa, não na estética. Como Wick, a protagonista Ercell Bodden (Chopra Jonas) é uma figura retirada de sua vida antiga — uma ex-pirata sendo caçada por um passado que a alcança. Quando o Capitão Connor (Karl Urban) a encontra, ela precisa proteger sua família a qualquer custo. A fórmula é familiar: ameaça pessoal, protagonista relutante, violência proporcional à ameaça.
O crítico Gregory Nussen, do ScreenRant, foi mais longe na analogia, descrevendo o filme como “uma reinvenção do mito Wick” com “inovação suficiente para encontrar seu próprio tesouro”. A diferença crucial? Onde Wick é estoico e quase sobrenatural, Chopra Jonas traz uma vulnerabilidade que o crítico descreveu como “profundamente humana” — um contraste intencional com o “sádico, frio e calculista” Connor de Urban.
O que muda na prática: onde Wick despacha oponentes com tiros precisos ao som de música eletrônica, ‘O Refúgio’ traduz essa letargia calculada para combates corpo a corpo com lâminas. A violência é mais suja, mais desesperada — menos balé, mais briga de sobrevivência. Isso aproxima o filme de algo como ‘The Revenant’ do que dos gun-fu estilizados de Chad Stahelski.
A barra mais alta que ‘Piratas do Caribe’ não conseguiu manter
Os números não mentem, mas precisam de contexto. ‘O Refúgio’ está superando quatro dos cinco filmes de ‘Piratas do Caribe’ no Rotten Tomatoes — mas isso diz mais sobre a decadência da franquia Disney do que sobre a qualidade do novo filme.
A série começou forte em 2003 com ‘Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra’ e seus 79% críticos. Daí em diante, foi queda livre: 53%, 43%, 32%, até o fundo do poço com 30% em 2017. Cada sequência confundiu “mais grandioso” com “melhor”, entupindo telas com tramas labirínticas e esquecendo que o charme do original estava na alegria desregrada de Jack Sparrow — não em efeitos cada vez maiores.
O que ‘O Refúgio’ faz diferente é assumir uma identidade clara desde o início. Classificação R significa violência com consequências, não aventura domesticada para o público familiar. A promessa é de batalhas navais brutrentas e duelos de espadas que sangram — algo que a Disney nunca teria coragem de aprovar.
O que funciona (e o que tropeça) segundo as críticas
O consenso crítico até agora é bifurcado de forma instrutiva. Os elogios convergem em dois pontos: a performance de Chopra Jonas e a coreografia de ação. Os filmes de piratas historicamente tratam combate de espada como espetáculo coreografado — pense nos duelos acrobáticos de Orlando Bloom contra Jack Davenport em 2003. ‘O Refúgio’ aposta em algo mais visceral, com lutas que priorizam impacto sobre elegância, filmadas com câmera próxima o suficiente para sentir cada golpe.
O problema está onde costuma estar em filmes de ação modernos: o roteiro. Críticos apontam uma narrativa “previsível e rasa” que “precisaria de mais profundidade de personagem”. É o tipo de crítica que se lê com frequência em produções que priorizam set pieces sobre desenvolvimento dramático — e que pode ser fatal para quem busca mais do que adrenalina.
Dito isso, a nota 7/10 do ScreenRant sugere que os acertos compensam as falhas. “Aventuroso e surpreendente” não é descrição que se lê todo dia em reviews de filmes de estúdio.
Elenco e equipe: apostas interessantes atrás das câmeras
Além de Chopra Jonas e Urban, o filme conta com Ismael Cruz Córdova (que impressionou em ‘O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder’), Safia Oakley-Green e Temuera Morrison — este último uma presença constante em produções de ação que exigem gravidade (e que carrega o legado de Jango Fett consigo).
Mais interessante é a reunião de Chopra Jonas com os irmãos Russo como produtores. A colaboração anterior foi em ‘Citadel’, série de espionagem da Prime Video que teve recepção mista mas orçamento astronômico. Se os Russos aprenderam algo com os filmes de Marvel que dirigiram — e com os tropeços de ‘Citadel’ — é que personagens carregam ação, não o contrário.
O diretor Frank E. Flowers divide roteiro com Joe Ballarini. Flowers tem filmografia curta, o que pode explicar tanto a frescor de abordagem quanto as falhas de estrutura apontadas. É um risco calculado: apostar em voz nova em vez de segurança burocrática.
Veredito: para quem é (e para quem definitivamente não é)
Se você passou a última década esperando que alguém fizesse um filme de piratas com a seriedade de um thriller de ação adulto, ‘O Refúgio’ pode ser exatamente isso. A comparação com John Wick não é marketing vazio — é uma declaração de intenção sobre o tipo de experiência que o filme promete: violência que machuca, protagonista que sangra, e apostas que têm peso.
Agora, se você busca a alegria descompromissada do primeiro ‘Piratas do Caribe’, com seu humor camp e aventura familiar, vai sair decepcionado. Este é um filme que quer ser levado a sério, com toda a brutalidade que isso implica.
A grande pergunta que fica não é sobre qualidade, mas sobre futuro. A Prime Video tem um potencial substituto para uma franquia que Hollywood não consegue ressuscitar? Depende do que os números de audiência disserem nos próximos dias — e se há público disposto a aceitar piratas manchados de sangue em vez de rum.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Refúgio’
Onde assistir ‘O Refúgio’?
‘O Refúgio’ está disponível exclusivamente na Prime Video desde 25 de fevereiro de 2026. É uma produção original da plataforma.
Qual a classificação indicativa de ‘O Refúgio’?
O filme tem classificação R nos EUA (restrito para menores de 17 anos sem acompanhante) por violência brutal. Isso significa combates sangrentos e batalhas navais com consequências visíveis — diferente dos filmes de ‘Piratas do Caribe’.
‘O Refúgio’ é baseado em livro?
Não. ‘O Refúgio’ (título original: The Bluff) é um roteiro original de Frank E. Flowers e Joe Ballarini, não adaptado de nenhuma obra literária ou graphic novel.
Para quem é recomendado ‘O Refúgio’?
Para quem busca ação de piratas com tom adulto e violento, similar à abordagem de John Wick. Não é recomendado para quem espera aventura familiar e humor camp como em ‘Piratas do Caribe’.
Quem protagoniza ‘O Refúgio’?
Priyanka Chopra Jonas interpreta Ercell Bodden, uma ex-pirata forçada a voltar à ação. O elenco inclui Karl Urban como o vilão Capitão Connor, além de Ismael Cruz Córdova e Temuera Morrison.

