A menção a Montauk no final de ‘Stranger Things’ revela a conexão profunda com o projeto original dos Irmãos Duffer. Analisamos como essa referência resgata o real ‘Projeto Montauk’ e o que ela significa para a redenção final de Jim Hopper e Joyce Byers.
Quando Jim Hopper menciona Montauk nos minutos finais de ‘Stranger Things’, o espectador médio pode ter visto apenas um plano de aposentadoria romântico entre ele e Joyce Byers. No entanto, para quem estuda a arqueologia da cultura pop, aquela palavra soou como um trovão. Stranger Things final Montauk não é apenas um aceno geográfico; é o fechamento de um ciclo que precede o próprio nascimento da série na Netflix, em 2016.
Como editor que acompanhou o fenômeno desde o seu primeiro trailer ‘spielberguiano’, vejo nessa escolha não um mero fan service, mas uma declaração de princípios dos Irmãos Duffer sobre a identidade da obra.
A gênese esquecida: Quando a série se chamava ‘Montauk’
O que hoje conhecemos como um pilar da Netflix começou sua vida como um pitch intitulado simplesmente ‘Montauk’. No projeto original, a trama não se passaria na fictícia Hawkins, Indiana, mas na ponta leste de Long Island, Nova York. A escolha era fundamentada em uma das teorias conspiratórias mais densas dos EUA: o Projeto Montauk.
Segundo relatos pseudocientíficos de figuras como Preston Nichols, a base militar de Camp Hero teria sido palco de experimentos de controle mental e viagens no tempo — o suposto ‘Experimento Filadélfia’ levado ao extremo. Ao citar a cidade no final, os Duffer resgatam o DNA bruto da série: a ideia de crianças sendo usadas como chaves para portais dimensionais não veio do nada; veio do folclore urbano sombrio daquela região costeira.
A transição para Hawkins: Uma vitória da atmosfera sobre o fato
A mudança de cenário para o interior de Indiana foi o que permitiu a ‘Stranger Things’ se tornar universal. Enquanto Montauk já possuía uma identidade ligada ao mar e a lendas específicas, Hawkins era uma tela em branco. A estética da cidade pequena cercada por florestas densas permitiu que a fotografia explorasse o contraste entre o conforto do subúrbio e a opressão visual do Mundo Invertido.
Narrativamente, Hawkins funciona como o ‘não-lugar’ de Stephen King. Ao guardar a menção a Montauk para o fim, os criadores sinalizam que o perigo imediato (o laboratório, o Vecna) foi superado, permitindo que os personagens finalmente busquem a origem de tudo — ou fujam para onde o mistério começou.
O arco de Hopper: A redenção através do retorno
Há uma camada técnica na atuação de David Harbour nessa cena final que merece atenção. O tom de voz de Hopper ao sugerir Montauk carrega um peso biográfico que muitos esquecem: Hopper é um exilado de Nova York. Foi lá que ele viveu o trauma da perda de sua filha, Sara, e o colapso de seu primeiro casamento.
Sugerir um retorno ao estado de Nova York, especificamente para uma cidade que carrega tanto misticismo, mostra que Hopper não quer mais se esconder em Hawkins. Se a primeira temporada nos apresentou um xerife que sobrevivia à base de comprimidos e apatia, o final nos entrega um homem disposto a encarar o horizonte. A luz quente da cena, em contraste com o azul frio das instalações soviéticas da temporada anterior, reforça essa transição emocional.
Por que este é o ‘Easter Egg’ definitivo
Diferente de referências vazias a ‘Ghostbusters’ ou ‘Pac-Man’, a menção a Montauk recompensa o espectador que se aprofundou na produção da série. É uma metalinguagem elegante. Os Duffer estão dizendo: ‘Nós sabemos onde começamos’.
Para o público geral, é uma promessa de paz para Joyce e Hopper. Para o fã dedicado, é o reconhecimento de que a mitologia de Eleven é inseparável das lendas de Camp Hero. É raro ver uma produção de tamanha escala manter sua integridade temática por tanto tempo, provando que, mesmo após se tornar um gigante comercial, o coração de ‘Stranger Things’ ainda bate no ritmo das conspirações de nicho que a inspiraram.
Veredito: O fim que honra o início
Se você sentiu um nó na garganta com o plano de Joyce e Hopper, saiba que o sentimento é projetado. Ao escolher Montauk, os Duffer não apenas deram um destino aos personagens; eles deram um lar para a própria série. É o tipo de escrita que transforma entretenimento em legado, conectando os pontos entre um roteiro rejeitado por dezenas de redes de TV e o final da maior saga de ficção científica da década.
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Perguntas Frequentes sobre o final de Stranger Things e Montauk
O que é o Projeto Montauk mencionado na série?
O Projeto Montauk é uma teoria conspiratória real sobre experimentos secretos do governo dos EUA em Long Island, envolvendo controle mental e portais. Foi a principal inspiração para a criação do Hawkins Lab e dos poderes de Eleven.
Por que Stranger Things quase se chamou Montauk?
Os Irmãos Duffer planejaram originalmente ambientar a série na cidade de Montauk, em Nova York. O nome foi alterado para ‘Stranger Things’ quando a produção decidiu mudar o cenário para a fictícia Hawkins, em Indiana, por razões logísticas e criativas.
Qual a importância de Montauk para o personagem Hopper?
Hopper viveu em Nova York antes de retornar a Hawkins, e foi lá que enfrentou a morte de sua filha. Propor uma mudança para Montauk simboliza que ele está pronto para enfrentar seu passado no estado de Nova York e recomeçar ao lado de Joyce.
A cidade de Montauk existe na vida real?
Sim, Montauk é uma vila localizada na extremidade leste de Long Island, no estado de Nova York. É um destino turístico famoso e abriga o Camp Hero, a base militar que originou as lendas de conspiração usadas na série.

