O que ‘Madrugada dos Mortos’ revela sobre uma parceria entre Snyder e Gunn no DCU

Analisamos como a parceria entre Zack Snyder e James Gunn em ‘Madrugada dos Mortos’ (2004) serve de roteiro para o sucesso do novo DCU. Entenda por que a união entre o visual épico de um e o roteiro ácido do outro é o equilíbrio que a franquia precisa.

Existe uma realidade que muitos fãs de super-heróis ignoram: antes de se tornarem os arquitetos de visões aparentemente opostas para a DC, Zack Snyder e James Gunn já haviam provado que formam uma das duplas mais eficientes do cinema moderno. O laboratório dessa união não foi uma metrópole vigiada por heróis, mas um shopping center sitiado por mortos-vivos.

‘Madrugada dos Mortos’, lançado em 2004, continua sendo um marco. Foi a estreia de Snyder na direção e o primeiro grande roteiro de Gunn após o sucesso comercial de ‘Scooby-Doo’. O resultado foi um dos raros remakes que superam o original em ritmo e impacto técnico, estabelecendo um modelo de colaboração que o novo DCU poderia — e deveria — emular para encontrar seu equilíbrio tonal.

A anatomia de uma colaboração: O visual de Snyder e a voz de Gunn

A anatomia de uma colaboração: O visual de Snyder e a voz de Gunn

Ao revisitar o filme de 2004, as digitais de ambos são nítidas e não competem; elas se potencializam. A sequência de abertura, que mostra o colapso de uma vizinhança suburbana em poucos minutos, é a gênese do estilo de Snyder. Há uma crueza visual, uma câmera nervosa e uma escala de tragédia que ele levaria mais tarde para ‘O Homem de Aço’.

No entanto, o que impede o filme de ser apenas um exercício de niilismo visual é o roteiro de Gunn. Enquanto Snyder foca na estética do caos, Gunn foca na excentricidade dos sobreviventes. O diálogo ácido entre o policial Kenneth (Ving Rhames) e o vendedor de TVs CJ (Michael Kelly), ou o jogo macabro de identificar celebridades entre os zumbis no estacionamento, carrega o DNA que veríamos em ‘Guardiões da Galáxia’.

O filme funciona porque Snyder deu peso à violência, enquanto Gunn deu humanidade aos personagens marginais. É exatamente essa a combinação que falta em muitas produções de gênero atuais: o espetáculo que não esquece o indivíduo.

A falsa dicotomia entre o sombrio e o esperançoso

A narrativa popular entre os fandoms sugere que Snyder e Gunn representam filosofias incompatíveis — o “Snyderverse” sombrio contra o “Gunnverse” colorido e irônico. Mas essa é uma visão simplista. ‘Madrugada dos Mortos’ prova que eles sabem transitar no meio-termo.

Snyder, frequentemente criticado por uma suposta falta de leveza, dirigiu ‘Lendas da Guarda’, uma obra de pura jornada do herói clássica. Gunn, por sua vez, entregou em ‘O Esquadrão Suicida’ momentos de horror corporal e melancolia que não devem nada aos filmes mais pesados de Snyder. A tensão entre o Superman de 2013 e o de 2025 não é uma guerra de diretores, mas uma evolução de abordagens sobre o mesmo mito.

Como o modelo de 2004 se aplica ao novo DCU

Como o modelo de 2004 se aplica ao novo DCU

James Gunn agora ocupa o cargo de arquiteto-chefe. Sob o selo Elseworlds, o novo DCU tem a liberdade de explorar histórias fora do cânone principal. É aqui que a parceria poderia renascer. Imagine um projeto de terror ou um suspense político em Gotham onde Gunn atua como produtor e roteirista, garantindo a coesão narrativa e o desenvolvimento de personagens, enquanto Snyder assume a direção para imprimir sua assinatura visual inconfundível.

O precedente de ‘Madrugada dos Mortos’ mostra que Snyder trabalha melhor quando tem um roteiro rigoroso de terceiros para ancorar seus instintos visuais. Da mesma forma, os roteiros de Gunn ganham uma escala épica quando interpretados por diretores que entendem de composição de quadro e impacto visual.

O fator humano: A amizade além das redes sociais

Apesar das guerras de hashtags, a relação profissional entre os dois sempre foi pautada pelo respeito. Gunn já defendeu publicamente as escolhas de Snyder, e Snyder foi um dos primeiros a apoiar a nomeação de Gunn para o comando da DC Studios. Para a indústria, uma nova colaboração seria o movimento de marketing definitivo para unificar uma base de fãs fragmentada.

O futuro do Snyder e James Gunn DCU não precisa ser uma escolha entre um ou outro. Se o objetivo é criar um universo diversificado, o segredo pode estar guardado naquele shopping de 2004: a percepção de que o estilo visual de um e a sensibilidade narrativa do outro são, na verdade, as duas metades de uma mesma moeda de sucesso.

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Perguntas Frequentes sobre a parceria Snyder e James Gunn

Zack Snyder e James Gunn já trabalharam juntos?

Sim. Eles colaboraram no remake de ‘Madrugada dos Mortos’ (Dawn of the Dead) em 2004. Zack Snyder foi o diretor e James Gunn escreveu o roteiro do filme.

Zack Snyder vai voltar para o DCU de James Gunn?

Até o momento, não há anúncio oficial. Snyder está focado em seus projetos na Netflix (como Rebel Moon), mas ambos os diretores mantêm uma relação amigável e não descartam colaborações futuras.

Onde posso assistir ‘Madrugada dos Mortos’ de 2004?

O filme está disponível para aluguel e compra em plataformas como Apple TV+, Amazon Prime Video e Google Play. A disponibilidade em catálogos de streaming por assinatura varia mensalmente.

James Gunn e Zack Snyder são amigos?

Sim, os dois são amigos de longa data. James Gunn frequentemente menciona o apoio de Snyder e vice-versa, apesar das discussões entre as bases de fãs de cada um na internet.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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