O que assistir na Max: as séries essenciais que definem o selo HBO

Analisamos as melhores séries da Max sob a ótica do selo HBO, do impacto histórico de ‘Família Soprano’ às novas apostas de 2025 como ‘The Pitt’. Descubra por que a curadoria de ‘Prestige TV’ continua sendo o diferencial da plataforma em meio ao excesso de conteúdos genéricos.

A Max carrega um peso que nenhum outro streaming consegue replicar: o selo HBO. Enquanto outras plataformas apostam em volume — centenas de títulos novos por mês, a maioria esquecível — a HBO construiu sua reputação fazendo o oposto. Menos séries, mais cuidado. É uma filosofia que começou em 1997 com ‘Oz’ e continua viva em 2025 com ‘The Pitt’.

Mas navegar pelo catálogo da Max pode ser confuso. A plataforma mistura produções HBO com aquisições de outros estúdios, reality shows e conteúdo infantil. Como separar o que realmente carrega o DNA da Prestige TV do resto? É exatamente isso que fizemos aqui: uma curadoria das melhores séries da Max que definem o padrão HBO de qualidade — dos clássicos fundadores às estreias de 2025.

A fundação do império: os clássicos que inventaram a ‘Prestige TV’

A fundação do império: os clássicos que inventaram a 'Prestige TV'

Antes de ‘Família Soprano’ estrear em 1999, a televisão era a ‘irmã menor’ do cinema. Séries existiam para preencher grade, não para ganhar prêmios ou provocar debates sociológicos. A HBO mudou isso de forma irreversível com uma tríade de obras que ainda hoje parecem modernas.

‘Família Soprano’ não apenas inventou o anti-herói; ela o dissecou. James Gandolfini criou Tony Soprano com uma tridimensionalidade que o cinema raramente alcançava em duas horas. Reassista ao episódio ‘College’ (T1E5): a cena em que Tony estrangula um informante enquanto leva a filha para visitar faculdades é o marco zero da televisão moderna. É ali que o público aceitou que seu protagonista poderia ser um monstro, contanto que fosse humano.

Paralelamente, ‘A Escuta’ (The Wire) tratou a TV como literatura russa. David Simon usou a polícia de Baltimore para analisar falhas sistêmicas no capitalismo americano. A fotografia é crua, quase documental, e a recusa da série em usar trilha sonora extra-diegética (música que os personagens não ouvem) cria um realismo desolador. Não é uma série de ‘policial e ladrão’; é um tratado sobre como as instituições moem indivíduos.

O drama que exige investimento (e paga com juros)

A HBO sempre apostou em séries que pedem algo do espectador. ‘Succession’ é o exemplo recente mais brilhante. A série usa uma câmera na mão, estilo cinéma vérité, que faz o espectador se sentir um intruso nas reuniões da família Roy. O zoom súbito no rosto de Jeremy Strong (Kendall) capta micro-expressões de derrota que nenhum roteiro conseguiria descrever. É uma tragédia shakespeariana sobre bilionários que prova que o dinheiro não compra estabilidade emocional, apenas formas mais caras de sofrimento.

Já ‘The Leftovers’ opera em um registro metafísico. Damon Lindelof ignora o ‘porquê’ do desaparecimento de 2% da população para focar no ‘como’ as pessoas continuam vivendo. A trilha sonora de Max Richter, baseada em pianos melancólicos e violinos crescentes, é o que ancora a série quando a narrativa flerta com o surrealismo. É, possivelmente, a obra mais subestimada do catálogo.

As estreias de 2025 que já viraram essenciais

As estreias de 2025 que já viraram essenciais

‘The Pitt’ chegou em janeiro de 2025 e já garantiu seu lugar no panteão. Liderada por Noah Wyle, a série resgata o drama hospitalar, mas com uma estética de ‘thriller de urgência’. A cinematografia usa tons frios e azulados para refletir a exaustão da equipe médica de Pittsburgh. A segunda temporada, que estreia agora em janeiro de 2026, promete expandir o foco para a crise do sistema de saúde público americano.

‘IT: Bem-Vindos a Derry’ é outra surpresa. Diferente dos filmes, a série tem tempo para respirar e explorar o horror cósmico de Stephen King. O design de som é o ponto alto: o silêncio da cidade de Derry é preenchido por ruídos industriais e sussurros que tornam a experiência de assistir com fones de ouvido verdadeiramente perturbadora. Bill Skarsgård prova que sua interpretação de Pennywise ainda tem camadas de sadismo a serem exploradas.

Comédia HBO: quando o riso é desconfortável

A HBO nunca fez comédia de ‘claque’. ‘Barry’ é o exemplo definitivo: Bill Hader começa como um assassino querendo ser ator e termina como um estudo sobre a impossibilidade de redenção. A direção de Hader é minimalista, usando planos longos e estáticos que forçam o espectador a encarar a violência de forma crua, sem o glamour de Hollywood.

Para quem busca algo mais leve, mas não menos inteligente, ‘Medíocres’ (Hacks) é obrigatória. A dinâmica entre Jean Smart e Hannah Einbinder é uma aula de tempo cômico. A série brilha ao desconstruir a indústria do entretenimento, mostrando que a lacuna geracional entre a Baby Boomer Deborah Vance e a Millennial Ava é menor do que ambas gostariam de admitir.

O que torna uma série ‘HBO’ em 2026

Olhando para o futuro, com o retorno de ‘Euphoria’ em abril de 2026, o padrão permanece o mesmo: risco artístico. A série de Sam Levinson continua dividindo opiniões, mas seu uso de iluminação expressionista e montagem frenética define a linguagem visual da Geração Z na TV. O selo HBO na Max não é apenas uma garantia de orçamento alto; é a promessa de que você verá algo que respeita sua inteligência e desafia suas expectativas.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre as melhores séries da Max

Quais são as séries essenciais para começar na Max?

Para entender o padrão HBO, comece por ‘Família Soprano’ (drama), ‘Succession’ (drama/comédia ácida) e ‘A Escuta’ (crime/social). Se busca algo atual, ‘The Last of Us’ e ‘The Pitt’ são as melhores portas de entrada.

Quando estreia a 3ª temporada de ‘Euphoria’?

Após longos adiamentos, a terceira temporada de ‘Euphoria’ está confirmada para estrear em abril de 2026 na Max, trazendo um salto temporal na narrativa.

‘The Pitt’ é baseada em ‘ER – Plantão Médico’?

Não diretamente, mas compartilha o protagonista Noah Wyle e produtores executivos. ‘The Pitt’ é uma nova abordagem ao drama médico, focada na realidade hospitalar de 2025, com ritmo de tempo real.

Onde assistir ‘Mad Men’ em 2026?

Embora seja uma produção original da AMC, todas as sete temporadas de ‘Mad Men: Inventando Verdades’ estão disponíveis no catálogo da Max como parte de um acordo de licenciamento de longo prazo.

Qual a diferença entre séries Max Originals e HBO Originals?

HBO Originals são produzidas pela rede de TV a cabo HBO (ex: ‘The Last of Us’), conhecidas pelo selo de prestígio. Max Originals são produções exclusivas do streaming (ex: ‘Hacks’), que costumam ter um tom mais variado, mas mantendo alta qualidade de produção.

Mais lidas

Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

Veja também